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Sangue grosso: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
outubro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento
  4. Complicações

O sangue grosso é um desequilíbrio do fluxo sanguíneo do sangue, que pode surgir devido a deficiência ou excesso de proteínas que participam da coagulação sanguínea, ou aumento de proteínas ou células, como imunoglobulinas ou glóbulos vermelhos, por exemplo, fazendo com que o sangue fique mais espesso do que o normal.

O sangue grosso aumenta o risco de formação de coágulos, o que dificulta a passagem do sangue nos vasos sanguíneos, podendo causar complicações, como AVC ou trombose, por exemplo. Os sintomas estão relacionados com as complicações, podendo ocorrer dor e inchaço nas pernas, dor na cabeça, perda da força dos membros ou dor no peito, por exemplo.

O tratamento do sangue grosso, conhecido cientificamente como hipercoagulabilidade ou trombofilia, é feito pelo hematologista, cardiologista ou clínico geral, que pode indicar o uso de remédios anticoagulantes e de uma alimentação saudável, além do tratamento da condição que possa estar causando o sangue grosso.

Imagem ilustrativa número 2

Sintomas de sangue grosso

O sangue grosso não tem sintomas, no entanto, podem surgir sintomas relacionados à formação de coágulos no sangue, sendo os principais:

  • Dor intensa e inchaço em uma das pernas, especialmente na panturrilha;
  • Vermelhidão, sensação de calor ou dor em uma perna;
  • Dor na cabeça intensa que surge de repente;
  • Falta de força ou perda de sensibilidade em um lado do corpo;
  • Rosto assimétrico, com boca torta e sobrancelha caída;
  • Fala embolada ou lenta;
  • Alterações da visão, como perda parcial da visão ou visão embaçada;
  • Falta de ar intensa, que pode surgir de repente e piorar ao longo do tempo;
  • Tosse constante e que pode conter sangue;
  • Dificuldade para respirar ou respiração rápida;
  • Dor intensa no peito;
  • Dor no peito que afeta também o ombro, pescoço, mandíbula, e braço, geralmente do lado esquerdo;
  • Pele pálida, fria e azulada;
  • Suor frio;
  • Náuseas e/ou vômitos;
  • Confusão mental;
  • Sensação de desmaio.

Esses sintomas podem ser indicativos de complicações do sangue grosso, como trombose venosa profunda (TVP), infarto, AVC ou tromboembolismo pulmonar. Saiba identificar todos os sintomas de TVP, AVC, infarto e trombose pulmonar.

É importante procurar atendimento médico imediato ou o pronto-socorro mais próximo, caso surjam algum desses sintomas, para iniciar o tratamento o mais rápido possível, pois são complicações que podem colocar a vida em risco.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do sangue grosso é feito pelo hematologista, cardiologista ou clínico geral através do histórico de saúde, fatores de risco e exames de sangue, como hemograma completo e coagulograma, que tem como objetivo avaliar as características da coagulação sanguínea. Saiba como é feito o coagulograma.

Além disso, o médico pode solicitar outros exames para ajudar a identificar a causa do sangue grosso, como resistência à proteína C ativada, teste de mutação no fator V Leiden ou protrombina G20210A, ou níveis de antitrombina, proteína C ou proteína S, por exemplo.

Outros exames que o médico pode solicitar, no caso de complicações do sangue grosso são dímero D, ultrassom, venografia, raio X, tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, eletrocardiograma, dosagem das enzimas cardíacas, por exemplo.

Possíveis causas

O sangue grosso é causado por excesso ou deficiência de proteínas que participam da cascata de coagulação sanguínea, aumento da produção de glóbulos vermelhos ou brancos pela medula óssea, ou produção excessiva de imunoglobulinas, por exemplo.

