Hepatite A e hepatite C provocam inflamação no fígado, mas são infecções bastante diferentes. A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, por água ou alimentos contaminados, e geralmente evolui para recuperação completa. Já a hepatite C é transmitida sobretudo pelo contato com sangue infectado, pode permanecer silenciosa por anos e se tornar crônica. Outra diferença importante é que a hepatite C atualmente tem tratamento capaz de curar a grande maioria dos casos.
Como cada tipo de hepatite é transmitido?
A hepatite A é causada pelo vírus HAV e se espalha principalmente pela via fecal-oral. Isso pode acontecer pelo consumo de água ou alimentos contaminados ou pelo contato próximo com uma pessoa infectada em situações de higiene inadequada.
Uma revisão publicada em 2023 sobre a transmissão do vírus da hepatite A reforça a importância da água e dos alimentos contaminados na disseminação da infecção. A hepatite C segue outro caminho: o vírus HCV é transmitido principalmente quando há contato com sangue infectado, como pelo compartilhamento de agulhas, seringas ou instrumentos que não foram esterilizados adequadamente.
Os sintomas da hepatite A e da C são iguais?
Alguns sintomas podem se parecer, incluindo cansaço, enjoo, perda de apetite, dor abdominal, urina escura e pele ou olhos amarelados. A diferença está principalmente na forma como cada infecção costuma evoluir.
Na hepatite A, quando surgem sintomas, eles fazem parte de uma infecção aguda. Crianças pequenas podem apresentar poucos ou nenhum sinal, enquanto adultos tendem a desenvolver manifestações mais perceptíveis. Já a hepatite C pode permanecer sem sintomas durante muito tempo. O Ministério da Saúde informa que aproximadamente 80% das pessoas com hepatite C não apresentam sintomas na fase inicial, o que ajuda a explicar por que muitos casos são descobertos apenas em exames.

Por que a hepatite C pode trazer consequências anos depois?
A hepatite A normalmente é uma infecção autolimitada, ou seja, o sistema imunológico consegue eliminar o vírus e ela não evolui para uma infecção crônica. Casos graves podem ocorrer, mas são menos frequentes. Uma revisão publicada na Nature Reviews Disease Primers em 2023 descreve a hepatite A como uma infecção aguda e detalha sua transmissão, evolução e prevenção.
Na hepatite C, por outro lado, o vírus pode permanecer no organismo e causar uma infecção crônica. Ao longo dos anos, a inflamação persistente pode provocar fibrose e aumentar o risco de cirrose e câncer do fígado. Como esse processo pode acontecer silenciosamente, não ter sintomas não significa necessariamente que o fígado esteja livre de alterações.
A hepatite C realmente tem cura?
Sim. O tratamento atual utiliza antivirais de ação direta, medicamentos que conseguem eliminar o vírus na grande maioria dos pacientes. Uma revisão sobre os avanços no tratamento da hepatite C crônica relata taxas de resposta virológica sustentada superiores a 98% com os antivirais modernos em diferentes contextos clínicos.
O Ministério da Saúde também informa que a hepatite C tem cura e que o SUS oferece gratuitamente o acompanhamento e os medicamentos necessários para pessoas com indicação de tratamento. Mesmo após a cura, alguns pacientes que já apresentam doença hepática avançada podem precisar continuar em acompanhamento médico.

Como saber se uma pessoa tem hepatite C?
Como a infecção pode não causar sintomas, a testagem tem papel fundamental. O SUS disponibiliza teste rápido gratuito para hepatite C nas unidades de saúde. O teste inicial procura anticorpos contra o vírus HCV. Quando o resultado é reagente, são necessários exames complementares para confirmar se existe infecção ativa.
Vale conversar com um profissional de saúde sobre a testagem especialmente em caso de exposição prévia a sangue, compartilhamento de seringas ou objetos cortantes, procedimentos realizados com materiais de esterilização duvidosa ou outras situações de risco. Identificar a infecção precocemente permite iniciar o tratamento antes que ocorram complicações importantes no fígado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de suspeita de hepatite, exposição ao vírus ou alterações em exames do fígado, procure um serviço de saúde para diagnóstico e orientação individualizada.








