Como é feito o tratamento para AVC

maio 2020

O tratamento para AVC deve ser iniciado o mais depressa possível e, por isso, é importante saber identificar os primeiros sintomas para chamar imediatamente uma ambulância, pois o quanto antes iniciado o tratamento, menor o risco de sequelas como paralisia ou dificuldade para falar. Veja aqui quais os sinais que podem indicar um AVC.

Assim, o tratamento pode ser iniciado pelo médico já na ambulância a caminho do hospital, com remédios como anti-hipertensivos para estabilizar a pressão arterial e os batimentos cardíacos, uso de oxigênio para facilitar a respiração, além do controle dos sinais vitais, como forma de restaurar o fluxo de sangue para o cérebro.

Após o tratamento inicial, deve-se fazer a identificação do tipo de AVC, através de exames como tomografia e ressonância, já que isso influencia os próximos passos do tratamento:

1. Tratamento para AVC isquêmico

O AVC isquêmico acontece quando um coágulo bloquei a passagem de sangue em um dos vasos do cérebro. Nestes casos, o tratamento pode incluir:

  • Medicamentos em comprimidos, como AAS, Clopidogrel e Sinvastatina: usados em casos de suspeita deste tipo de AVC ou isquemia transitória, pois são capazes de controlar o crescimento do coágulo e evitar o entupimento dos vasos cerebrais;
  • Realização da trombólise, com injeção de APt: é uma enzima que deve ser administrada somente quando o AVC isquêmico já está confirmado com tomografia, devendo ser utilizada nas primeiras 4 horas, pois destrói rapidamente o coágulo, melhorando a circulação sanguínea para a zona afetada;
  • Cateterismo cerebral: em alguns hospitais, como alternativa à injeção do APt, é possível inserir um tubo flexível que vai desde a artéria da virilha até ao cérebro para tentar remover o coágulo ou para injetar remédios anticoagulantes no local. Saiba mais sobre o cateterismo cerebral;
  • Controle da pressão arterial, com anti-hipertensivos, como captopril: é feito nos casos em que a pressão arterial está elevada, para impedir que esta pressão alta piore a oxigenação e circulação de sangue no cérebro;
  • Monitorização: deve-se monitorizar e controlar os sinais vitais da pessoa que teve AVC, observando os batimentos cardíacos, a pressão, a oxigenação do sangue, a glicemia e a temperatura do corpo, mantendo-os estáveis, até que a pessoa apresente alguma melhora, pois se estes estiverem descontrolados, pode haver uma piora do AVC e da sequela causada. 

Após um AVC, a cirurgia de descompressão cerebral está indicada em casos em que o cérebro apresenta um grande inchaço, o que aumenta a pressão intracraniana e pode causar risco de morte. Esta cirurgia é feita retirando, por um período, parte do osso do crânio, que é reposto quando o inchaço diminui.

2. Tratamento para AVC hemorrágico

Os casos de AVC hemorrágico surgem quando uma artéria cerebral apresenta um vazamento de sangue ou rompe, como acontece com um aneurisma ou devido a picos de pressão alta, por exemplo. 

Nestes casos, o tratamento é feito controlando a pressão arterial, como anti-hipertensivos, além do uso de catéter de oxigênio e monitorização dos sinais vitais para que o sangramento seja controlado de forma mais rápida.  

Nos casos mais graves, em que há rompimento completo da artéria e é difícil parar o sangramento, pode ser necessário fazer uma cirurgia cerebral de emergência para encontrar o local do sangramento e corrigi-lo.

Em casos de AVC hemorrágico grande, também pode ser feita a cirurgia de descompressão cerebral, pois é comum haver irritação e inchaço do cérebro pelo sangramento.

Como é a recuperação do AVC

Geralmente, após se ter controlado os sintomas do AVC agudo, é necessária uma internação hospitalar por cerca de 5 a 10 dias, o que varia de acordo com o estado clínico de cada pessoa, para ficar em observação, de forma a garantir uma recuperação inicial e para avaliar quais as consequências que resultaram do AVC.

Neste período, o médico pode iniciar o uso de remédios ou pode adequar as medicações do paciente, recomendando o uso de um antiagregante ou anticoagulante, como a Aspirina ou a Varfarina, em caso de um AVC isquêmico, ou removendo o anticoagulante, em caso de AVC hemorrágico, por exemplo.

Além disto, podem ser necessários remédios para controlar melhor a pressão, glicemia, colesterol, por exemplo, para diminuir o risco de novos episódios de AVC.

Algumas sequelas podem permanecer, como dificuldade na fala, diminuição da força de um lado do corpo, alterações para engolir o alimento ou para controlar a urina ou fezes, além de alterações no raciocínio ou memória. A quantidade e gravidade de sequelas variam de acordo com o tipo de AVC e do local afetado do cérebro, assim como a capacidade de recuperação do organismo da pessoa. Entenda melhor quais as possíveis complicações do AVC.

Reabilitação para diminuir as sequelas

Após um AVC, a pessoa precisa fazer uma série de processos de reabilitação, para acelerar a recuperação e diminuir as sequelas. As principais formas de reabilitação são:

  • Fisioterapia: a fisioterapia ajuda a fortalecer os músculos, para que a pessoa consiga recuperar ou manter os movimentos do corpo, melhorando a sua qualidade de vida. Veja como é feita a fisioterapia após um AVC.
  • Terapia ocupacional: é uma área que ajuda o paciente e a família a encontrar estratégias para diminuir efeitos das sequelas do AVC no dia-a-dia, através de exercícios, adaptação da casa, banheiro, além de atividades para melhorar o raciocínio e movimentos;
  • Fonoaudiologia: este tipo de terapia ajuda a recuperar a fala e a deglutição dos pacientes que tiveram esta área afetada pelo AVC;
  • Nutrição: após um AVC, é importante que a pessoa tenha uma dieta balanceada e rica em vitaminas e minerais que nutrem o copo e de forma saudável, para evitar uma desnutrição ou um novo AVC. Em alguns casos em que é necessário o uso de sonda para se alimentar, o nutricionista irá calcular a quantidade exata de alimento e ensinar como preparar. 

O apoio da família é fundamental neste período de recuperação de um AVC, tanto para ajudar em atividades que a pessoa já não consegue realizar, como para suporte emocional, já que algumas limitações podem ser frustrantes e causar sensação de impotência e tristeza. Aprenda como ajudar alguém com dificuldade em se comunicar.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2020.
Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.