Ácido ursodesoxicólico: para que serve, como tomar e efeitos colaterais

Revisão clínica: Flávia Costa
Farmacêutica
agosto 2022

O ácido ursodesoxicólico é um remédio indicado para a dissolver pedras na vesícula, para o tratamento da cirrose biliar primário, ou de alterações na qualidade da bile produzida pelo corpo, pois age diminuindo a quantidade de colesterol e estimulando a produção de bile produzida pelo fígado, além de melhorar o fluxo da bile na vesícula biliar.

Esse remédio pode ser encontrado em farmácias ou drogarias, na forma de comprimidos de 50, 150 ou 300 mg, com o nome comercial Ursacol, ou como genérico, sob a designação "ácido ursodesoxicólico".

O ácido ursodesoxicólico, também conhecido como ursodiol, deve ser usado somente com indicação médica, pois é contraindicado em situações que possam interferir na circulação dos sais biliares, como no caso de cólicas biliares frequentes ou inflamação aguda da vesícula, uma vez que estimula a produção de bile e aumenta o fluxo da bile na vesícula.

Para que serve

O ácido ursodesoxicólico é indicado para doenças do fígado, da vesícula e das vias biliares, nas seguintes situações:

  • Pedra na vesícula, formada por colesterol;
  • Cirrose biliar primária;
  • Pedra residual no canal da vesícula biliar ou de novas pedras, formadas após cirurgia das vias biliares;
  • Sintomas de má digestão, como dor abdominal, azia e sensação de estômago cheio, causado por doenças da vesícula biliar;
  • Alterações do funcionamento da vesícula biliar;
  • Níveis altos de colesterol ruim ou triglicerídeos;
  • Tratamento complementar na dissolução de cálculos biliares por ondas de choque (litotripsia), formados por colesterol no caso de colelitíase;

Além disso, o ácido ursodesoxicólico também pode ser usado nos casos de alterações na quantidade da bile, como diminuição ou interrupção da liberação da bile pela vesícula biliar para o intestino, ou alterações na qualidade da bile produzida pela vesícula biliar, sendo geralmente indicado para prevenção de formação de pedras na vesícula após a realização de cirurgia bariátrica, por exemplo.

Esse remédio contribui para a solubilização do colesterol pela bile, prevenindo a formação de pedras na vesícula ou favorecendo a sua dissolução. Saiba como identificar os sintomas de pedra na vesícula.

Como tomar e posologia

O ácido ursodesoxicólico deve ser tomado por via oral, com um copo de água ou leite, após a refeição, sempre nos horários e pelo tempo de tratamento orientados pelo médico.

A posologia do ácido ursodesoxicólico para adultos varia de acordo com a condição a ser tratada, que inclui:

  • Doenças da vesícula biliar, como pedra na vesícula: a dose normalmente recomendada para uso a longo prazo é de 5 a 10 mg por cada Kg de peso corporal, por dia, dividido em 2 doses, sendo a dose maior tomada à noite, ficando a posologia média, na maior parte dos casos, entre 300 a 600 mg, por dia. O tempo de tratamento pode variar de 6 a 24 meses, conforme orientação do médico;
  • Cirrose biliar primária: a dose normalmente recomendada pode variar de 10 a 16 por Kg de peso corporal por dia, de acordo com o estágio da doença e orientação médica;
  • Síndromes dispépticas e na terapia de manutenção: a dose normalmente recomendada é de 300 mg por dia, divididas em 2 a 3 administrações, no entanto estas doses podem ser modificadas pelo médico.

No caso de esquecer de tomar uma dose na hora certa, tomar assim que lembrar, mas deve-se pular a dose esquecida se estiver quase na hora de tomar próxima dose. Não dobrar a dose para compensar a dose esquecida.

Durante o tratamento com o ácido ursodesoxicólico, o médico deve solicitar exames a cada 6 meses, para verificar a dissolução das pedras na vesícula, ou testes de função hepática e dosagem de bilirrubinas no sangue, para avaliação da cirrose biliar primária.

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns do ácido ursodesoxicólico, e que devem ser comunicados ao médico, incluem dor de cabeça, tontura, dor de estômago, náusea, diarreia, urina escura, fezes esbranquiçadas, pele e olhos amarelados, febre, calafrio, dor de garganta, dor muscular, perda do apetite, coceira ou formação de pequenas bolhas na pele.

É aconselhado interromper o uso e procurar ajuda médica imediatamente ou o pronto-socorro mais próximo se surgirem sintomas de alergia ao ácido ursodesoxicólico, como dificuldade para respirar, sensação de garganta fechada, inchaço na boca, língua ou rosto, ou urticária. Saiba identificar os sintomas de reação alérgica.

Quem não deve usar

O ácido ursodesoxicólico não deve ser usado por mulheres grávidas ou em amamentação, ou por pessoas com úlcera no estômago em fase ativa, doença inflamatória intestinal ou que tenham alergia ao ácido ursodesoxicólico ou qualquer outro componente da fórmula.

Além disso, o ácido ursodesoxicólico não deve ser utilizado em situações que possam interferir na circulação dos sais biliares, como cólicas biliares frequentes, inflamação aguda da vesícula biliar, entupimento dos canais da vesícula biliar, problemas na contração da vesícula biliar ou pedra na vesícula calcificada, por exemplo. Isto porque, esse remédio estimula a produção de bile e aumenta o fluxo da bile na vesícula.

O comprimido de ácido ursodesoxicólico contém lactose na sua composição, devendo ser usado com cautela em pessoas com intolerância à lactose.

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Atualizado e revisto clinicamente por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022.

Bibliografia

  • ACHUFUSI, T. G. O.; SAFADI, A. O.; MAHABADI, N. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Ursodeoxycholic Acid. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK545303/>. Acesso em 17 ago 2022
  • ZAMBON LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS LTDA. Ursacol. 2019. Disponível em: <https://docs.google.com/gview?url=https://uploads.consultaremedios.com.br/drug_leaflet/Bula-Ursacol-Paciente-Consulta-Remedios.pdf?1614183668&embedded=true>. Acesso em 17 ago 2022
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  • WONG, Lin Lee; et al. What Comes after Ursodeoxycholic Acid in Primary Biliary Cholangitis?. Dig Dis. 35. 4; 359-366, 2017
Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.