Testículo retrátil: o que é, causas e quando ir ao médico

Revisão clínica: Rodolfo Favaretto
Urologista
junho 2022

O testículo retrátil é uma condição em que o testículo sobe pelo canal inguinal, podendo se esconder na região da virilha, o que acontece especialmente devido a contrações involuntárias do músculo cremaster, que é o músculo que liga o testículo à região abdominal, podendo ocorrer várias vezes ao dia, fazendo com que os testículos subam, quer seja estimulado para isso ou não.

O testículo retrátil é muito comum na infância devido ao desenvolvimento dos músculos abdominais, mas pode ocorrer durante a idade adulta, causado por climas frios, situações de perigo ou ainda devido ao cordão espermático curto, por exemplo. 

Geralmente, os testículos voltam à sua posição natural poucos minutos após terem subido, mas também podem ser reposicionados utilizando a mão e fazendo movimentos suaves sobre o local onde o escroto se liga ao abdômen. Porém, se o testículo não descer ou surgir dor ou inchaço, é aconselhado ir ao hospital, ou consultar um urologista, para avaliar se existe algum problema que precise ser tratado.

Sintomas de testículo retrátil

Os principais sintomas de testículo retrátil são:

  • Subida do testículo para a região da virilha de forma espontânea;
  • Testículo não desce para a posição normal, espontaneamente ou após ser manipulado manualmente;
  • Ausência do testículo na posição normal por um tempo. 

Na presença desses sintomas, é importante consultar o urologista para que seja avaliada a causa do testículo retrátil, e iniciado o tratamento mais adequado, se necessário.

Qual a diferença de testículo retrátil e criptorquidia?

A criptorquidia é uma condição congênita em que os testículos do bebê não descem para a bolsa testicular no final da gestação, podendo afetar um ou os dois testículos. 

Durante o desenvolvimento embrionário, os testículos se desenvolvem dentro da cavidade abdominal e descem para bolsa escrotal nos meses finais da gestação ou até os 6 meses de vida. Quando isso não acontece, ou os testículos descem mas com o tempo sobem novamente, é chamado de criptorquidia. Entenda melhor o que é a criptorquidia e como é feito o tratamento.

Já o testículo retrátil, pode surgir na infância ou na idade adulta, fazendo com que um ou os dois testículos subam, e geralmente relacionados à contração do músculo cremaster.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico do testículo retrátil é feito pelo urologista, no caso de adultos, ou pediatra, no caso de crianças, através do exame físico da bolsa testicular, e da posição do testículo.

Geralmente, não são necessários exames complementares para confirmar o diagnóstico do testículo retrátil.

Principais causas do testículo retrátil

O testículo retrátil é causado pelo movimento involuntário do músculo cremaster, sendo que existem algumas situações que podem estimular esse movimento, como:

1. Durante ou após a relação

A relação sexual é um momento de prazer no qual vários músculos do corpo, especialmente os da região íntima, se contraem involuntariamente em resposta ao estímulo criado pela sensação de prazer. Um desses músculos é o cremaster e, por isso, os testículos podem subir até a região abdominal, principalmente durante o orgasmo.

Normalmente, nestes casos, o testículo não desaparece completamente, ficando grudado na região superior do escroto, porém, muitos homens possuem um canal mais aberto na transição entre o escroto e o abdômen, o que pode fazer que os testículos desapareçam, sem que isso seja sinal de algum problema.

2. Climas frios

Para funcionarem corretamente, realizar a produção de esperma e de hormônios, os testículos precisam estar num ambiente cerca de 2 a 3 graus mais fresco que a temperatura corporal e, é por essa razão, que se encontram na bolsa escrotal e fora do corpo.

No entanto, quando o ambiente fica muito frio em redor do corpo, a temperatura na região do escroto pode descer muito e também afetar os testículos. Dessa forma, o corpo produz um movimento involuntário para que a bolsa escrotal se contraia e os testículos subam para a região abdominal, com o objetivo de regular a temperatura.

3. Situações de perigo

Uma vez que os testículos se localizam numa bolsa fora do corpo, e não estão protegidos por nenhum osso, ficam mais expostos a pancadas e traumatismos que podem provocar danos na sua estrutura e funcionamento.

