Mioclonia: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
fevereiro 2022

A mioclonia é caracterizada por um movimento breve, rápido, involuntário, brusco e semelhante a um choque, que consiste em descargas musculares únicas ou repetitivas que pode acontecer devido a alterações do sistema nervoso, problemas metabólicos ou reação a medicamentos ou ser consequência da prática de atividade física ou ansiedade, por exemplo.

Esse espasmo repentino na maioria dos casos acontece em um dos membros e pode variar de intensidade, no entanto pode também afetar os músculos da fala e intestinais, de forma que pode haver dificuldade para falar e deglutir, em alguns casos.

O tratamento da mioclonia é indicado nos casos em que os espasmos são frequentes e atrapalham o dia a dia da pessoa, sendo recomendado pelo médico a realização de tratamento de acordo com a causa da mioclonia, podendo ser indicado o uso de remédios anticonvulsivantes, tranquilizantes ou cirurgia, nos casos mais graves.

Sintomas de mioclonia

Geralmente, pessoas com mioclonia descrevem uma espécie de espasmo muscular repentino, breve, involuntário, como se fosse um choque e que pode variar de intensidade e frequência. O espasmo pode ser em apenas uma parte do corpo ou em várias, e em casos muito graves, pode interferir na alimentação e na forma de falar ou andar.

O que é mioclonia noturna

A mioclonia noturna ou espasmos musculares durante o sono, é um distúrbio que acontece durante o sono, quando a pessoa sente que está a cair ou em desequilíbrio e acontece normalmente quando se está a adormecer, em que os braços ou pernas se mexem involuntariamente, como se fossem espasmos musculares.

Ainda não se sabe ao certo qual a causa que está na origem desses movimentos, mas acredita-se que consiste numa espécie de conflito cerebral, em que o sistema que mantém a pessoa desperta interfere com o sistema que induz o sono, resultando no espasmo.

Possíveis causas

A mioclonia pode ser desencadeada por várias situações, de forma que pode ser classificada em alguns tipos principais de acordo com a sua causa:

1. Mioclonia fisiológica

Este tipo de mioclonia ocorre em pessoas normais e saudáveis e raramente necessita tratamento, já que pode estar relacionada com situações normais do organismo. Algumas das causas da mioclonia fisiológica são soluços, tremores ou espasmos devido à ansiedade ou exercício físico e a mioclonia noturna, que é caracterizada pelos espasmos musculares durante o início do sono que pode estar relacionada com alterações nervosas.

2. Mioclonia idiopática

Na mioclonia idiopática o movimento mioclônico aparece espontaneamente, sem estar associado a outros sintomas ou doenças, podendo interferir nas atividades do dia a dia. A sua causa é ainda desconhecida, mas normalmente está associada a fatores hereditários.

3. Mioclonia epilética

Este tipo de mioclonia ocorre em parte devido a um distúrbio epilético, onde são produzidas convulsões que causam movimentos rápidos, tanto nos braços, como nas pernas.

4. Mioclonia secundária

Também conhecida por mioclonia sintomática, geralmente ocorre como resultado de outra doença ou condição médica, como lesão na cabeça ou na medula espinhal, infecção, falência do rim ou fígado, doença de Gaucher, envenenamento, privação de oxigênio prolongada, reação a medicamentos, doenças autoimunes e metabólicas.

Além destas, existem outras condições relacionadas com o sistema nervoso central, que também podem resultar em mioclonia secundária, como é o caso de AVC, tumor cerebral, doenças de Huntington, doença de Creutzfeldt-Jakob, doença de Alzheimer e Parkinson, degeneração corticobasal e demência frontotemporal.

Como é feito o tratamento

Existem muitos casos em que não é necessário tratamento, no entanto, quando este se justifica, geralmente consiste em tratar a causa ou a doença que está na sua origem, no entanto, em alguns casos não é possível resolver a causa e apenas se aliviam os sintomas. Os medicamentos e técnicas utilizados são os seguintes:

  • Tranquilizantes: O clonazepam é o medicamento mais prescrito nestes casos, para combater os sintomas da mioclonia, no entanto pode causar efeitos colaterais, como perda de coordenação e sonolência.
  • Anticonvulsivantes: Estes são medicamentos que controlam convulsões epiléticas, que também ajudam a reduzir os sintomas da mioclonia. Os anticonvulsivantes mais usados nestes casos são levetiracetam, ácido valproico e primidona. Os efeitos colaterais mais comuns do ácido valproico são náusea, do levetiracetam são cansaço e tontura e da primidona são sedação e náusea.
  • Terapias: Injeções de botox podem ajudar a tratar várias formas de mioclonia, principalmente quando apenas uma parte do corpo esta afetada. A toxina botulínica bloqueia a liberação de um mensageiro químico que provoca a contração muscular.

Além disso, nos casos em que a mioclonia está relacionada com a presença de um tumor ou uma lesão no cérebro ou na medula espinhal, por exemplo, pode ser recomendada a realização de cirurgia.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em novembro de 2019.
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.