Teste de HIV: o que é, quando fazer e como entender o resultado

setembro 2022

O exame para o HIV é feito com o objetivo de detectar a presença do vírus HIV no organismo e deve ser feito pelo menos 30 dias após a exposição a situações de risco, como relações sexuais desprotegidas ou contato com sangue ou secreções de pessoas portadoras do vírus HIV.

O teste de HIV é simples e é feito principalmente por meio da análise de uma amostra de sangue, mas também pode ser utilizada a saliva para verificar a presença do vírus no organismo. Todos os testes de HIV pesquisam a presença de anticorpos produzidos pelo corpo contra os dois tipos de vírus existentes, o HIV 1 e o HIV 2.

A partir do resultado do teste, o médico pode indicar a realização de testes mais específicos para confirmar a infecção e verificar a carga viral no organismo e, assim, ser possível iniciar o tratamento mais adequado para evitar o desenvolvimento da AIDS. Conheça mais sobre o HIV e AIDS.

Quando é indicado

O teste para o HIV deve ser realizado no mínimo 1 mês após o comportamento de risco, pois a janela imunológica, que corresponde ao tempo entre o contato com o vírus e a possibilidade de detecção do marcador da infecção, é de aproximadamente 30 dias, podendo haver a liberação de um resultado falso negativo caso o exame seja realizado antes dos 30 dias.

Apesar de ser considerado que a janela imunológica do HIV é de 30 dias, é possível que exista variação desse tempo de acordo com o sistema imunológico da pessoa, de forma que antes desse período a pessoa já pode apresentar quantidade suficiente de vírus na circulação capaz de estimular uma resposta imunológica e ser identificada no exame de sangue. Saiba mais sobre a janela imunológica do HIV.

No entanto, caso seja indicado pelo médico a realização de exame molecular com o objetivo de identificar o vírus na corrente sanguínea, é indicado que a coleta de sangue seja realizada de preferência na 3ª semana de infecção, já que nesse período é possível observar maior concentração do vírus no sangue. Após esse período, o vírus já encontra-se dentro das células, tornando mais difícil a sua identificação e, por isso, sendo recomendada a realização do exame de anticorpo.

Como entender o resultado

O resultado do exame de HIV deve ser interpretado pelo médico levando em consideração o tipo de teste que foi realizado, o comportamento de risco da pessoa e a data em que aconteceu.

Exame de sangue do HIV

O exame de sangue para o HIV é feito com o objetivo de identificar a presença do vírus e a sua concentração no sangue, dando informações sobre o estágio da infecção. O teste de HIV pode ser feito por meio de vários métodos laboratoriais de diagnóstico, sendo o mais utilizado o método de ELISA. Os possíveis resultados são:

  • Maior que 5,00 - resultado positivo ou reagente: significa que a pessoa esteve em contato e se contaminou com o vírus HIV;
  • Entre 1,00 e 5,00 - resultado indeterminado: nesse caso, é preciso repetir o teste porque a amostra não foi clara o suficiente. Algumas situações que levam a este tipo de resultado são a gravidez e vacinação recente;
  • Menor que 1,00 - resultado negativo ou não reagente: significa que a pessoa não está contaminada com o vírus HIV.

Em caso de resultado positivo para HIV, o próprio laboratório utiliza outros métodos para confirmar a presença do vírus no organismo, como o Western Blot, Immunoblotting, Imunofluorescência indireta para o HIV-1. Assim, o resultado positivo é mesmo confiável.

Em alguns laboratórios, é liberado também um valor, além da indicação se é reagente, não reagente ou indeterminado. No entanto, esse valor não tanta importância clínica quanto a determinação da positividade ou negatividade do exame, sendo apenas interessante para acompanhamento médico.

No caso de resultado indeterminado, é recomendado que o exame seja repetido após 30 a 60 dias para que seja verificada a presença ou ausência do vírus. Nesses casos, o exame deve ser repetido mesmo que não existam sintomas, como perda rápido de peso, febre e tosse persistentes, dor de cabeça e aparecimento de manchas vermelhas ou pequenas feridas na pele, por exemplo. Conheça os principais sintomas do HIV.