Para evitar que isso aconteça, o corpo possui um mecanismo de defesa natural para que o músculo que segura os testículos contraia e os puxe para a região abdominal, de forma a mantê-los mais protegidos. É por essa razão que os testículos podem subir quando o homem sente medo ou ouve uma história impressionante, por exemplo.

4. Cordão espermático curto

O cordão espermático é a estrutura criada pelos músculos e pequenos vasos que estão ligados ao testículo, ajudando-o a manter-se pendurado dentro do testículo.

Em algumas situações, especialmente em jovens e crianças, esse cordão pode não se desenvolver completamente ou crescer a um ritmo muito lento, que não acompanha o crescimento do corpo. Nesses casos, o testículo vai ficar mais perto do abdômen e, dependendo do tamanho do cordão, pode até acabar subindo para dentro da barriga. Normalmente, este problema se resolve sozinho após a adolescência.

Como é feito o tratamento

O tratamento do testículo retrátil deve ser feito com orientação do pediatra ou urologista, sendo que na maior parte dos casos não é necessário nenhum tratamento específico, pois os testículos voltam à posição normal naturalmente ou realizando movimentos suaves com as mãos sobre o músculo cremaster na região do abdômem.

Além disso, é importante fazer acompanhamento médico uma vez por ano, pois no caso do testículo ficar preso na região inguinal, pode ser necessária cirurgia. 

Possíveis complicações

O testículo retrátil raramente está relacionado com complicações, no entanto, como o testículo sobe até ao abdômen há um maior risco de não voltar a descer, podendo ficar preso. 

Além disso, outras complicações que podem surgir são:

  • Maior risco de desenvolvimento de câncer de testículo;
  • Torção testicular;
  • Problemas de fertilidade;
  • Hérnia inguinal.

Por isso, é importante consultar o urologista ou o pediatra, fazendo o acompanhamento médico anual, de forma a evitar complicações do testículo retrátil.

Quando ir ao médico

Quase sempre, o testículo sobe e volta a descer, não sendo uma situação que precise de atenção especial. No entanto, é importante ir no hospital ou consultar um urologista quando:

  • O testículo não desce após 10 minutos;
  • Surge uma dor intensa ou inchaço na região do escroto;
  • Se sofreu uma pancada forte na região íntima.

Os casos em que o testículo sobe e não volta a descer são mais comuns nos bebês ou crianças e, geralmente, estão relacionadas com um caso de criptorquidia, na qual o canal entre o escroto e o abdômen não permite que o testículo desça, podendo ser necessário fazer cirurgia. Veja como é feito o tratamento nestes casos

Esta informação foi útil?

Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em junho de 2022. Revisão clínica por Rodolfo Favaretto - Urologista, em março de 2020.

Bibliografia

  • KEYS, C.; HELOURY, Y. Retractile testes: a review of the current literature. J Pediatr Urol. 8. 2-6, 2012
  • HORI, S.; et al. Trends in treatment outcomes for retractile testis in Japanese boys: A single-center study. Int J Urol. 28. 3; 327-332, 2021
Mostrar bibliografia completa
  • FAVORITO, L. A.; et al. Structural study of the cremaster muscle in patients with retractile testis. J Pediatr Surg. 53. 4; 780-783, 2018
  • INAN, M.; et al. Prevalence of cryptorchidism, retractile testis and orchiopexy in school children. Urol Int. 80. 2; 166-71, 2008
  • BAE, J. J.; et al. Long-term outcomes of retractile testis. Korean J Urol. 53. 9; 649-53, 2012
  • ANDERSON, K. M.; et al. Do retractile testes have anatomical anomalies?. nt Braz J Urol. 42. 4; 803-9, 2016
  • LESLIE, S. W.; SAJJAD, H.; VILLANUEVA, C. A. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Cryptorchidism. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470270/>. Acesso em 30 jun 2022
  • KHATWA, U. A.; MENON, P. S. Management of undescended testis. Indian J Pediatr. 67. 6; 449-54, 2000
Revisão clínica:
Rodolfo Favaretto
Urologista
Médico formado pela Universidade de Ribeirão Preto com CRM-SP 133358 e especialista em Urologia desde 2016 pela Sociedade Brasileira de Urologia.