Remédios para tratar as doenças da tireoide

Revisão clínica: Flávia Costa
Farmacêutica
março 2022
  1. Remédios para Hipotireoidismo
  2. Remédios para Hipertireoidismo

Os medicamentos como a levotiroxina, propiltiouracil ou metimazol são usados no tratamento de desordens da tireoide, como hipotireoidismo, hipertireoidismo ou tireoidite, já que ajudam a regular o funcionamento desta glândula e aliviar os sintomas causados por essas alterações.

É importante que o diagnóstico de alterações na tireoide seja feito de forma precoce pelo endocrinologista através da avaliação dos sinais e sintomas apresentados, exames de sangue e de imagem, pois assim é possível identificar a causa, iniciar o tratamento logo em seguida e prevenir complicações.

Assim, de acordo com a causa da alteração na tireoide, o médico pode indicar o melhor medicamento, dose e tempo de tratamento. Conheça as principais doenças que podem afetar a tireoide.

Remédios para Hipotireoidismo

O objetivo dos medicamentos para o hipotireoidismo é manter o TSH (hormônio estimulante da tireoide) e o T4 livre dentro dos valores normais.

Levotiroxina

A levotiroxina é o principal medicamento indicado em casos de hipotireoidismo, já que é capaz de substituir o hormônio que normalmente é produzido pela glândula tireoide, permitindo, assim, a sua reposição e mantendo seus níveis no sangue em valores normais.

A levotiroxina deve ser iniciada sempre com doses baixas e ir adaptando de acordo com os exames de cada pessoa, para evitar excesso de doses que provocam efeitos colaterais, ou até hipertireoidismo, principalmente nos pacientes mais idosos, que podem ser mais sensíveis aos efeitos do medicamento.

A levotiroxina pode ser encontrada com os nomes comerciais Puran T4, Euthyrox, Levoid ou Synthroid, ou na sua forma genérica sob a designação "levotiroxina sódica".

A dose inicial para adultos é de cerca de 25 a 50 mcg por dia, sendo recomendado tomar cerca de 30 minutos antes da refeição, já que alguns alimentos podem interferir na sua absorção. Saiba como tomar a levotiroxina.

Remédios para Hipertireoidismo

Os remédios usados no tratamento do hipertireoidismo são chamados de antitireoidianos, pois são responsáveis por inibir a produção dos hormônios da tireoide.

Propiltiouracila (Propilracil)

A propiltiouracila é um medicamento antitireoidiano que bloqueia a produção de tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que são os principais hormônios sintetizados pela glândula tireoide, com o objetivo de evitar a sua ação e diminuir os sintomas.

A dose inicial de propiltiouracila para adultos, por via oral, é de cerca de 300 a 600 mg por dia dividida em 4 doses. Esse esquema terapêutico pode ser alterado pelo médico de acordo com a diminuição dos sintomas e a normalização das concentrações de T4 através de exames de sangue.

Alguns efeitos secundários que podem surgir devido ao uso de propiltiouracila são lupus, artrite e anemia aplásica e, por isso, é fundamental que o seu uso seja orientados pelo médico.

Metimazol ou Tiamazol

O metimazol ou tiamazol estão indicados nos casos de hipertireoidismo, crises tireotóxicas e na preparação para retirada da tireoide em pessoas com hipertireoidismo, assim como pode ser recomendado antes e após a aplicação de iodo radioativo no tratamento do hipertireoidismo, já que atuam inibindo a produção de hormônios da tireoide.

A dose de metimazol depende da gravidade do hipertireoidismo, podendo ser indicado 15 mg nos casos leves, 30-40 mg nos casos moderados e 60 mg nos casos graves. Dentro dos efeitos secundários pelo uso desse medicamento estão a síndrome nefrótica, hipoglicemia e perda do paladar.

