Trombofilia: o que é, sintomas, causas e tratamento

agosto 2022

A trombofilia é o aumento da formação de coágulos no sangue, devido a alterações nos fatores de coagulação, aumentando o risco de problemas graves como trombose venosa profunda, AVC ou embolia pulmonar, por exemplo, que podem ser percebidos através de sintomas, como inchaço em uma perna ou braço, inflamação das pernas, sensação de falta de ar, tosse constante ou falta de força ou perda de sensibilidade em um lado do corpo.

Os coágulos formados pela trombofilia, que também é conhecida como hipercoagulabilidade, surgem porque as enzimas do sangue, que fazem a coagulação, deixam de funcionar corretamente, podendo surgir por causas hereditárias ou acontecer por causas adquiridas ao longo da vida, como por gravidez, obesidade, câncer, ou até pelo uso de anticoncepcionais orais.

O tratamento da trombofilia é feito pelo hematologista ou clínico geral que pode indicar o uso de remédios anticoagulantes para evitar a formação dos coágulos, ou nos casos mais graves, remédios trombolíticos, que quebram os coágulos, geralmente usados em hospitais em situações de emergência.

Sintomas de trombofilia

Os principais sintomas da trombofilia são:

  • Inchaço ou dor repentina em uma perna ou braço;
  • Vermelhidão, sensação de calor ou dor no membro afetado;
  • Veias mais visíveis na pele devido à maior dilatação;
  • Pele da região afetada mais dura que o normal;
  • Sensação repentina de falta de ar;
  • Dor no peito que piora ao respirar fundo, tossir ou comer;
  • Tosse constante e que pode conter sangue;
  • Batimentos cardíacos rápidos e/ou irregulares;
  • Dor de cabeça intensa que surge de repente;
  • Falta de força ou perda de sensibilidade em um lado do corpo;
  • Rosto assimétrico, com boca torta e sobrancelha caída;
  • Fala embolada ou lenta;
  • Perda parcial da visão ou visão embaçada;
  • Pele pálida, fria e azulada;
  • Sonolência, perda de consciência ou desmaio;
  • Dor abdominal, náuseas ou vômitos;
  • Confusão mental.

Esses sintomas geralmente surgem devido à obstrução de um vaso sanguíneo pelo coágulo, causando trombose venosa profunda, AVC ou embolia pulmonar, que são condições graves que podem colocar a vida em risco. Por isso, na presença dos sintomas, deve-se procurar ajuda médica imediatamente ou o pronto socorro mais próximo.

Sintomas de trombofilia na gravidez

A trombofilia na gravidez, pode levar ao surgimento de trombose na placenta ou no cordão umbilical e causar abortos de repetição, parto prematuro e complicações na gravidez, como eclâmpsia, por exemplo. Saiba identificar todos os sintomas de trombose na gravidez.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da trombofilia é feito pelo hematologista, clínico geral ou obstetra, através da avaliação dos sintomas, exame físico, histórico de saúde, histórico familiar de trombofilia, e exames de sangue, como hemograma completo e dosagem de dímero d.

Quando há suspeita de trombofilia hereditária, principalmente quando os sintomas podem ser repetitivos, o médico também pode solicitar as dosagens de enzimas da coagulação do sangue, para avaliar seus níveis.

Além disso, o médico pode pedir testes genéticos, para avaliar mutações no fator V Leiden ou protrombina G20210A, ou para avaliar deficiência de antitrombina III, proteína C ou S, que participam da coagulação do sangue.

Possíveis causas

A trombofilia é causada por alterações ou deficiências na função de enzimas responsáveis pela coagulação do sangue, aumentando o risco de formação de coágulos no sangue, resultando no surgimento dos sintomas.

A trombofilia pode surgir devido a causas hereditárias, por alterações genéticas que são passadas dos pais para os filhos, ou ainda devido a condições de saúde, que incluem:

  • Deficiência de anticoagulantes naturais do corpo, chamados proteína C, proteína S e antitrombina III;
  • Altos níveis do aminoácido homocisteína;
  • Mutações nas células que formam o sangue ou fatores de coagulação, como acontece na mutação do fator V de Leiden ou mutação da protrombina G20210A;
  • Excesso de enzimas sanguíneas que causam a coagulação, como fator VII e fibrinogênio;
  • Obesidade;
  • Varizes;
  • Fraturas de ossos;
  • Gravidez ou puerpério;
  • Doenças cardíacas, como infarto ou insuficiência cardíaca;
  • Diabetes, pressão alta ou colesterol elevado;
  • Ficar acamado por muitos dias, devido a realização de cirurgia, ou por algum internamento hospitalar;
  • Ficar muito tempo sentado em alguma viagem de avião ou ônibus;
  • Hábito de fumar;
  • Doenças auto-imunes, como lúpus, artrite reumatóide ou síndrome antifosfolípide;
  • Doenças causadas por infecções como HIV, hepatite C, sífilis ou malária;
  • Câncer, como mieloma múltiplo.

Além disso, o uso de remédios, como anticoncepcionais orais ou terapia de reposição hormonal, contendo estrogênio, também podem aumentar o risco de trombofilia. Entenda como o anticoncepcional pode aumentar o risco de trombose.

Como é feito o tratamento

O tratamento da trombofilia deve ser feito com orientação do clínico geral, hematologista ou obstetra, que pode indicar o uso de remédios para evitar a formação dos coágulos ou para desfazer os coágulos existentes.

Os principais remédios que podem ser indicados pelo médico são:

  • Anticoagulantes, como varfarina, heparina, ​​rivaroxabana, dabigatrana ou apixabana;
  • Antiagregantes plaquetários, como ácido acetilsalicílico;
  • Estatinas, como a rosuvastatina, para reduzir o colesterol e prevenir a recorrência de trombose venosa profunda;
  • Trombolíticos, como estreptoquinase, alteplase ou tenecteplase, nos casos graves, feito em hospitais para o tratamento de emergências.

É importante seguir o tratamento conforme orientação do médico, para reduzir o risco de complicações da trombofilia e surgimento de AVC, trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.

Para grávidas, o tratamento é feito com anticoagulante injetável, sendo necessário ficar internada por alguns dias.

Cuidados durante o tratamento

Alguns cuidados são importantes durante o tratamento da trombofilia, como:

  • Tomar os remédios corretamente, nos horários estabelecidos pelo médico;
  • Fazer acompanhamento médico regularmente e os exames solicitados pelo médico;
  • Praticar atividades físicas regularmente, conforme orientação médica;
  • Evitar o cigarro ou parar de fumar;
  • Manter o peso saudável;
  • Controlar a pressão alta, a diabetes e o colesterol;
  • Não ficar muito tempo deitado ou parado em situações de viagem, durante a gravidez, puerpério ou internamento hospitalar;
  • Evitar ficar muito tempo sentado sem movimentar as pernas, como trabalhar muitas horas sentado;
  • Evitar o uso de anticoncepcionais orais, em mulheres que têm um risco aumentado de trombofilia, como as que têm pressão alta, diabetes ou história familiar de alterações no sangue.

Além disso, ao tomar anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários indicados pelo médico, pode-se aumentar o risco de sangramentos, sendo importante comunicar ao médico se ocorrer sangramento nasal ou apresentar sangue na urina ou nas fezes, aumento de hematomas no corpo, pois pode ser necessário ajuste da dose do remédio.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em novembro de 2019.

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Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.