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do sangue grosso, como:

  • Deficiência de anticoagulantes naturais do corpo, chamados proteína C, proteína S e antitrombina III;
  • Mutações nas células que formam o sangue ou fatores de coagulação, como acontece na mutação do fator V de Leiden ou mutação da protrombina G20210A;
  • Excesso de enzimas sanguíneas que causam a coagulação, como fator VII e fibrinogênio;
  • Mutações no gene Janus quinase 2 (JAK2), que levam ao aumento da produção de glóbulos vermelhos do sangue, como no caso da policitemia vera;
  • Aumento da produção de imunoglobulina M, devido a macroglobulinemia de Waldenstrom;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Hábito de fumar;
  • Fraturas de ossos;
  • Gravidez ou puerpério;
  • Doenças cardíacas, como insuficiência cardíaca;
  • Diabetes, pressão alta ou colesterol elevado;
  • Ficar acamado por muitos dias, devido a realização de cirurgia, ou por algum internamento hospitalar;
  • Ficar muito tempo sentado em alguma viagem de avião ou ônibus;
  • Doenças auto-imunes, como lúpus eritematoso sistêmico, púrpura trombocitopênica, poliarterite nodosa ou doença inflamatória intestinal;
  • Doenças causadas por infecções, como COVID-19 ou citomegalovírus;
  • Câncer, como mieloma múltiplo;
  • Deficiência de vitamina B6, B12 ou folato, que podem causar aumento de homocisteína nos sangue;
  • Trombocitopenia, causada pelo uso de heparina.

Além disso, o uso de remédios, como anticoncepcional oral, terapia de reposição hormonal, terapia com testosterona, metotrexato, fenitoína, dapagliflozina ou carbamazepina, por exemplo, também podem deixar o sangue mais grosso e aumentar o risco de formação de coágulos.

Como é feito o tratamento

O tratamento do sangue grosso deve ser feito com orientação do clínico geral, hematologista ou cardiologista, que pode indicar o uso de remédios para evitar a formação dos coágulos ou para desfazer os coágulos existentes.

Os principais tratamentos para o sangue grosso são:

  • Anticoagulantes, como varfarina, heparina, ​​rivaroxabana, dabigatrana ou apixabana;
  • Antiagregantes plaquetários, como ácido acetilsalicílico ou clopidogrel;
  • Estatinas, como a rosuvastatina, para reduzir o colesterol e prevenir a recorrência de trombose venosa profunda;
  • Trombolíticos, como estreptoquinase, alteplase ou tenecteplase, nos casos graves, feito em hospitais para o tratamento de emergências;
  • Plasmaférese, para filtrar o sangue e remover o excesso de proteínas que estão presentes no plasma sanguíneo;
  • Sangria, para diminuir a quantidade de glóbulos vermelhos do sangue, no caso da policitemia vera.

É importante seguir o tratamento conforme orientação do médico, para reduzir o risco de complicações do sangue grosso e surgimento de AVC, infarto, trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.

Além disso, é importante que a pessoa tenha cuidados com a alimentação, pois assim é possível que o tratamento com remédios seja mais eficaz e seja possível prevenir a formação de outros coágulos.

Cuidados com a alimentação

A alimentação para sangue grosso tem como objetivo melhorar a circulação sanguínea e prevenir a formação de coágulo e, para isso, é recomendado consumir alimentos ricos em vitamina C, D, E e K, já que essas vitaminas possuem efeito anticoagulante.

No entanto, é importante que esses alimentos sejam consumidos de acordo com a recomendação do nutricionista, pois o consumo em quantidades elevadas pode diminuir a eficácia dos remédios usados, o que pode trazer complicações.

Assim, os alimentos ricos nessas vitaminas, como acerola, laranja, salmão, óleo de fígado de bacalhau, semente de girassol, avelã, espinafre e brócolis, devem fazer parte da alimentação diária e consumidos conforme a recomendação médica. Conheça outros alimentos que ajudam a melhorar a circulação sanguínea.

Além disso, durante o tratamento com anticoagulantes, é importante ter cuidado ao consumir alho, ginseng, castanha da índia, boldo, guaraná ou arnica, uma vez que podem interagir com os remédios e diminuir seu efeito.

Possíveis complicações

O sangue grosso pode aumentar o risco de formação de coágulos sanguíneos, causando sua obstrução e dificultando a passagem de sangue na corrente sanguínea, o que pode resultar em complicações como AVC, trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar, infarto agudo do miocárdio ou trombose da veia renal, por exemplo.

Por isso, é importante que o tratamento seja feito corretamente com orientação médica para reduzir o risco de complicações do sangue grosso.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em outubro de 2022. Revisão médica por Drª. Ana Luiza Lima - Cardiologista, em janeiro de 2021.

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Revisão médica:
Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
Médica Cardiologista, formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional nº CRM/PE – 16886. 

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