Lesão no menisco: sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
janeiro 2022

O menisco é uma estrutura de cartilagem presente no joelho que serve para proteger os joelhos de impactos diretamente nesse local, além de servir para facilitar a mobilidade das articulações e diminuir a pressão entre elas.

As lesões nessa cartilagem são mais comuns de acontecer em atletas, pessoas com excesso de peso, com artrite, artrose ou outro problema que afete a articulação dos joelhos, podendo resultar em inflamação, desgaste ou ruptura do menisco. Dessa forma, os principais sintomas de lesão no menisco são dor na parte da frente do joelho, podendo também atingir a parte mais lateral, causando dificuldade para andar, subir e descer escadas.

O tratamento para recuperação do menisco pode ser feito através de cirurgia ortopédica seguida de fisioterapia. No início do tratamento fisioterapêutico o indivíduo deverá fazer repouso, evitando mexer a perna, colocando gelo para diminuir a dor. Após alguns dias poderá andar com o auxílio de muletas e uma joelheira. Aos poucos, com o trabalho da fisioterapia, a pessoa poderá voltar a sua vida diária normalmente.

Sintomas de lesão no menisco

O principal sintoma de uma lesão no menisco é a dor na região da frente e/ou lateral do joelho, que piora ou dificulta subir e desces escadas. A dor é localizada e pode piorar com o passar dos dias, podendo também dificultar o caminhar. Além disso há inchaço da região dolorida.

Assim, na presença desses sintomas, é importante consultar o ortopedista para que seja feito um raio-X ou uma ressonância magnética para confirmar o diagnóstico.

Principais causas

As lesões do menisco normalmente surgem devido a uma pancada forte no joelho, como acontece em vários tipos de esporte, como futebol, basquetebol ou tênis. No entanto, existem algumas situações do dia-a-dia que também podem lesionar o menisco como:

  • Virar muito rápido o corpo sobre uma perna;
  • Fazer agachamentos muito fundos;
  • Levantar muito peso utilizando as pernas;
  • Prender o pé enquanto se caminha.

Com a idade, a cartilagem do menisco vai se tornando mais enfraquecida devido ao uso constante e à diminuição da circulação de sangue para o local, o que pode causar lesões mais fáceis após os 65 anos, mesmo ao subir ou descer escadas, por exemplo.

Geralmente a ruptura do menisco lateral está associada ao rompimento do ligamento cruzado anterior enquanto que a ruptura do menisco medial está associada a formação do cisto de Baker. A lesão no menisco lateral é mais comum em movimentos bruscos como acontece num jogo de futebol, enquanto que no menisco medial a lesão se forma por movimentos repetitivos, e a lesão começa na parte posterior do menisco e pode curar de forma espontânea, sem tratamento específico.

Como deve ser o tratamento

O tratamento para uma lesão no menisco pode ser feito com fisioterapia ou cirurgia, nos casos mais graves, quando é necessário fazer uma cirurgia para costurar ou cortar a parte afetada do menisco, provavelmente após a cirurgia o médico irá deixar a perna imobilizada com uma tala e irá indicar o uso de muletas e esta imobilização deve ser mantida durante todo o dia e noite, sendo retirada somente no banho e na fisioterapia. Saiba o que pode ser feito na fisioterapia e exercícios para lesão no menisco.

Após cerca de 2 meses de tratamento deve-se verificar a necessidade da pessoa e se ainda existe dor local ou limitação de movimentos para poder adequar o tratamento. Quando a pessoa já não sente dores, mas não consegue dobrar completamente o joelho so exercícios deverão ter este objetivo. Um bom exercício é um fazer agachamentos, aumentando o grau de flexão do joelho, o objetivo pode ser tentar agachar ao máximo, até ser possível sentar nos calcanhares.

1. Remédios

Os remédios só devem ser usados após indicação médica e são especialmente indicados após a cirurgia. Nos primeiros dias após a operação, o médico poderá indicar o uso de Paracetamol ou Ibuprofeno para aliviar a dor.

