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Miíase humana: o que é, tratamento e como prevenir

Maio 2020

A miíase humana é a infestação de larvas de moscas na pele, em que essas larvas completam parte do seu ciclo de vida no corpo humano alimentando-se de tecidos vivos ou mortos e que pode acontecer de 2 formas: bicheira ou berne. A bicheira é provocada pela mosca varejeira, e a berne pela mosca comum. As principais características de cada tipo são:

  • Bicheira: A mosca Cochliomyia hominivorax pousa na pele ferida e coloca de 200 a 300 ovos, que se transformam em larvas em apenas 24 horas e que se alimentam dos tecidos vivos ou mortos. Após esse período elas caem e se escondem no solo em forma de pupa, que após alguns dias darão origem à novas moscas.
  • Berne: A mosca Dermatobia hominis coloca uma larva na pele e após cerca de 7 dias e penetra ativamente pela pele onde permanecerá por cerca de 40 dias se alimentando dos tecidos vivos ou mortos. Após esse período ela cai e se esconde no solo em forma de pupa, que após alguns dias dará origem à uma nova mosca. A larva mantém um orifício aberto na pele por onde consegue respirar, e por isso, ao cobrir essa abertura, a larva pode morrer. 

Esse tipo de infestação pode afetar o homem e também os animais domésticos, gado, ovinos e caprinos, por exemplo, e também é possível haver bicheira e berne ao mesmo tempo, principalmente nos animais que não são diariamente inspecionados. 

Berne
Berne
Bicheira
Bicheira

Principais sintomas

Os sintomas da miíase humana podem surgir em qualquer local do corpo, inclusive nos olhos, ouvidos, boca ou nariz, causando grande desconforto. Seus principais sinais são: 

  • Berne: Ferida de 2-3 cm na pele, aberta, com pus e líquidos. Ao pressionar pode-se ver a larva branca no local
  • Bicheira: Ferida aberta na pele, de tamanho variável, cheia de pequenas larvas e mau cheiro no local, podendo causar hemorragias graves, quando se proliferam nas cavidades

A miíase em humanos afeta especialmente pessoas em más condições de higiene e saneamento básico, assim como alcoólatras, pessoas sujas, que dormem nas ruas e que possuem feridas na pele, acamados ou deficientes mentais. 

Como é feito o tratamento

O tratamento para bicheira e berne consiste na catação das larvas, um processo desagradável e doloroso, e por isso também é recomendado a toma de ivermectina em duas ou três doses, sob indicação médica, para evitar infecções secundárias e a limpeza da região antes de iniciar a remoção das larvas. É importante que o tratamento seja iniciado logo na fase inicial da doença para que seja evitada a progressão da doença, já que as larvas conseguem rapidamente destruir os tecidos.

O uso de azeite, álcool, creolina ou outras substâncias diretamente na ferida parece não ser eficaz, e causa intenso desconforto, porque causa incômodo nas larvas que podem tentar entrar ainda mais profundamente na ferida, dificultando sua retirada. Assim, o mais recomendado é retirar as larvas com uma pinça e tomar o remédio antiparasitário, que será capaz de matar e eliminar as larvas em cerca de 24 horas. 

Nos casos mais graves, pode ser necessário fazer uma pequena cirurgia para fazer um corte na pele e alargar o orifício, permitindo retirar a larva. Além disso, quando a lesão é muito extensa pode também ser necessária a realização de cirurgia plástica para reconstituição do tecido.

Como prevenir a infestação

Para evitar a infestação por larvas da mosca em humanos é importante manter bons hábitos de higiene, tomar banho diariamente esfregando-se com água e sabonete, cuidar bem de todas as feridas e arranhões, mantendo-os limpos e desinfectados, aplicando loção antisséptica diariamente, tomando todo cuidado necessário para evitar cortes e arranhões. 

Também é importante afastar as moscas, evitando a concentração de lixo exposto à céu aberto, e usando inseticida sempre que necessário para afastar as moscas de dentro de casa. Pessoas acamadas precisam de um cuidado extra porque não tem a mesma capacidade de defesa, sendo preciso um cuidador atento, que dê banho, cuide da higiene e mantenha as feridas devidamente limpas.

Bibliografia >

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Miíase. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/miiase/51/>. Acesso em 24 Out 2019
  • BARNABÉ, Anderson S. Epidemiologia da miíase cutânea: Revisão da literatura. Atas de Ciências da Saúde. Vol 04. 2 ed; 14-22, 2016
  • NEVES, David P. Parasitologia Humana. 12 ed. Editora Atheneu, 423-432.
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