Urucum: o que é, para que serve e como usar

Revisão clínica: Manuel Reis
Enfermeiro

O urucum é um fruto da árvore urucuzeiro, conhecida cientificamente como Bixa orellana, que é rico em carotenóides, tocoferóis, flavonóides, vitamina A, fósforo, magnésio, cálcio e potássio, que lhe conferem propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias, sendo, por isso, utilizado na medicina tradicional para fortalecer os ossos, controlar a glicemia e tratar problemas de pele, por exemplo.

Além de ser usado pelas suas propriedades medicinais, o urucum também é utilizado como corante em produtos cosméticos e nas indústrias têxtil e de tintas. Na culinária, a trituração das sementes dá origem ao colorau, utilizado como condimento alimentar.

O urucum pode ser comprado em supermercados, lojas de produtos naturais ou feiras livres. No entanto, seu uso deve ser sempre feito com orientação de um médico ou outro profissional de saúde que tenha experiência com o uso de plantas medicinais, especialmente para o tratamento de problemas de saúde.

Para que serve

O urucum pode servir para:

1. Melhorar a saúde dos olhos

O urucum é rico em carotenóides, como a bixina e a norbixina, encontradas principalmente na camada externa da semente, e vitamina A, que são importantes para manter a visão, proteger os olhos e evitar problemas de visão como olhos secos e cegueira noturna. Por isso, esta planta pode ser utilizado por quem deseja melhorar a saúde dos olhos. 

2. Combater o envelhecimento da pele

O urucum é rico em carotenóides, terpenóides, flavonóides e tocotrienóis que têm forte ação antioxidante e que, por isso, ajudam a prevenir e combater o envelhecimento da pele e o surgimento de linhas de expressão, por combater os radicais livres que provocam danos nas células.

3. Prevenir doenças cardiovasculares

Os tocotrienóis presentes no urucum, por sua ação antioxidante potente, ajudam na redução do colesterol ruim que é responsável por formar placas de gordura nas artérias e, assim, esta planta ajuda a prevenir e reduzir o risco de doenças cardiovasculares como aterosclerose, infarto ou derrame cerebral.

4. Controlar a pressão arterial

O urucum é rico em potássio, que é um mineral que ajuda a controlar a pressão arterial, especialmente quando está alta, porque causa um relaxamento dos vasos sanguíneos, reduzindo a pressão sanguínea.

Além disso, o magnésio presente no urucum age como um bloqueador natural dos canais de cálcio, inibindo a liberação de um neurotransmissor, a norepinefrina, responsável por aumentar a pressão arterial, e assim, também contribui para reduzir a pressão sanguínea.

5. Regular o açúcar no sangue

Alguns estudos mostram que os tocoferóis presentes no extrato das folhas de urucum podem melhorar a resistência à insulina, o que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, podendo ser um importante aliado no tratamento da diabetes.

6. Melhorar o sistema digestivo

Por ser rico em fibras, as folhas e as sementes do urucum ajudam a melhorar o funcionamento do sistema digestivo, contribuindo para uma boa digestão e para melhorar a absorção de nutrientes pelo intestino.

7. Manter os ossos saudáveis

O urucum é rico em cálcio, magnésio e fósforo que são minerais fundamentais para fortalecer, aumentar a resistência e manter a saúde dos ossos, o que pode ajudar a prevenir doenças como osteoporose, osteopenia ou raquitismo, por exemplo.

8. Manter a saúde do cérebro 

O urucum é rico em anti-inflamatórios e antioxidantes como os carotenoides e tocotrienóis que previnem os danos nas células causados pelos radicais livres, mantendo o cérebro saudável e ajudando a prevenir doenças neurodegenerativas como Alzheimer, por exemplo.

9. Cicatrizar a pele

Alguns estudos mostram que as folhas do urucum possuem propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias, reduzindo a produção de substâncias como as prostaglandinas e citocinas, podendo ser utilizadas para auxiliar no tratamento de feridas da pele, queimaduras, cortes ou psoríase, por exemplo, por acelerar a cicatrização da pele. 

10. Eliminar fungos e bactérias

Alguns estudos laboratoriais mostram que o extrato das folhas de urucum é capaz de eliminar fungos, principalmente Candida albicans e Aspergillus niger, além de bactérias como:

  • Staphylococcus aureus que causam infecções pulmonares, de pele e ósseas;
  • Escherichia coli que causa infecção urinária;
  • Pseudomonas aeruginosa que causa infecções pulmonares, infecções nos ouvidos e infecções urinárias;
  • Streptococcus faecalis que causa infecção urinária;
  • Shigella dysenteriae que causa diarreia bacteriana.