A dose de metimazol deve ser reduzida de forma gradual à medida que os valores hormonais vão sendo normalizados. Além disso, nos casos de dose alta de metimazol, é possível que seja indicada a combinação com levotiroxina, com o objetivo de evitar o hipotireoidismo induzido por medicamentos.

O uso do metimazol durante a gravidez deve ser sempre orientado pelo endocrinologista, já que está associado a alterações fetais.

Em alguns casos, o uso de medicamentos pode não ser suficiente para tratar o hipertireoidismo, podendo ser indicado pelo médico terapia complementares, como tratamento com iodo radioativo ou cirurgia da tireoide. Conheça outras opções de tratamento para tireoide.

Sintomas que podem surgir com o tratamento

Os remédios para tratar os distúrbios da tireoide podem levar ao aparecimento de sintomas, enquanto sua dose ainda não está devidamente ajustada, sendo os principais:

  • Alterações de peso;
  • Aumento do suor;
  • Perda de apetite;
  • Tontura;
  • Fraqueza nas pernas;
  • Mudanças bruscas de humor e irritabilidade;
  • Náuseas, vômitos e/ou diarreia;
  • Queda de cabelo;
  • Coceira;
  • Sonolência;
  • Tremedeira;
  • Dor de cabeça;
  • Insônia;
  • Febre.

A dose dos remédios da tireoide não é igual para todos, havendo diferenças significativas entre as pessoas. Há pessoas que conseguem encontrar o bem-estar com doses baixas, enquanto que outras precisam de doses mais elevadas.

Assim, é normal haver necessidade de alterar a dose do medicamento ao longo do tempo e, por isso, o endocrinologista solicita os exames de sangue de forma regular, e avalia os sintomas apresentados, de forma a encontrar a dose ideal para cada caso. Esse ajuste pode demorar de 3 a 6 meses para ser alcançado e, mesmo depois de alcançar o ideal, pode ser alterado meses ou anos depois.

Tomar remédio para tireoide emagrece?

Ao tomar os remédios para tratar o hipertireoidismo, a pessoa pode engordar, pois desacelera o metabolismo. Pelo contrário, pessoas que fazem o tratamento do hipotireoidismo podem emagrecer, pois o remédio aumenta o metabolismo, fazendo com que o corpo queime mais gordura, mesmo sem aumento das atividades diárias, mas não existe uma regra geral que se enquadre em todas as pessoas.

No entanto, o uso de remédios para tireóide com o objetivo de emagrecer não é recomendado, pois pode alterar a função da glândula tireóide, causando sintomas que podem prejudicar gravemente a saúde da pessoa. Por isso, é recomendado consultar o endocrinologista e/ou nutricionista, para uma avaliação adequada e iniciar o tratamento mais adequado para perda de peso, de forma saudável e controlada.

Quando a pessoa apresenta uma perda de peso considerável, acima de 10% do peso inicial, pode pedir ao médico para realizar exames novamente, já que estar abaixo do peso pode ser arriscado para saúde.

Assista no vídeo a seguir, orientações da nutricionista sobre como a alimentação pode favorecer o funcionamento da tireoide:

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Atualizado e revisto clinicamente por Flávia Costa - Farmacêutica, em março de 2022.

Bibliografia

  • PAPADAKIS, Maxine A.; MCPHEE, Stephen J.; RABOW, Michael W. Current Medical Diagnosis & Treatment 2019. 58th. NEW YORK: McGraw-Hill Education, 2019.
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  • LONGO, Dan L. et al.. Medicina interna de Harrison. 18.ed. São Paulo: AMGH Editora, 2013. 2920-2921.
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. PROTOCOLO DE HIPERTIREOIDISMO/TIREOTOXICOSE (NO ADULTO). Disponível em: <http://www.hu.ufsc.br/setores/endocrinologia/wp-content/uploads/sites/23/2015/01/PROTOCOLO-DE-HIPERTIREOIDISMO-NO-ADULTO-OK-06-de-agosto.pdf>. Acesso em 21 jan 2020
Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.

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