17 efeitos colaterais da semaglutida (e o que fazer)

A semaglutida pode provocar efeitos colaterais mais simples como náusea ou vômito, dor abdominal, diarreia, prisão de ventre, excesso de gases, dor de cabeça e cansaço.

No entanto, este remédio também pode causar efeitos colaterais mais sérios, como hipoglicemia, pancreatite aguda, reação alérgica grave, gastroparesia e retinopatia diabética, por exemplo.

A semaglutida é um medicamento indicado para tratar a diabetes tipo 2, além de ser recomendada para perda de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso e no tratamento da gordura no fígado com inflamação.

Leia também: Semaglutida: para que serve, como usar e efeitos colaterais tuasaude.com/semaglutida
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Os principais efeitos colaterais da semaglutida são:

1. Náusea ou vômito

A náusea é o efeito colateral mais comum da semaglutida e costuma surgir principalmente nas primeiras semanas de tratamento.

Isso acontece porque este remédio desacelera o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos fiquem mais tempo no estômago, causando desconforto, náuseas e, em algumas pessoas, vômitos.

O que fazer:é recomendado comer porções menores de alimentos e com mais frequência ao longo do dia, comer devagar e evitar deitar logo após as refeições.

É aconselhado também evitar alimentos gordurosos, muito doces, refeições muito condimentadas e alimentos com cheiros fortes.

Pode-se também pode tomar alguns remédios caseiros, como chá de gengibre e hortelã, que possuem ação antiemética e ajudam a reduzir as náuseas.

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2. Dor abdominal

Geralmente, a dor abdominal é um efeito colateral temporário da semaglutida, que pode ser leve a moderada e mais comum no início do tratamento.

Entretanto, esta dor também pode indicar efeitos colaterais mais graves, como a pancreatite aguda, gastroparesia ou pedra na vesícula, principalmente quando é intensa, persistente ou acompanhada de náuseas e vômitos.

O que fazer: é recomendado realizar refeições menores e mais frequentes ao longo do dia, evitar alimentos gordurosos e priorizar alimentos de fácil digestão, como frutas, legumes cozidos e sopas.

Os chá de gengibre, erva-cidreira ou de hortelã também ajudam na digestão, aliviando as dores. O médico também pode indicar o uso de analgésicos ou protetores gástricos.

No entanto, se a dor abdominal não melhorar, for intensa ou surgir de repente, deve-se ir ao pronto-socorro, para que seja identificada a causa e, se for necessário, iniciar o tratamento adequado.

3. Refluxo gastroesofágico

O refluxo gastroesofágico, onde a pessoa pode apresentar azia, ou queimação, também é um efeito colateral comum da semaglutida.

Isso acontece devido ao atraso do esvaziamento gástrico causado pela semaglutida, onde a comida e os sucos gástricos acumulados no estômago podem retornar para o esôfago.

O que fazer: deve-se consultar o endocrinologista, para fazer uma avaliação completa e, se for necessário, indicar o tratamento adequado.

O tratamento do refluxo pode incluir o uso de remédios, como omeprazol, além de ser recomendado fracionar as refeições em porções menores e evitar bebidas alcoólicas, alimentos ricos em gordura e picantes, por exemplo.

Leia também: 10 tratamentos para refluxo: dieta, medicamentos, cirurgia (e mais) tuasaude.com/tratamento-para-refluxo

4. Diarreia

Outro possível efeito colateral da semaglutida é a diarreia, que varia conforme a dosagem deste remédio e que é mais comum nas primeiras 4 semanas de tratamento.

Este sintoma pode surgir pois este remédio pode causar alterações no funcionamento do sistema digestivo, provocando o aumento do número de evacuações ou fezes mais líquidas.

O que fazer: se a diarreia for persistente ou intensa, é importante consultar o médico que prescreveu o medicamento. Assim, poderá ser feito um ajuste na dose deste remédio e de outros que estejam sendo usados ou prescrito o uso de antidiarreicos.

É importante também aumentar a ingestão de líquidos, como água, água de coco e soro caseiro ou sais de reidratação oral.

Deve-se também priorizar alimentos leves e de fácil digestão, como arroz branco, legumes cozidos e frutas sem casca e evitar temporariamente cereais integrais, oleaginosas, sementes, vegetais crus, frutas com casca, sucos, café e bebidas alcoólicas.

5. Prisão de ventre

A prisão de ventre pode ser um efeito colateral da semaglutida que pode surgir em algumas pessoas.

Este efeito pode ser causado pela diminuição do esvaziamento gástrico gerado por este remédio, que reduz também os movimentos naturais do intestino, dificultando as evacuações.

Além disso, como a semaglutida diminui a fome, a pessoa tende a comer menor quantidade de alimentos e fibras, o que diminui o volume e endurece as fezes, favorecendo a prisão de ventre.

O que fazer: é recomendado aumentar a ingestão de água e outras bebidas sem açúcar, para ajudar a amolecer as fezes, e praticar exercícios físicos, que estimulam os movimentos naturais do intestino.

