Alergia a ovo: o que é, sintomas e o que fazer

Revisão médica: Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
fevereiro 2022

A alergia a ovo é um tipo de alergia alimentar muito comum em crianças, que é causada pela ingestão desse alimento, podendo gerar sintomas leves, como coriza e náuseas e, em casos mais graves, levar a sintomas, como dificuldade para respirar, sensação de bolo na garganta e queda da pressão arterial.

Causada pelo consumo do ovo ou de preparações que contenham ovo, como suflês, maionese, bolos e pudins, por exemplo, esse tipo de alergia acontece devido a uma reação muito forte do sistema imunológico à presença de proteínas da clara ou da gema do ovo, como albumina, ovoalbumina e ovomucina.

A alergia a ovo é mais comum em crianças, que tende a desaparecer por volta dos 16 anos, e um dos tratamentos recomendados para essa condição inclui evitar alimentos e produtos com ovos, devendo ser feito sempre com o acompanhamento de um médico e um nutricionista.

Principais sintomas

Os sintomas da alergia a ovo que podem surgir dentro de alguns minutos a algumas horas após a ingestão do ovo ou de alimentos que contêm ovo, são:

  • Vermelhidão, lesões e coceira na pele;
  • Cólicas e dor no estômago;
  • Náuseas e vômitos;
  • Coriza e espirros;
  • Formigamento na boca.

Além disso, em casos mais graves de alergia a ovo, também podem surgir sintomas de anafilaxia, que pode incluir tosse seca, chiado no peito, dificuldade para respirar, inchaço na língua e garganta, palidez e tontura. Entenda o que é a anafilaxia e saiba o que fazer.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da alergia a ovo é feito por um médico, que vai avaliar os sinais e sintomas apresentados pela pessoa, o estado de saúde atual e o histórico familiar de alergias.

Além disso, o médico também poderá solicitar alguns exames complementares, como teste cutâneo e o teste de provocação oral, onde se deve ingerir uma pequena quantidade de ovo, no hospital, para que o médico observe os sintomas. Conheça todos os testes recomendados para identificar alergias.

Tratamento da alergia a ovo

O tratamento da alergia a ovo varia de acordo com a gravidade dos sintomas apresentados.

Tratamento em casos leves

A principal forma de tratar a alergia leve é excluir o ovo da alimentação, sendo importante evitar  consumir não somente o ovo puro, mas também qualquer alimento que possa conter vestígios desse alimento, como:

  • Bolos;
  • Pães;
  • Biscoitos;
  • Empanados;
  • Pudins;
  • Algumas massas;
  • Maionese.

Além disso, é recomendado observar atentamente os rótulos dos alimentos, porque muitos indicam que podem conter alguns compostos do ovo, como albumina, globulina, lecitina, ovoalbumina e ovoglobulina.

Alguns medicamentos, como anti-histamínicos, também podem ser prescritos pelo médico para aliviar sintomas leves da alergia, como coriza, espirros e coceiras na pele.

Tratamento em casos graves

Em casos graves de alergia a ovo, como anafilaxia, o tratamento pode ser feito em casa, caso já faça uso de caneta auto injetora de adrenalina, um hormônio que ajuda a regularizar os batimentos do coração, ou no hospital, onde também poderá ser administrada a adrenalina via intramuscular, o oxigênio e outros medicamentos.

Causas da alergia

A alergia a ovo é causada por uma reação exagerada do sistema imunológico, que  caracteriza as proteínas da clara ou da gema do ovo como perigosas, estimulando a liberação de compostos que causam os sinais e sintomas de alergia.

Alguns fatores, como não receber leite materno exclusivo até os 6 meses, o consumo de cigarro e bebidas alcoólicas durante a gestação, ter asma e ter pais com alergia a ovo podem aumentar as chances de desenvolver alergia a ovo.

Quem tem alergia a ovo pode tomar vacina?

Algumas vacinas, como a vacina contra H1N1, influenza, a vacina contra febre amarela, Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola) e Tetra Viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) são produzidas com proteínas do ovo. No entanto, somente quem possui alergia grave à proteína do ovo não deve receber vacinas com esse componente.

Por isso, pessoas que tenham alergia a ovo devem sempre consultar um médico antes de tomar vacinas, para avaliar o grau de alergia e verificar se há contraindicações ou não.

Quando incluir o ovo na alimentação da criança

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a introdução de novos alimentos, incluindo os ovos, na dieta da criança a partir dos 6 meses de idade. No entanto, é importante ressaltar que a alimentação da criança deve ser sempre orientada por um médico, ou nutricionista.

Comer ovos a partir dos 6 meses pode ajudar a diminuir o risco da criança desenvolver alergia a esse alimento. Assim, a Sociedade Brasileira de Pediatria conclui que não existe evidência científica para excluir o ovo da alimentação da criança.

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Atualizado por Karla S. Leal - Nutricionista, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Drª. Beatriz Beltrame - Pediatra, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • FIOCRUZ. Quem tem alergia a ovo pode tomar vacina?. Disponível em: <https://portal.fiocruz.br/pergunta/quem-tem-alergia-ovo-pode-tomar-vacina>. Acesso em 08 fev 2022
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA E ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 2 - Diagnóstico, tratamento e prevenção. 2018. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/aaai_vol_2_n_01_a05__7_.pdf>. Acesso em 08 fev 2022
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  • AUSTRALIAN GOVERNMENT DEPARTMENT OR HEALTH: HEALTH DIRECT. Egg allergy. Disponível em: <https://www.healthdirect.gov.au/egg-allergy>. Acesso em 08 fev 2022
  • MAYO CLINIC. Diseases and conditions: Egg allergy. Disponível em: <https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/egg-allergy/symptoms-causes/syc-20372115>. Acesso em 08 fev 2022
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA E ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 1 - Etiopatogenia, clínica e diagnóstico. 2018. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4910649/mod_resource/content/1/ConBrasAlergia_2018_part1.pdf>. Acesso em 08 fev 2022
Revisão médica:
Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
Formada pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, em 1993 com registro profissional no CRM PR - 14218.

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