Remédios tarja preta: o que são, para que servem e riscos

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
julho 2022

Os remédios de tarja preta são aqueles que agem no cérebro, tendo uma ação sedativa, analgésica ou estimulante, apresentando um maior risco de dependência e tolerância, e, por isso, contém na embalagem a frase "Venda sob prescrição médica, o abuso deste medicamento pode causar dependência".

Os remédios de tarja preta, também chamados de remédios controlados, psicotrópicos ou entorpecentes, como morfina, codeína, alprazolam, clonazepam ou sibutramina, são vendidos apenas com apresentação de receita médica azul ou amarela, que deve ficar retida na farmácia.

Estes remédios são também mais controlados pelo Ministério da Saúde, porque apresentam mais efeitos colaterais e contraindicações que os outros remédios de tarja vermelha ou sem tarja, devendo ser usados somente com indicação médica.

Para que servem

Os remédios de tarja preta são indicados para o tratamento de diversas condições, como:

  • Dor intensa aguda ou crônica;
  • Dor pós operatória;
  • Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH); 
  • Emagrecimento;
  • Epilepsia;
  • Ansiedade aguda e crônica;
  • Ansiedade associada à depressão;
  • Síndrome do pânico;
  • Fobia social;
  • Transtornos do humor, como distúrbio bipolar;
  • Depressão;
  • Vertigem;
  • Insônia.

Os remédios tarja preta agem diretamente no cérebro, causando um efeito sedativo, analgésico ou estimulante, pois alteram os níveis de neurotransmissores nos neurônios, que são substâncias responsáveis por transmitir os impulsos nervosos, e alterar o sono, o humor ou o comportamento, por exemplo.

Quais os remédios de tarja preta

Os remédios de tarja preta são classificados como remédios psicotrópicos ou entorpecentes, que também são conhecidos por medicamentos psicoativos, que são um grupo de substâncias que atuam no sistema nervoso central, alterando os processos mentais, as emoções e os comportamentos.

Os principais remédios de tarja preta possuem de receita azul ou amarela, incluem:

Tipo de remédio tarja preta

Principais exemplos

Validade da receita

Remédios de tarja preta de receita amarela

  • Morfina;
  • Hidrocodona;
  • Metadona;
  • Fentanil;
  • Oxicodona;
  • Codeína;
  • Nalbufina;
  • Nalorfina;
  • Tramadol;
  • Anfetamina;
  • Clorfentermina;
  • Dronabinol;
  • Lisdexanfetamina;
  • Metilfenidato.

A receita amarela dos remédios de tarja preta tem uma validade de 30 dias a partir da data da prescrição e é válida em todo o território nacional.

Remédios de tarja preta de receita azul

  • Alprazolam;
  • Bromazepam;
  • Clonazepam;
  • Clobazam;
  • Clorazepato;
  • Clordiazepóxido;
  • Diazepam;
  • Lorazepam;
  • Midazolam;
  • Fenobarbital;
  • Pentobarbital;
  • Secobarbital;
  • Tiopental;
  • Zolpidem;
  • Anfepramona;
  • Femproporex;
  • Sibutramina.

A receita azul dos remédios de tarja preta também têm uma validade de 30 dias a partir da data da prescrição, mas é válida somente dentro da unidade federativa em que foi feita a prescrição, ou seja, dentro do Estado em que foi receitada, como, Rio de Janeiro, São Paulo ou Pernambuco, por exemplo.

Os remédios de tarja preta são vendidos apenas com receita médica e retenção da receita pela farmácia.

Riscos do uso dos remédios tarja preta

Os remédios de tarja preta, por agirem no sistema nervoso central, podem causar dependência, especialmente quando tomados por muito tempo de tratamento, ocorrendo uma adaptação do organismo àquela substância do remédio, levando a um quadro de abstinência, quando o tratamento é interrompido. 

Neste caso, a interrupção do uso desses remédios deve ser feita com orientação do médico responsável, reduzindo a dose gradualmente, de forma que o corpo se adapte às doses cada vez menores, até que se possa parar totalmente o uso do remédio.

Além disso, outro risco do uso dos remédios de tarja preta, é a tolerância, em que o organismo passa a necessitar de doses cada vez maiores para obter o efeito desejado. 

Por isso, os remédios de tarja preta são controlados pelo Ministério da Saúde e vendidos somente com receita médica, de forma a serem tomados com orientação médica, para evitar os riscos associados ao uso desses remédios.

Diferença entre os remédios de tarja preta e tarja vermelha

Os remédios de tarja vermelha também precisam de receita médica para serem comprados, no entanto, a receita que é necessária não precisa ser especial. Além disso, os efeitos colaterais, contraindicações e o risco de dependência não são tão graves como as dos medicamentos de tarja preta.

Além disso, os medicamentos que não possuem tarja de nenhuma cor não necessitam de receita médica para serem comprados, possuindo menor risco de ocorrência de efeitos colaterais ou de ter contraindicações. 

No entanto, o uso de remédios deve ser sempre feito com orientação e indicação médica, pois a automedicação pode causar sérios riscos à saúde, como intoxicação no fígado ou nos rins, hemorragia, ou até prejudicar o desenvolvimento do bebê, se tomados durante a gestação. Veja todos os riscos da automedicação

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em julho de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em julho de 2022.

Bibliografia

  • VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Informações sobre Receituários, Talonários e Medicamentos Controlados. 2015. Disponível em: <https://saude.campinas.sp.gov.br/dicas/receituarios_talonarios_medicamentos/informacoes_sobre_receituarios_talonarios_medicamentos.htm>. Acesso em 08 abr 2022
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE - MS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. RDC 344 - Dispõe sobre a atualização do Anexo I (Listas de Substâncias Entorpecentes, Psicotrópicas, Precursoras e Outras sob Controle Especial). Disponível em: <https://www.crf-pr.org.br/uploads/noticia/41166/_cFLi1xRiaIX8KHiZODcWhZWx0v0sQz6.pdf>. Acesso em 08 abr 2022
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  • UFSC. Orientação para a Prescrição, Comércio e Dispensação de Substâncias e Medicamentos Sujeitos a Controle Especial. Disponível em: <https://neurologiahu.ufsc.br/files/2012/08/Orienta%C3%A7%C3%A3o-para-prescri%C3%A7%C3%A3o-de-medicamentos-de-controle-especial.pdf>. Acesso em 08 abr 2022
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.

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