É importante também aumentar o consumo de fibras, que estão presentes em alimentos como cereais integrais, frutas, legumes, verduras, leguminosas, oleaginosas e sementes. Veja o que comer para prisão de ventre.

Caso essas medidas não sejam suficientes, o médico pode ajustar a dosagem da semaglutida e recomendar o uso de suplementos de fibras, como o psyllium, e medicamentos laxativos.

6. Excesso de gases

O excesso de gases, por meio de arrotos (eructação) ou de gases intestinais (flatulência), são possíveis efeitos colaterais da semaglutida.

Isso acontece porque este remédio diminui os movimentos naturais do trato gastrointestinal, deixando os alimentos mais tempo no estômago e intestino, aumentando a fermentação pelas bactérias da flora intestinal e, consequentemente, a produção excessiva de gases.

O que fazer: é aconselhado evitar alimentos que aumentam a produção de gases, como feijão, ervilha, grão-de-bico, couve-flor, brócolis e adoçantes, como sorbitol, manitol, maltitol e xilitol.

Para ajudar a eliminar os gases, pode-se tomar chás de erva-cidreira, louro e erva-doce, por exemplo, que têm ação digestiva e antiespasmódica.

Leia também: Excesso de gases: 11 principais causas (e o que fazer) tuasaude.com/gases-intestinais

7. Deficiências nutricionais

As deficiências nutricionais são um possível efeito colateral da semaglutida, incluindo a deficiência de vitaminas e minerais, e de proteínas.

Isso acontece porque este remédio pode causar náuseas e/ou vômitos e diminui muito o apetite, reduzindo a ingestão de alimentos e, consequentemente, a quantidade de vitaminas, proteínas e minerais da dieta.

A pessoa com deficiências nutricionais pode apresentar sintomas como fadiga elevada, fraqueza muscular, problemas de cicatrização, queda de cabelo e perda de massa muscular.

O que fazer: se a deficiência nutricional for confirmada, o nutricionista pode indicar uma dieta rica em alimentos como frutas, cereais integrais, vegetais, leguminosas e proteínas com pouca gordura.

Quando a pessoa não consegue comer o suficiente, pode ser recomendado o uso de suplementos de vitaminas, minerais e hiperproteicos.

8. Hipoglicemia

A hipoglicemia, que é a queda de açúcar no sangue, é um efeito colateral da semaglutida que pode acontecer principalmente quando este medicamento é usado junto com remédios para diabetes, como sulfonilureias ou insulina.

Os sintomas de hipoglicemia incluem suor frio, confusão mental, fraqueza, tremores, ansiedade e batimentos cardíacos acelerados.

O que fazer: o tratamento da hipoglicemia varia conforme a gravidade dessa condição. Se a pessoa estiver consciente, é aconselhado consumir alimentos ou bebidas ricas em açúcar simples, para equilibrar os níveis de açúcar mais rapidamente.

Em casos graves, quando o açúcar no sangue estiver abaixo de 55 mg/dL, deve-se aplicar a injeção de glucagon, se estiver disponível em casa. Após a aplicação, deve-se aguardar cerca de 20 minutos e avaliar os níveis de glicemia.

Se após a aplicação de glucagon, o açúcar no sangue ainda continuar baixo, deve-se chamar o serviço de emergência mais próximo.

Leia também: O que fazer numa crise de hipoglicemia tuasaude.com/primeiros-socorros-para-hipoglicemia

9. Dor de cabeça

A dor de cabeça é um efeito colateral muito comum da semaglutida e acredita-se que esteja relacionada com a ativação dos receptores de GLP-1 no sistema central ou efeitos metabólicos que esse remédio provoca no organismo.

O que fazer: algumas formas de aliviar a dor de cabeça incluem fazer uma massagem na cabeça com as pontas dos dedos.

Em alguns casos, o médico pode prescrever medicamentos para aliviar este sintoma, como ibuprofeno, paracetamol ou dipirona, por exemplo. Confira outros remédios para dor de cabeça.

11. Fraqueza ou cansaço

A sensação de fraqueza ou cansaço é outro possível efeito colateral comum da semaglutida, sendo mais comum na fase de adaptação do organismo ao medicamento.

Entretanto, a fraqueza e o cansaço também podem estar relacionados com outros efeitos causados por este remédio, como hipoglicemia, deficiência nutricional ou desidratação.

O que fazer: é recomendado manter uma alimentação saudável, beber bastantes líquidos e respeitar os horários das refeições.

Se a fraqueza ou cansaço forem intensos ou persistentes,deve-se consultar o endocrinologista para avaliar a necessidade de ajustes na dosagem do medicamento ou indicar o uso de suplementos alimentares, caso seja necessário.

12. Reações no local da injeção

A semaglutida na forma de injeção pode causar efeitos colaterais no local da aplicação, como dor, coceira, irritação, vermelhidão, erupções cutâneas e manchas roxas.

Estes sintomas podem surgir devido à uma resposta do sistema imunológico ou devido à aplicação desta injeção sempre no mesmo local.

O que fazer: pode-se aplicar compressa fria 3 vezes ao dia no local em que a injeção foi aplicada.

