Depressão infantil: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
outubro 2022

A depressão infantil é um transtorno psicológico caracterizada por tristeza persistente e falta de interesse para realizar atividades que antes eram consideradas divertidas para as crianças. Alguns sinais e sintomas que podem indicar depressão durante a infância incluem falta de vontade para brincar, fazer xixi na cama, queixas frequentes de cansaço, dor de cabeça ou barriga e dificuldades no aprendizado.

Estes sintomas podem passar despercebidos ou ser confundidos com birras ou timidez, porém se esses sintomas permanecerem por mais de 2 semanas é aconselhado ir ao pediatra ou ao psiquiatra infantil para fazer uma avaliação do estado da saúde psicológica e verificar a necessidade de iniciar tratamento.

Na maioria dos casos, o tratamento inclui sessões de psicoterapia e uso de remédios antidepressivos, porém o apoio dos pais e professores é fundamental para ajudar a criança a sair da depressão, já que esse transtorno pode dificultar o desenvolvimento da criança.

Principais sintomas

Os principais sintomas de depressão infantil são:

  1. Aparência triste;
  2. Irritabilidade ou agressividade frequente;
  3. Sensação de vazio, culpa ou inferioridade;
  4. Falta de disposição ou vontade de brincar;
  5. Dor de cabeça frequente;
  6. Mudança rápida de humor ou choro fácil;
  7. Excesso de birras ou pirraça;
  8. Dor no abdome frequente;
  9. Perda ou aumento excessivo do apetite;
  10. Perda ou ganho de peso;
  11. Dificuldade para dormir à noite ou excesso de sono durante o dia;
  12. Desatenção;
  13. Queda do rendimento na escola;
  14. Medo de separar-se do pai ou da mãe;
  15. Perda de vontade de ver os amigos;
  16. Voltar a urinar na cama.

No entanto, a depressão infantil tende a causar sintomas que variam de acordo com a idade e desenvolvimento da criança, podendo ser confundida com outros transtornos como o transtorno de conduta ou transtorno opositor-desafiador. Veja como identificar o transtorno opositor-desafiador.

Em caso de suspeita de depressão infantil é importante consultar um psiquiatra da infância e adolescência ou um pediatra para uma avaliação detalhada e, quando indicado, iniciar o tratamento apropriado.

Sintomas de depressão até os 5 anos

Os sintomas de depressão infantil em crianças menores de 5 anos geralmente são difíceis de serem identificados. No entanto, crianças nessa faixa de idade podem apresentar sintomas como perda de peso, dificuldade para dormir, sintomas de ansiedade como medo de separar-se dos pais e irritabilidade. 

Na medida em que a criança cresce, a depressão infantil tende a provocar birras e pirraças frequentes e aparência triste. Além disso, as crianças podem voltar a urinar na cama, ter frequentes dores de cabeça ou no abdome e apresentar perda do apetite. Nos casos mais graves, a criança pode até perder a vontade de brincar.

Sintomas de depressão dos 5 a 12 anos

Entre 5 e 12 anos de idade, crianças com depressão infantil além de aparentar tristeza podem dizer sentirem-se incomodadas, irritadas ou tristes, além de também poderem dizer com frequência frases como "ninguém gosta de mim", “não sei fazer nada” ou “sou burro”. 

Nessa idade, sintomas como irritabilidade, mudança rápida de humor e choro fácil também podem ser causados pela depressão infantil, que também pode provocar outros sintomas como dor de cabeça, dor no abdome ou outras partes do corpo. 

Além disso, falta de interesse por atividades que costumava gostar, perda de vontade de brincar ou ver os amigos e queda do rendimento escolar são comuns nessa idade. 

Sintomas de depressão a partir dos 12 anos

Na adolescência, que ocorre a partir dos 12 anos, os sintomas de depressão podem ser diferentes e envolver problemas de memória ou atenção e isolamento, por exemplo. Confira outros sintomas da depressão em adolescentes.

