Transtorno de processamento sensorial: sintomas, tipos e tratamento

O transtorno do processamento sensorial é uma condição que afeta a forma como o cérebro organiza e responde às informações recebidas por meio dos sentidos, podendo causar sintomas como desconforto com luzes, sons e odores e dificuldade de concentração.

Esse transtorno pode alterar a forma como a pessoa se relaciona com o ambiente e outras pessoas, podendo ser desconfortável ou, por outro lado, passar despercebidas por algumas pessoas. Em crianças, isso costuma ser notado quando elas parecem “exagerar” o incômodo ou não reagem a estímulos que normalmente chamam a atenção de outras crianças.

Embora seja mais frequente na infância, o transtorno de processamento sensorial (TPS) também pode afetar adolescentes e adultos. O tratamento desta condição deve ser individualizado e pode incluir terapia ocupacional, atividade física e adaptações do ambiente.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de transtorno de processamento sensorial

Conforme o tipo de transtorno do processamento sensorial, alguns dos sintomas incluem:

  • Desconforto com luzes, sons, odores ou texturas que não afetam outras pessoas;
  • Dificuldade de concentração ou em participar de atividades habituais;
  • Reações muito intensas ou muito fracas à dor, frio ou mudanças no ambiente;
  • Necessidade de buscar constantemente sensações intensas, como mover muito ou tocar em tudo ao redor.

Esses sintomas podem dificultar a adaptação ao ambiente e causar problemas na escola, no trabalho ou nos relacionamentos com outras pessoas.

Às vezes, as crianças podem ser vistas como inquietas, distraídas ou muito sensíveis, características que nem sempre são reconhecidas como parte de um transtorno sensorial.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico do transtorno do processamento sensorial é, geralmente, feito por um terapeuta ocupacional ou um neurologista, através de uma avaliação detalhada dos comportamentos e das respostas da pessoa a diversos estímulos sensoriais.

Marque uma consulta com o especialista mais perto de você, suando a ferramenta a seguir:

Não ignore os sinais que seu corpo está dando!

Conte com os nossos especialistas para entender a causa dos seus sintomas. Marque sua consulta já!

Disponível em: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Sergipe e Ceará.

Para confirmar o diagnóstico, o médico pode usar questionários padronizados e entrevistas para avaliar como a pessoa responde a diferentes estímulos em seu ambiente.

É importante que o diagnóstico seja realizado por um profissional experiente, pois existem outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes a esta condição, como autismo ou transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

Leia também: TDAH: o que é, 12 sintomas, teste online e tratamento tuasaude.com/sintomas-de-hiperatividade

Teste de transtorno do processamento sensorial

Os testes de transtorno do processamento sensorial são ferramentas que ajudam o médico ou o terapeuta ocupacional a identificar essa condição.

Alguns dos principais testes incluem:

  • Sensory Processing Measure e Sensory Processing Measure-Preschool: avaliam o processamento sensorial e a participação social em diferentes contextos do dia a dia em crianças de 2 a 12 anos e adultos;
  • Perfil Sensorial: mede o limiar neurológico e as estratégias de autorregulação comportamental por meio de quatro padrões, como registro, busca, sensibilidade e evitação, em bebês, crianças, adolescentes e adultos;
  • Evaluation in Ayres Sensory Integration: instrumento de desempenho feito para mensurar de forma abrangente as funções nucleares da Integração Sensorial de Ayres;
  • Touch Inventory for Elementary-School-Aged Children: Questionário de autorrelato para crianças de 6 a 12 anos com foco na identificação de hipersensibilidade ao toque.

Existem também outros testes, como Sensory Processing Integration e Sensory Integration and Praxis Tests, por exemplo.

Alguns protocolos complementares aos testes que podem ser usados pelo médico ou o terapeuta ocupacional incluem Observações Clínicas Sensoriomotoras, Sensory Processing Assessment for Young Children e Comprehensive Observations of Proprioception.

Principais tipos

Os principais tipos de transtorno do processamento sensorial são:

1. Hipo-responsividade

Pessoas com hipo-responsividade sensorial apresentam uma baixa reação aos estímulos do ambiente, podendo não notar ruídos altos, não reagir ao frio ou não prestar atenção a mudanças na luz.

Essa falta de resposta pode levar a pessoa a buscar estímulos adicionais para se sentir mais alerta, como procurar ambientes com maior nível de atividade ou movimentos intensos.

Como identificar: a pessoa pode parecer indiferente a estímulos que, normalmente, provocariam uma reação em outros, não reage a ruídos, mudanças de temperatura ou ao toque de outras pessoas.

2. Hiper-responsividade

A hiper-responsividade sensorial é quando uma pessoa tem uma reação exagerada a estímulos que não incomodam a maioria das pessoas, como desconforto extremo diante de ruídos cotidianos, luzes intensas ou a textura das roupas.

Pessoas com esse tipo de transtorno podem sentir ansiedade, desconforto ou frustração por causa de elementos que outras pessoas apenas notam.

Como identificar: as pessoas reagem com uma intensidade muito acima da média a estímulos comuns. Elas podem tapar os ouvidos diante de sons suaves, evitar certos alimentos devido à sua textura ou evitar locais com luzes intensas.

3. Desorganização sensorial

A desorganização sensorial ocorre quando a pessoa não consegue organizar corretamente as informações vindas de diferentes sentidos.

Isso pode levar a uma confusão sensorial e a respostas inadequadas a situações cotidianas, como dificuldade em processar ao mesmo tempo um som e uma imagem, ou uma textura e um sabor, causando confusão ou desconforto.

Como identificar: a pessoa pode parecer desorientada ou incapaz de se coordenar quando vários estímulos estão presentes ao mesmo tempo.

A pessoa pode não responder adequadamente a uma conversa em um ambiente barulhento ou ficar confusa ao ingerir um alimento com textura ou sabor inesperado.

Possíveis causas

O transtorno do processamento sensorial não tem uma causa única. Entretanto, acredita-se que esta condição aconteça devido a uma combinação de fatores genéticos, alterações no desenvolvimento do cérebro e situações específicas, como lesões neurológicas ou ambientes muito estressantes no início do desenvolvimento.

O transtorno do processamento sensorial às vezes, é mais comum em pessoas que apresentam outros transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo ou o TDAH.

Como é feito o tratamento

O tratamento varia conforme o tipo de transtorno do processamento sensorial e inclui:

  • Terapia ocupacional, com exercícios de dessensibilização, técnicas para melhorar a concentração e a coordenação motora;
  • Atividades físicas, para estimular a consciência corporal, como pular ou balançar o corpo;
  • Técnicas de relaxamento para reduzir a ansiedade, como respiração profunda ou uso de dispositivos que diminuem a intensidade dos estímulos , como protetores auriculares ou óculos de sol;
  • Adaptações no ambiente, em alguns casos, como redução de ruídos, melhoria da iluminação ou escolha de roupas mais confortáveis;
  • Psicoterapia, para que a pessoa e família aprendam a lidar com o estresse e as dificuldades sociais devido ao transtorno.

O trabalho do terapeuta ocupacional pode ser feito em consultório, na escola ou em casa, envolvendo também a família e os professores para criar um ambiente mais previsível e seguro.

Leia também: Terapeuta ocupacional: o que é, o que faz e quais doenças trata tuasaude.com/terapeuta-ocupacional

Um diagnóstico e um tratamento precoces podem melhorar significativamente a qualidade de vida e as habilidades de adaptação social e escolar da pessoa.