Peptídeos: o que são, para que servem (e peptídeos injetáveis)

Peptídeos são moléculas formadas por pequenas cadeias de aminoácidos, que são partes que formam as proteínas, e estão presentes no organismo, onde participam de funções como metabolismo, cicatrização e defesa do corpo.

Os peptídeos estão naturalmente em alimentos, como leite, ovos, carnes e peixes, ou podem ser desenvolvidos para uso em medicamentos, como insulina, semaglutida e tirzepatida, indicados no tratamento do diabetes e da obesidade, por exemplo.

Na estética, os peptídeos também são utilizados em cosméticos para cuidados com a pele, na forma de séruns e cremes. Já peptídeos injetáveis para fins estéticos, como ganho de massa muscular ou rejuvenescimento, não possuem registro na Anvisa para essas finalidades.

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Para que servem

O corpo produz peptídeos naturalmente, que podem ajudar a:

  • Regular o metabolismo, como os relacionados ao GLP-1, que ajudam a controlar a glicose no sangue e o apetite;
  • Participar da cicatrização, pois alguns estão envolvidos na formação e reparação dos tecidos;
  • Ajudar na defesa do organismo, já que alguns peptídeos podem atuar contra bactérias, fungos e outros microrganismos;
  • Atuar na regulação hormonal, funcionando como mensageiros que levam sinais para diferentes partes do corpo e ajudam a controlar funções como metabolismo, crescimento e reprodução.

Os peptídeos também são estudados para novos tratamentos, inclusive para infecções e alterações da pele.No entanto, muitas dessas aplicações ainda estão em fase de pesquisa e não possuem eficácia comprovada.

Tipos de peptídeos

Os peptídeos podem ser classificados de acordo com sua origem, função e forma de atuação no organismo. 

Entre os principais tipos estão:

1. Peptídeos bioativos

Os peptídeos bioativos são obtidos principalmente dos alimentos ou liberados durante a digestão das proteínas. Também podem ser produzidos por meio da hidrólise, um processo usado na fabricação de alguns suplementos.

Um exemplo são os peptídeos de colágeno, encontrados principalmente em suplementos de colágeno hidrolisado, que podem contribuir para a saúde da pele e das articulações. Veja para que serve o colágeno hidrolisado.

Além, dos peptídeos das proteínas do leite, como os derivados da caseína e do soro do leite, que participam da absorção de nutrientes e da defesa do organismo.

2. Peptídeos hormonais

Os peptídeos hormonais são produzidos naturalmente pelo organismo e atuam como mensageiros, levando sinais para diferentes órgãos e tecidos, participando de funções, como o crescimento, a reprodução e o equilíbrio de líquidos no corpo.

A insulina, por exemplo, é um peptídeo hormonal produzido pelo pâncreas que ajuda a controlar a quantidade de glicose no sangue. O glucagon, também produzido pelo pâncreas, age de forma diferente e estimula o aumento da glicose no sangue quando ela está baixa.

A oxitocina é outro exemplo de peptídeo hormonal e participa das contrações do útero durante o parto e da liberação do leite durante a amamentação.

Leia também: Ocitocina: o que é, para que serve e como aumentar tuasaude.com/ocitocina

3. Peptídeos terapêuticos

Os peptídeos terapêuticos são utilizados como medicamentos para prevenir, controlar ou tratar algumas doenças. 

Esse tipo é produzido em laboratório e pode reproduzir ou modificar a ação de peptídeos naturais do organismo ou atuar diretamente em estruturas envolvidas no funcionamento de algumas doenças.

Um exemplo são os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida, que imitam a ação do GLP-1, ajudando a controlar a glicose no sangue, diminuir o apetite e aumentar a saciedade, podendo ser indicados para diabetes tipo 2 e obesidade. Conheça os medicamentos análogos de GLP-1.

Outros exemplos de peptídeos terapêuticos incluem a insulina injetável, utilizada no tratamento do diabetes, e a goserrelina, que interfere na produção de hormônios sexuais e pode ser indicada no tratamento de câncer de próstata e de mama.

