Abscesso anorretal: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
maio 2022

O abscesso anorretal, anal ou perianal é a formação de uma cavidade repleta de pus na pele da região ao redor do ânus, que pode provocar sintomas como dor, principalmente ao evacuar ou sentar; aparecimento de um caroço doloroso na região anal; sangramento ou eliminação de uma secreção amarelada.

Geralmente, o abscesso resulta do entupimento das glândulas que existem na região do ânus seguido pelo desenvolvimento de bactérias, o que leva à formação desta cavidade e do pus. No entanto, algumas doenças como câncer e doença inflamatória intestinal também podem estar envolvidas, facilitando a formação do abscesso anorretal.

Na presença de sintomas de abscesso anorretal, principalmente se associados a problemas da imunidade ou sinais de infecção como febre e inchaço com vermelhidão, é importante consultar um clínico geral ou um coloproctologista.

Principais sintomas

Os principais sintomas do abscesso anorretal incluem:

  • Dor na região do ânus ou próximo, principalmente ao evacuar ou sentar; 
  • Caroço na região anal;
  • Vermelhidão da pele;
  • Calor no local;
  • Inchaço; 
  • Aumento da sensibilidade no local;
  • Febre;
  • Sangramento;
  • Saída de pus.

Quando o abscesso se rompe, com a saída do pus de seu interior, pode haver alívio dos sintomas, principalmente da dor. No entanto, quando os sintomas persistem, retornam ou há saída frequente de pus, pode indicar a presença de outras doenças ou a não melhora do abscesso. Nestes casos, é recomendado consultar um médico. Confira as principais causas de dor ao evacuar.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico geralmente é feito pelo médico através da avaliação dos sintomas e da análise da região do ânus.

No entanto, em alguns casos podem ainda ser necessários exames como anuscopia, ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Exames de sangue, como hemograma, podem também ajudar a avaliar a gravidade da infecção.

Possíveis causas 

O abscesso perianal é provocado por uma infecção bacteriana, geralmente, devido ao entupimento das glândulas que produzem o muco da região anal.

No entanto, existem algumas  condições que aumentam o risco de formação de um abscesso, como:

  • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn ou retocolite ulcerativa;
  • Hidradenite supurativa;
  • Infecções do reto, como amebíase, linfogranuloma venéreo, tuberculose ou esquistossomose retal;
  • Fissura anal;
  • Câncer anorretal;
  • Imunidade comprometida;
  • Ter passado por uma cirurgia da região anorretal, como hemorroidectomia, episiotomia ou prostatectomia, por exemplo. 

Estas condições provocam inflamações no tecido do reto e ânus, facilitando o acúmulo de bactérias e formação de pus. Entenda melhor as causas, sintomas e tratamento da proctite.

Como é feito o tratamento

Dependendo da profundidade do abscesso, seu tamanho, da gravidade da infecção e do risco para infecção generalizada, o tratamento pode envolver:

1. Drenagem por meio de cirurgia

A principal forma de tratamento para o abscesso anal é a drenagem do pus, que deve ser feita o quanto antes para diminuir o risco de uma infecção mais grave. 

Este procedimento pode ser realizado por um clínico geral, sob anestesia local e sem necessidade de internação, nos casos de abscessos mais superficiais e menores. No entanto, casos mais complicados precisam ser internados para que a drenagem seja realizada no centro cirúrgico por um cirurgião geral ou coloproctologista. 

Após a drenagem, o médico poderá recomendar repouso, uso de analgésicos e realização de banhos de assento com água morna, devido ao seu efeito anti-inflamatório. É importante que toda a recuperação seja acompanhada por um médico para certificar de que houve melhora do abscesso e que não há complicações.

2. Uso de antibióticos

O uso de antibióticos deve sempre ser orientado por um médico, e geralmente é indicado além da drenagem quando o abscesso é grande, apresenta extensa área de vermelhidão e calor, ou se houver risco de infecção generalizada, como em caso de diabetes, imunidade comprometida ou obesidade, por exemplo.

3. Tratamento de alterações associadas

Algumas vezes, pode haver uma fístula relacionada ao abscesso. Esta fístula é um canal que pode surgir após a saída do pus, ou devido a outras doenças, e pode prejudicar a melhora da infecção. Nesses casos, o tratamento do abscesso deve incluir também o tratamento da fístula, que pode ser feito por meio de cirurgia ou através da colocação de um material no interior da fístula para estimular seu fechamento. Entenda melhor o que é a fístula anal e como tratar.

O que fazer se o abscesso não melhorar

Em caso de o abscesso não melhorar é recomendado consultar um médico, porque após a drenagem de um abscesso anorretal pode haver falha na cicatrização e formação de uma fístula, que pode ser responsável pela persistência ou retorno de sintomas como inchaço perianal e saída de secreção. 

Além disso, em alguns casos o abscesso pode retornar, o que é mais frequente durante o primeiro ano após o tratamento inicial. 

Possíveis complicações

Em alguns casos, o abscesso pode dar origem a uma fístula anal, cujo trajeto pode ir desde o ânus até à vagina, útero, vias urinárias ou outras partes do intestino, por exemplo. 

Outras complicações que o abscesso anal pode provocar são o comprometimento do esfíncter anal, causando incontinência fecal, ou uma infecção necrotizante, que é quando as bactérias atingem tecidos vizinhos, como pele músculos e gordura.

Além disso, caso o tratamento não seja feito corretamente, é possível que as bactérias atinjam a corrente sanguínea e provoquem uma infecção generalizada, que pode até levar à morte.

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Atualizado por Jonathan Panoeiro - Neuropediatra, em maio de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em janeiro de 2020.

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Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.