Teste rápido do HIV

Os testes rápidos para HIV avaliam a presença ou ausência de anticorpos produzidos contra do vírus e é  feito por meio de uma pequena amostra de saliva ou pequena gota de sangue para identificar o vírus. O resultado do teste rápido é liberado entre 15 e 30 minutos e também são de confiança, sendo os possíveis resultados:

  • Positivo: Indica que a pessoa tem anticorpos contra o vírus HIV, o que é indicativo de infecção. No entanto, é recomendado que seja feito o exame de sangue ELISA para confirmar o resultado;
  • Negativo: Indica que a pessoa não tem anticorpos contra o vírus, de forma que é considerado que a pessoa não está contaminada pelo HIV.

Os testes rápidos são utilizados na rua, em campanhas do governo nos centros de testagem e aconselhamento (CTA) e em gestantes que iniciam o trabalho de parto sem ter realizado o pré-natal. Veja mais detalhes dos testes rápidos para HIV.

Quando pode dar resultado falso negativo

O resultado falso negativo pode acontecer quando a pessoa fez o exame em até 30 dias após o comportamento de risco que pode ter sido relação sexual sem camisinha, compartilhamento de seringas e agulhas descartáveis ou perfuração com objeto de corte contaminado como facas ou tesouras, por exemplo. Isso acontece porque o organismo não consegue produzir quantidades suficientes de anticorpos para que a presença do vírus seja indicada no exame.

No entanto, mesmo que o teste tenha sido realizado 1 mês após o comportamento de risco, o organismo pode demorar até 3 meses para produzir anticorpos suficientes contra o vírus HIV e o resultado ser positivo. Assim, é importante que o exame seja repetido 90 e 120 dias após o comportamento de risco para que se tenha confirmação da presença ou ausência do vírus HIV no organismo.

O que é o exame de carga viral?

O exame de carga viral é um exame que tem como objetivo monitorar a evolução da doença e verificar se o tratamento está sendo eficaz por meio da verificação da quantidade de cópias do vírus presentes no sangue no momento da coleta.

Esse exame é caro, já que é feito por meio de técnicas moleculares que necessitam de equipamentos e reagentes especiais, e, por isso, não é solicitado para fins diagnósticos. Assim, o exame de carga viral só é realizado quando há diagnóstico da infecção pelo HIV com o objetivo de monitorar e acompanhar o paciente, sendo solicitado pelo médico 2 a 8 semanas após o diagnóstico ou início do tratamento e repetição a cada 3 meses.

De forma geral, os valores normais do exame de carga viral são:

  • Entre 100.000 e 1 milhão de cópias: indica um resultado alto, representando uma alta taxa de transmissão do vírus e maior chance de desenvolver AIDS;
  • Até 10.000 cópias: é indicativo de estabilidade, em que, apesar de haver chance de transmissão do vírus, há menor risco de desenvolver AIDS;
  • Até 50 cópias: é considerado um resultado "indetectável", podendo variar de acordo com o laboratório.

O resultado de carga viral indeterminado não significa que não há mais infecção, mas sim que o vírus encontra-se em baixas concentrações no sangue, indicando que o tratamento está sendo eficaz. É consenso na comunidade científica que quando o exame de carga viral é indetectável, há baixo risco de transmissão do vírus por via sexual, no entanto é importante mesmo assim fazer uso do preservativo na relação sexual.

A partir do resultado do exame, o médico pode avaliar o número de cópias do vírus no sangue e comparar com os resultados anteriores, verificando, assim, a eficácia do tratamento. Quando é percebido o aumento da carga viral, significa que houve piora da infecção e, possivelmente, resistência ao tratamento, devendo o médico mudar a estratégia terapêutica. Quando o contrário acontece, ou seja, quando há diminuição da carga viral ao longo do tempo, significa que o tratamento está sendo eficaz, havendo inibição da replicação do vírus.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em setembro de 2022.

Bibliografia

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  • UNIDADE DE ASSISTÊNCIA E UNIDADE DE LABORATÓRIO DA COORDENAÇÃO NACIONAL DE DST/AIDS - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Contagem de Células T CD4+ e Testes de Carga Viral: Principais Marcadores Laboratoriais para Indicação e Monitorização do Tratamento Anti-Retroviral. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/16contagem_celulasTCDA.pdf>. Acesso em 11 set 2019
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DEPARTAMENTO DE DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS . Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV. 2013. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_diagnostico_infeccao_hiv.pdf>. Acesso em 11 set 2019
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Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.