Miocardite: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
abril 2022
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Causas
  4. COVID-19
  5. Tratamento
  6. Complicações

A miocardite é uma inflamação do músculo cardíaco, que normalmente surge como complicação de uma infecção, mas que também pode se desenvolver após o uso de alguns antibióticos e até consumo de drogas. A miocardite causa sintomas como dor no peito, falta de ar ou tonturas.

Na maioria dos casos, a miocardite surge durante uma infecção por vírus, como gripe ou catapora, mas também pode acontecer quando existe uma infecção por bactérias ou fungos, sendo que nestes casos normalmente é preciso que a infecção esteja muito avançada. Além disso, a miocardite pode ser decorrente de doenças autoimunes, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico, uso de alguns medicamentos e consumo excessivo de bebidas alcoólicas, por exemplo.

A miocardite tem cura e, geralmente, desaparece quando a infecção fica curada, no entanto, quando a inflamação do coração é muito grave ou não desaparece, pode ser necessário ficar internado no hospital.

Principais sintomas

A miocardite pode não provocar qualquer tipo de sintoma numa fase inicial. No entanto, com a evolução da doença, podem surgir sintomas como:

  • Dor no peito;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Batimento cardíaco irregular;
  • Sensação de falta de ar;
  • Dificuldade para respirar, mesmo em repouso;
  • Cansaço excessivo;
  • Inchaço das pernas e pés;
  • Tonturas.

Já nas crianças, podem ainda surgir outros sintomas como aumento da febre, respiração rápida e desmaio. Nestes casos, é recomendado consultar imediatamente um pediatra para avaliar o problema e iniciar o tratamento mais adequado.

Uma vez que a miocardite surge durante uma infecção, os sintomas podem ser difíceis de identificar e, por isso, é recomendado ir no hospital quando os sintomas duram mais de 3 dias, até porque devido à inflamação do músculo cardíacos, o coração passa a ter dificuldade para bombear corretamente o sangue, podendo causar arritmia e insuficiência cardíaca, por exemplo.

Como confirmar diagnóstico

O diagnóstico da miocardite é feito pelo cardiologista através de exames como raio X do tórax, eletrocardiograma ou ecocardiograma, que permitem identificar alterações no funcionamento do coração. Estes exames são especialmente importantes porque os sintomas podem estar apenas sendo provocados pela infecção no organismo, sem que exista alteração no coração.

Além disso, normalmente são solicitados alguns exames laboratoriais para verificar o funcionamento do coração e a possibilidade de infecção, como VSH, dosagem de PCR, leucograma e concentração dos marcadores cardíacos, como CK-MB e Troponina. Conheça os exames que avaliam o coração.

Possíveis causas

A miocardite é causada por uma inflamação no músculo cardíaco, que pode surgir em decorrência de várias situações como:

  • Infecções virais, como gripe, mononucleose, catapora, hepatitis B ou C, HIV, ou COVID-19;
  • Infecções bacterianas, como difteria, tuberculose ou doença de Lyme;
  • Infecções fúngicas, como aspergilose;
  • Doenças parasitárias, como doença de Chagas ou toxoplasmose;
  • Doenças autoimunes, como lupus eritematoso sistêmico ou sarcoidose;
  • Quimioterapia para o tratamento do câncer, com remédios como doxorrubicina ou interleucina-2;
  • Uso de antibióticos, como penicilinas ou sulfonamidas;

Além disso, a miocardite pode surgir no caso do uso de drogas de abuso, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ou outras doenças, como polimiosite ou doença vascular do colágeno, por exemplo.

Miocardite e COVID-19

A miocardite é uma condição que pode acontecer como consequência da COVID-19, porque, em alguns casos, a presença do vírus parece causar danos ao coração como consequência da resposta imune inflamatória. Assim, pessoas com COVID-19 podem apresentar sintomas de miocardite, como respiração rápida e ofegante, dor no peito e palpitação.

Vacinação contra COVID-19 e miocardite

Alguns sintomas de miocardite também têm sido relatados em pessoas que tomaram duas doses da vacina para COVID-19 constituída por mRNA, como é o caso das vacinas da Pfizer e Moderna.

No entanto a ocorrência dessa complicação é pouco frequente e foi verificado que os pacientes que tiveram miocardite após a vacina recuperaram rapidamente e, por isso, a vacinação continua sendo recomendada pela Anvisa e OMS. Na presença de sinais e sintomas indicativos de miocardite, alguns dias após a aplicação dessas vacinas, é recomendado consultar o médico. Saiba mais sobre as vacinas para COVID-19.

Como é feito o tratamento

O tratamento normalmente é feito em casa com repouso para evitar excesso de trabalho por parte do coração. No entanto, durante esse período também se deve fazer o tratamento adequado da infecção que esteve na origem da miocardite e, por isso, pode ser necessário tomar antibióticos, antifúngicos ou antivirais, por exemplo.

Além disso, se surgirem sintomas de miocardite ou se a inflamação estiver dificultando o funcionamento do coração, o cardiologista pode indicar o uso de alguns remédios como:

  • Remédios para pressão alta, como captopril, ramipril ou losartana: relaxam os vasos sanguíneos e facilitam a circulação de sangue, reduzindo sintomas como dor no peito e falta de ar;
  • Beta-bloqueadores, como metoprolol ou bisoprolol: ajudam a fortalecer o coração, controlando o batimento irregular;
  • Diuréticos, como furosemida: eliminam o excesso de líquidos do corpo, diminuindo o inchaço nas pernas e facilitando a respiração.

Já nos casos mais graves, em que a miocardite causa muitas alterações no funcionamento do coração, pode ser necessário ficar internado no hospital para fazer remédios diretamente na veia ou colocar aparelhos, semelhantes ao marcapasso, que ajudam o coração a trabalhar.

Em alguns casos muito raros, em que a inflamação do coração coloca a vida em risco, pode até ser necessário fazer um transplante de coração de emergência.

Possíveis complicações

Na maior parte dos casos a miocardite desaparece sem deixa qualquer tipo de sequelas, sendo até muito comum que a pessoa nem saiba que teve esse problema no coração.

Porém, quando a inflamação no coração é muito grave pode deixar lesões permanentes no músculo cardíaco que levam ao surgimento de doenças como insuficiência cardíaca ou pressão alta. Nestes casos, o cardiologista irá recomendar o uso de alguns medicamentos que devem ser utilizados por alguns meses ou por toda a vida, dependendo da gravidade.

Veja os remédios mais utilizados para tratar a pressão alta.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em abril de 2022. Revisão médica por Drª. Ana Luiza Lima - Cardiologista, em maio de 2016.

Bibliografia

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Revisão médica:
Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
Médica Cardiologista, formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional nº CRM/PE – 16886.