Além disso, é aconselhado sempre variar o local da injeção semanalmente, entre barriga, parte superior do braço ou parte da frente das coxas.

Em alguns casos, o médico também pode prescrever analgésicos para ajudar a aliviar os sintomas.

13. Problemas na vesícula

Problemas na vesícula, como colecistite e pedras, são possíveis efeitos colaterais da semaglutida. Isso pode acontecer porque a perda rápida de peso promovida pelo medicamento pode aumentar a capacidade da bile de formar pedras.

A semaglutida também pode impedir a secreção de colecistoquinina, um hormônio que estimula a contração da vesícula. Assim, a inibição desse hormônio diminui a velocidade de esvaziamento da vesícula, favorecendo a formação de pedras.

O que fazer: na presença de sintomas indicativos de problemas na vesícula, como dor na região superior direita da barriga, náuseas, febre e calafrios, e pele e olhos amarelados, deve-se consultar o médico, para identificar a causa e indicar o tratamento adequado.

Leia também: 10 sintomas de problema na vesícula (com teste online) tuasaude.com/sintomas-de-problema-na-vesicula

O tratamento pode ser feito com mudanças na dieta, uso de analgésicos, antibióticos ou ácido ursodesoxicólico, por exemplo.

Além disso, o médico pode indicar a realização da litotripsia ou da cirurgia para retirar a vesícula biliar, chamada colecistectomia.

14. Gastroparesia

A gastroparesia, que é a paralisia ou diminuição dos movimentos do estômago, que pode causar desconforto abdominal, sensação de estômago cheio constante, náuseas e acúmulo de gases, é outro possível efeito colateral da semaglutida.

Isso acontece porque o mecanismo de ação da semaglutida inclui a redução da motilidade gastrointestinal e o retardo do esvaziamento do estômago, para prolongar a saciedade e reduzir o apetite.

No entanto, em algumas pessoas, essa lentidão pode ser excessiva, causando o acúmulo de alimentos resíduais no estômago.

O que fazer: em casos de suspeita de gastroparesia, deve-se procurar o atendimento médico de urgência,  para evitar possíveis complicações que possam afetar a qualidade de vida.

O tratamento pode incluir reduzir as porções dos alimentos e ter uma dieta leve, pobre em gorduras e rica em fibras solúveis.

O médico também pode recomendar o uso de remédios, como eritromicina e domperidona, para aumentar o trânsito intestinal, e a realização de estimulação elétrica gástrica ou cirurgia.

15. Pancreatite aguda

Embora seja classificada como incomum a rara, a pancreatite aguda é outro efeito colateral que pode surgir com o uso da semaglutida.

Os agonistas do receptor GLP-1 estimulam os receptores de GLP-1 nas células beta das ilhotas do pâncreas e nas células dos ductos exócrinos. Acredita-se que esta estimulação pode causar o aumento do peso do pâncreas, o bloqueio do ducto e o aumento da pressão no interior do ducto pancreático e, consequentemente, inflamação.

Os sintomas de pancreatite aguda podem incluir dor intensa no lado superior direito da barriga, que surge de repente e que pode irradiar para as costas, náuseas, vômitos, suor excessivo e perda do apetite e barriga inchada.

O que fazer: na presença de sintomas sugestivos de pancreatite aguda, deve-se ir ao pronto-socorro imediatamente, para iniciar o tratamento e evitar complicações que podem colocar a vida em risco.

O tratamento desta condição é feito no hospital e pode incluir a realização de jejum, a aplicação de soro na veia, o uso de remédios analgésicos ou antibióticos e a cirurgia.

16. Reações alérgicas graves

As reações alérgicas graves, como angioedema e reações anafiláticas, são efeitos colaterais raros da semaglutida.

Nesta condição, a pessoa pode apresentar inchaço dos lábios, da língua, do rosto ou da garganta, dificuldades para respirar e engolir, tontura, batimento cardíaco acelerado, sudorese e perda de consciência.

O que fazer: é recomendado interromper o uso do medicamento e procurar ajuda médica imediatamente.

O tratamento deste efeito colateral é feito no hospital e pode envolver o uso de adrenalina, corticoides e broncodilatadores, por exemplo.

Além disso, o médico também pode administrar soro fisiológico diretamente na veia e oferecer suporte respiratório, com o uso de uma máscara com um reservatório de oxigênio para manter os níveis de oxigênio adequados no corpo.

17. Retinopatia diabética

Outro possível efeito colateral da semaglutia é o desenvolvimento ou agravamento da retinopatia diabética. Este efeito é particularmente maior em pessoas que já possuem retinopatia antes de iniciar o tratamento.

A relação entre a semaglutida e o desenvolvimento ou piora da retinopatia diabética ainda não é totalmente compreendida. Entretanto, acredita-se que esteja relacionada a melhorias rápidas no controle da glicose.

O que fazer: se a pessoa com diabetes observar alguma alteração ou piora repentina na visão durante o tratamento com a semaglutida, deve comunicar o médico imediatamente, para que sejam feitos exames oculares e indicado o tratamento adequado.

Leia também: Retinopatia diabética: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/retinopatia-diabetica

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