No entanto, ainda são necessários estudos em humanos para comprovar esses benefícios.

11. Ajudar a combater o câncer

Investigações feitas com células de mieloma e do câncer de próstata, pâncreas, fígado, cólon, estômago, pulmão e pele, demonstraram que a bixina, um carotenóide presente no urucum, possui ação anti-proliferativa, o que significa que reduz o crescimento das células do câncer.

Além disso, os carotenóides como a bixina e a norbixina, e os tocotrienóis do urucum, têm potente ação antioxidante, que agem combatendo os radicais livres que causam mais danos nas células. Entretanto, ainda são necessários estudos em humanos que comprovem esse benefício.

Composição nutricional do urucum

A tabela a seguir traz a informação nutricional de 100 gramas de semente de urucum:

ComponentesSemente de urucum
Energia388 kcal
Proteínas11,30 g
Gorduras5,30 g
Carboidratos74,90 g
Vitamina B10.45 mg
Vitamina B20,16 mg
Vitamina B31,97 mg
Cálcio11 mg
Fósforo13 mg
Ferro4,70 mg

Como usar

As partes utilizadas do urucum são as folhas ou a semente de onde são extraídas suas substâncias ativas. As principais formas de usar o urucum são:

  • Chá de folhas de urucum: adicionar de 8 a 12 folhas secas ou frescas de urucum em um litro de água fervente. Deixar descansar por 5 minutos e coar. Recomenda-se beber no máximo 3 xícaras por dia;
  • Chá da semente de urucum: adicionar 1 colher de sopa de semente de urucum em 1 litro de água fervente e deixar descansar por 15 minutos. Retirar a semente e beber de 2 a 3 xícaras por dia;
  • Óleo de urucum para culinária: misturar 300 g de sementes de urucum em 1 litro de óleo de girassol. Aquecer um pouco até que o óleo fique avermelhado. Desligar o fogo, esperar esfriar e usar o óleo para temperar saladas ou para cozinhar;
  • Cápsulas de urucum: pode-se tomar 1 cápsula de urucum de 250 mg, até 3 vezes ao dia, antes das refeições. Estas cápsulas podem ser compradas em farmácias, drogarias ou lojas de produtos naturais.

Outra forma de usar o urucum é em pomadas, que são fabricadas com o extrato desta planta e podem ser compradas prontas em farmácias ou drogarias, usadas para cicatrização da pele, em casos de psoríase, feridas ou queimaduras, por exemplo. No entanto, é importante consultar um médico antes de usar a pomada.

Possíveis efeitos colaterais

O urucum é seguro para a maioria das pessoas quando usado na forma de pomada para a pele ou consumido na forma de colorau em pequenas quantidades na alimentação. 

Para as folhas de urucum, o recomendado é usar até 750 mg por dia por no máximo 12 meses e, para as sementes, deve-se evitar o uso prolongado pois não existem informações suficientes para saber se são seguras ou quais podem ser os efeitos colaterais.

O urucum pode causar alergia e deve-se procurar ajuda médica imediatamente ou o pronto socorro mais próximo se surgirem sintomas alérgicos como dificuldade para respirar, náuseas, vômitos ou convulsões.

Quem não deve usar

O urucum não deve ser usado por mulheres grávidas ou em amamentação pois não existem estudos suficientes que comprovem sua segurança. Além disso, pessoas que irão realizar cirurgias também devem evitar o uso do urucum, já que pode alterar os níveis de açúcar no sangue.

Além disso, o urucum deve ser usado com precaução por pessoas que usam medicamentos para diabetes como glimepirida ou insulina, por exemplo, pois pode causar diminuição brusca da glicemia e levar ao aparecimento de sintomas de hipoglicemia como excesso de suor, nervosismo, agitação, tremores, confusão mental, palpitações ou desmaio.

O urucum também não deve ser utilizado por pessoas que tenham insuficiência renal ou que estejam fazendo uso de medicamentos para tratar a hipertensão e diuréticos.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em agosto de 2022. Revisão clínica por Manuel Reis - Enfermeiro, em agosto de 2022.

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Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.