Possíveis causas

A depressão infantil geralmente é causada por situações traumáticas, principalmente quando persistentes ou recorrentes, como discussão entre familiares, divórcio dos pais, mudança de escola, falta de contato da criança com os cuidadores ou sua morte. 

Além disso, situações como maus tratos, abuso sexual,  convívio diário com pais alcoólatras ou dependentes de drogas também pode contribuir para desenvolver depressão e o risco tende a ser ainda maior em caso de histórico de depressão nos pais ou histórico de doenças crônicas na criança, como deficiência intelectual ou epilepsia. 

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico normalmente é feito pelo psiquiatra da infância e adolescência levando em consideração os sintomas presentes e testes realizados para avaliar o humor da criança e o impacto dos sintomas na sua vida, que podem envolver a análise de desenhos feitos pela criança e questionários específicos para depressão infantil.  

No entanto, o diagnóstico desta doença não é fácil, principalmente em crianças menores, já que os sintomas são difíceis de serem identificados. Além disso, a depressão infantil pode ser confundida com características da própria criança, como timidez, irritabilidade e mau humor, e os pais podem até considerar os comportamentos normais para a idade em alguns casos.

Como é feito o tratamento

O tratamento da depressão infantil envolve principalmente a realização de psicoterapia. No entanto, medicamentos antidepressivos como fluoxetina e sertralina também podem ser necessários, sendo indicados geralmente em crianças mais velhas, nos casos mais graves ou quando não há uma resposta satisfatória apenas com a psicoterapia.

Quando indicado, os antidepressivos normalmente começam a ter efeito apenas algumas semanas após o início do tratamento, que geralmente é indicado por no mínimo 6 meses, dependendo da gravidade da depressão. Além disso, efeitos colaterais como dor de cabeça, náuseas e dor abdominal podem ocorrer e devem ser comunicados ao médico uma vez que podem indicar a necessidade de ajustes no medicamento.

Independente da sua gravidade, o apoio dos cuidadores, familiares e professores é fundamental para que a criança volte a participar das atividades escolares e com outras crianças. Além disso, é importante procurar aconselhamento para resolver os problemas familiares, tratar adequadamente outras doenças que a criança possa ter e adotar uma rotina de sono e alimentação apropriadas para a criança.

Como ajudar em caso de depressão

Algumas medidas para ajudar a criança em caso de depressão infantil são: 

  • Estimular uma alimentação equilibrada;
  • Incentivar o desenvolvimento atividades que gosta sem pressioná-la;
  • Encorajar a criança a brincar com outras;
  • Estimular a prática de atividades físicas, como brincadeiras que movimentam, esportes ou andar de bicicleta; 
  • Dar a atenção necessária e demonstrar apoio;
  • Adotar uma rotina de sono saudável, evitando dormir tarde e dormindo o suficiente;
  • Buscar alternativas para resolver os problemas familiares com harmonia;
  • Alertar professores e envolver a escola no tratamento, principalmente se houver suspeita de bullying.

Caso existam outras doenças também é importante tratá-las adequadamente e, quando indicados medicamentos, usá-los conforme orientado pelo médico. Além disso, fazer o acompanhamento médico de forma adequada é fundamental.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em outubro de 2022.

Bibliografia

  • STATPEARLS. Depression In Children. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534797/>. Acesso em 09 set 2022
  • WHALEN, Diana J; SYLVESTER, Chad M; LUBY, Joan L. Depression and Anxiety in Preschoolers: A Review of the Past 7 Years. Child Adolesc Psychiatr Clin N Am. Vol.26, n.3. 503–522, 2017
Mostrar bibliografia completa
  • CHARLES, Julian; FAZELI, Mandana. Depression in children. Aust Fam Physician. 46. 12; 901-907, 2017
  • MENDELSON, Tamar; TANDON, S. Darius. Prevention of Depression in Childhood and Adolescence. Child Adolesc Psychiatr Clin N Am. 25. 2; 201-218, 2016
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.

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