As pomadas como Cataflan e Voltaren podem ajudar no controle da dor mas não devem ser aplicadas até que a ferida esteja completamente cicatrizada. Uma boa forma de aliviar a dor e o inchaço do joelho de forma natural é aplicar uma compressa gelada na região enquanto descansa com as pernas elevadas.

2. Alimentação

Durante a fase de recuperação deve-se evitar consumir alimentos ricos em açúcar e aumentar o consumo de alimentos ricos em proteínas para facilitar a regeneração dos tecidos. Também é indicado beber bastante água para manter o corpo devidamente hidratado, o que também é importante para manter a lubrificação dos joelhos. Deve-se evitar fast food, refrigerantes e alimentos fritos para evitar o excesso de peso, que pode prejudicar a recuperação desta articulação. Veja exemplos de alimentos cicatrizantes.

3. Cirurgia

Nas rupturas do menisco lateral o ortopedista pode indicar que seja realizada logo uma cirurgia para retirar a parte afetada. No entanto, quando há uma lesão no menisco medial, se esta for longitudinal e de pequeno tamanho, o médico pode optar por indicar a fisioterapia para observar se o rompimento pode ser curado.

Quando o menisco encontra-se rompido em suas bordas ou quando existe uma lesão no meio do menisco, que separa em duas partes, formando uma espécie de alça de balde, o médico também indica logo uma cirurgia, para evitar que a lesão se agrave.

A cirurgia para reparar o menisco normalmente é feita com anestesia local, com artroscopia, onde o médico faz apenas 3 furinhos no joelho, por onde entram os equipamentos necessários para costurar ou remover a parte quebrada do menisco. O cirurgião pode optar por estas das formas de tratamento:

  • Costurar a parte mais externa do menisco, porque ela é irrigada pelo sangue e por isso pode se regenerar;
  • Remover a parte afetada do menisco, mantendo a parte sadia para evitar que se forme artrose precocemente.

Não é necessário ficar internado no hospital mas o tempo de recuperação varia de 2 a 3 semanas, para o menisco medial, e de 2 meses, para o menisco lateral.

4. Fisioterapia

A fisioterapia é indicada com o objetivo de recuperar a força e garantir a estabilidade da articulação afetada, podendo ser realizada através de massagens drenantes que ajudam a liberar o líquido inflamatório para ser absorvido, além de também ser indicada a realização de exercícios específicos.

Um bom exercício é o agachamento, em que o fisioterapeuta pode indicar o aumento progressivo do grau de flexão do joelho até que a pessoa consiga ficar agachada totalmente, de forma que os glúteos fiquem próximos aos calcanhares.

Os exercícios devem ser feitos sob orientação do fisioterapeuta, já que uma execução inadequada pode levar ao agravamento dos sintomas e condicionar a mobilidade da articulação.

Sinais de melhora e piora

Os sinais de melhora surgem com o início do tratamento e quando a pessoa segue todas as orientações do médico e do fisioterapeuta, fazendo o repouso necessário e os exercícios terapêuticos.

Quando o tratamento não é realizado, é possível que exista um agravamento da lesão, e em caso de ruptura do menisco e a dor pode limitar a vida da pessoa, sendo necessário recorrer a analgésicos e anti-inflamatórios e se acostumar com a dor por toda a vida. Uma lesão no menisco também pode levar a formação de artrose precoce no joelho afetado.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em janeiro de 2022. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em janeiro de 2022.

Bibliografia

  • BILGEN, Bahar et al. Current Concepts in Meniscus Tissue Engineering and Repair. Adv Healthc Mater. 11. 7; 2018
  • TWOMEY, John; JAYASURIYA, Chathuraka. Meniscus Repair and Regeneration: A Systematic Review from a Basic and Translational Science Perspective. Clin Sports Med . 39. 1; 125-163, 2020
Mostrar bibliografia completa
  • KENNEDY, Mitchell et al. Injury of the Meniscus Root. Clin Sports Med . 39. 1; 57-68, 2020
  • KURZWEIL, Peter et al. Meniscus Repair and Replacement. Sports Med Arthrosc Rev . 26. 4; 160-164., 2018
Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.

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