Tratamento para capsulite adesiva (remédios, fisioterapia e cirurgia)

O tratamento para capsulite adesiva, ou síndrome do ombro congelado, pode incluir remédios, fisioterapia, infiltração com corticoide, hidrodilatação e, em casos persistentes, a cirurgia para restaurar a mobilidade da articulação.

O tratamento é indicado pelo ortopedista e geralmente dura de 8 a 12 meses, mas em alguns casos a melhora completa pode ocorrer até 2 anos após o início dos sintomas.

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A capsulite adesiva é uma inflamação da articulação do ombro que causa dor e dificuldade intensa para mover o braço, dando a sensação de ombro congelado, e geralmente aparece após imobilização, lesão ou por fatores como alterações hormonais.

Imagem ilustrativa número 1

O tratamento para a capsulite adesiva é feito pelo ortopedista, que pode indicar:

1. Remédios

O uso de remédios para a capsulite adesiva tem como principal objetivo reduzir a dor e a inflamação, porém não resolvem a rigidez da articulação, mas são importantes para aliviar sintomas durante a fase dolorosa da doença.

Normalmente, o médico pode indicar analgésicos simples, como paracetamol, ou anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno ou naproxeno, que ajudam a controlar o desconforto e permitem que os exercícios de fisioterapia sejam feitos. 

2. Fisioterapia

A fisioterapia é a base do tratamento e consiste em exercícios e alongamentos graduais para o ombro, como:

  • Alongamentos pendulares, em que o braço é balançado suavemente para frente e para os lados para mobilizar a articulação sem sobrecarregar;
  • Alongamento do manguito rotador, com movimentos lentos para aumentar a amplitude interna e externa do ombro;
  • Exercícios de rotação externa e interna, usando bastão ou faixa elástica, para fortalecer a musculatura e melhorar o movimento;
  • Elevação do braço na parede ou sobre a mesa, deslizando a mão para cima e para baixo, ajudando a recuperar amplitude de elevação;
  • Mobilização passiva, realizada pelo fisioterapeuta, em que o ombro é movido de forma controlada para soltar aderências e manter a flexibilidade.

Entretanto, as técnicas manuais e os alongamentos devem ser realizados respeitando o limite de dor e, em seguida, é importante iniciar exercícios de fortalecimento da musculatura do ombro para dar suporte à articulação.

Também podem ser utilizados recursos complementares para aliviar a dor e facilitar a movimentação do ombro, como aplicar compressas mornas antes dos exercícios e técnicas como ultrassom terapêutico ou TENS, que podem reduzir a rigidez e a dor.

Em casa devem ser realizados apenas os exercícios recomendados pelo fisioterapeuta, que podem incluir o uso de pequenos equipamentos, como bola, bastão e faixas elásticas. Veja alguns exercícios para recuperação do ombro.

O tempo de recuperação varia de pessoa para pessoa, mas geralmente dura de alguns meses a cerca de um ano, com melhora progressiva dos sintomas.

3. Infiltração com corticoide

Quando a dor é intensa e impede que os exercícios sejam realizados, o médico pode recomendar injeções intra-articulares de corticoides, como cortisona ou dexametasona.

Esses medicamentos são aplicados diretamente na articulação, reduzindo a inflamação e o desconforto rapidamente, o que permite que a pessoa realize a fisioterapia com maior tolerância. 

O efeito costuma ser mais rápido na diminuição da dor, mas é temporário, devendo ser combinado com a fisioterapia para melhorar a mobilidade de forma duradoura.

 4. Bloqueio do nervo supraescapular

Em casos de dor persistente que não melhora com remédios ou infiltrações, pode ser considerado o bloqueio do nervo supraescapular, uma técnica em que um anestésico é aplicado próximo ao nervo que transmite dor do ombro.

Esse nervo é responsável por transmitir cerca de 70% das sensações de dor do ombro, e seu bloqueio proporciona alívio significativo da dor, tornando os exercícios mais toleráveis. 

Esse procedimento pode ser utilizado como complemento aos demais tratamentos, ajudando na recuperação da mobilidade e função do ombro.

5. Hidrodilatação

A hidrodilatação é um procedimento em que uma solução com anestésico e, às vezes, corticoide é injetada dentro da articulação para “expandir” a cápsula rígida. 

Esse procedimento ajuda a romper pequenas aderências e melhorar a mobilidade do ombro, sendo realizado com orientação por ultrassom ou raio X para garantir maior precisão e segurança.

A hidrodilatação costuma ser indicada quando a fisioterapia e as infiltrações não resultam em melhora suficiente da amplitude de movimento.

6. Manipulação da articulação

A manipulação da articulação é realizada quando os tratamentos anteriores não trouxeram resultados. 

Nesse procedimento, a pessoa é colocada sob anestesia geral e o médico movimenta o ombro de forma controlada para romper aderências da cápsula. 

Esse método pode oferecer ganho imediato de mobilidade, mas requer acompanhamento com fisioterapia após o procedimento para manter os resultados e evitar recidiva da rigidez.

7. Cirurgia

A cirurgia é indicada quando os outros tratamentos não resultam em melhora significativa após 6 a 12 meses. As principais opções de cirurgia incluem:

  • Liberação capsular artroscópica: feita por pequenas incisões, usando uma câmera e instrumentos para cortar as áreas rígidas da cápsula e liberar o ombro, sendo um procedimento minimamente invasivo. Veja como é feita a artroscopia de ombro;
  • Liberação aberta da cápsula: realizada por uma incisão maior para cortar as partes espessas da cápsula e soltar o ombro, geralmente usada em casos mais graves ou quando a artroscopia não é possível;
  • Manipulação assistida por cirurgia: normalmente combinada à artroscopia, onde o ombro é movido de forma controlada sob anestesia para romper aderências persistentes.

Em todos os casos, a fisioterapia após a cirurgia é essencial para manter os ganhos de mobilidade e fortalecer a musculatura do ombro.