Leia também: Tipos de insulina: quais são, para que servem (e como aplicar) tuasaude.com/tipos-de-insulina

4. Peptídeos antimicrobianos

Os peptídeos antimicrobianos são substâncias que ajudam na defesa natural do organismo contra microrganismos, como bactérias e fungos, fazendo parte da primeira linha de proteção do corpo.

As defensinas, por exemplo, são produzidas por diferentes células e ajudam a proteger a pele e as mucosas contra infecções. Já a dermcidina é produzida pelas glândulas sudoríparas e está presente no suor, contribuindo para a proteção da pele contra microrganismos.

Peptídeos injetáveis

Os peptídeos injetáveis podem ser utilizados como medicamentos para tratar diferentes doenças. Entre os exemplos estão a insulina, semaglutida, liraglutida e tirzepatida, que possuem indicações aprovadas para uso como medicamentos.

Também existem peptídeos injetáveis que são divulgados para fins estéticos, ganho de massa muscular, recuperação após exercícios ou rejuvenescimento, como GHK-Cu, BPC-157, TB-500, CJC-1295 e ipamorelina. 

No entanto, algumas dessas substâncias ainda estão sendo pesquisadas e não possuem registro como medicamentos no Brasil.

A Anvisa alerta que esses peptídeos não estão autorizados para essas finalidades e que os produtos comercializados sem registro não têm sua segurança e eficácia comprovadas.

Peptídeos para ganho de massa muscular

Alguns peptídeos são divulgados na forma injetável para aumentar a massa muscular, melhorar o desempenho físico ou acelerar a recuperação após os exercícios, como o CJC-1295, ipamorelina, GHRP-6 e BPC-157.

Essas substâncias podem agir sobre hormônios relacionados ao crescimento ou sobre outros processos do organismo, como recuperação de músculos e tendões.

No entanto, esses peptídeos não possuem indicação aprovada pela Anvisa para ganho de massa muscular e alguns ainda estão em fase de pesquisa. Por isso, não devem ser utilizados por conta própria para aumentar músculos.

Para o ganho de massa muscular, a combinação de treinamento de força, alimentação adequada e ingestão suficiente de proteínas continua sendo a principal estratégia. Veja como é a dieta para ganhar massa muscular.

Peptídeos para emagrecer

Muitas das canetas emagrecedoras são medicamentos à base de peptídeos, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, que atuam em hormônios relacionados ao controle da fome, da saciedade e da glicose no sangue.

Leia também: 11 canetas para emagrecer: quais são, como funcionam (e qual a melhor) tuasaude.com/caneta-para-emagrecer

Esses medicamentos possuem indicações específicas e devem ser utilizados conforme orientação médica.

Peptídeos para a pele

Os peptídeos podem ser encontrados em produtos para a pele, como cremes e séruns, principalmente por suas possíveis ações sobre a produção de colágeno e a manutenção da estrutura da pele.

Alguns dos peptídeos mais encontrados em produtos para a pele são:

  • GHK-Cu: peptídeo de cobre, associado à firmeza, reparação e aparência da pele;
  • Palmitoil pentapeptídeo-4: utilizado principalmente em produtos voltados para sinais de envelhecimento;
  • Palmitoil tripeptídeo-1: presente em produtos para firmeza e aparência das linhas finas;
  • Palmitoil tetrapeptídeo-7: geralmente encontrado em produtos antienvelhecimento;
  • Acetil hexapeptídeo-8: utilizado em produtos para a aparência das linhas de expressão.

Essas substâncias podem ajudar a melhorar a aparência da pele, contribuindo para a hidratação, firmeza e redução da aparência de linhas finas. No entanto, os efeitos dependem da concentração e da formulação do produto.

É importante diferenciar os peptídeos usados em cosméticos dos produtos injetáveis divulgados para fins estéticos. Segundo a Anvisa, não existem cosméticos regulamentado de aplicação injetável.

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