A jejunostomia é um procedimento médico que pode ser indicado para oferecer suporte nutricional, administrar medicamentos diretamente no intestino delgado e reduzir o risco de aspiração para os pulmões, por exemplo.
Assim, este procedimento pode ser recomendado pelo médico em situações como tumores no trato digestivo superior, AVC, paralisia cerebral e risco de pneumonia por aspiração.
A jejunostomia é feita para criar uma abertura direta no intestino delgado a partir da parte externa do corpo e introduzir uma sonda por meio de uma abertura na parede abdominal. Este procedimento pode ser feito por meio de cirurgia aberta, laparoscopia ou técnica percutânea.
Para que serve a jejunostomia
A jejunostomia oferece um acesso ao intestino delgado, servindo para:
- Suporte nutricional, ao fornecer uma forma de longo prazo para a administrar alimentos, água e fórmulas nutricionais diretamente no trato gastrointestinal, mantendo ou recuperando o estado nutricional;
- Administração de remédios, sendo uma via alternativa e segura para pessoas com dificuldades graves para engolir ou quando alguns medicamentos orais têm maior eficácia ao agir diretamente no intestino delgado;
- Preservação do estômago, em pessoas que passarão por uma remoção do esôfago;
- Redução do risco de aspiração broncopulmonar, pois reduz o refluxo de alimentos para o esôfago e o risco de desse conteúdo ser aspirado para os pulmões;
- Descompressão do trato gastrointestinal, em alguns casos, para aliviar a pressão interna, os gases e para drenar secreções acumuladas;
- Melhora na resposta imune e na recuperação após as cirurgias, diminuindo o risco de infecções sistêmicas e o tempo de internação.
A jejunostomia tem o objetivo de oferecer nutrição enteral, hidratação e também administrar medicamentos para pessoas que não conseguem os obter de forma adequada ou segura pela via oral.
Leia também: Dieta enteral: o que é, indicação, tipos (e como é feita) tuasaude.com/nutricao-enteralDiferença entre gastrostomia e jejunostomia
A gastrostomia é um procedimento onde a sonda é colocada diretamente no estômago. A gastrostomia é considerada a primeira escolha para nutrição enteral de longo prazo (mais de 4 a 6 semanas).
Entretanto, a pessoa deve ter um estômago íntegro, sadio, funcionante e sem refluxo gástrico ou alto risco de aspiração para os pulmões.
Leia também: Gastrostomia: o que é, tipos, alimentação (e cuidados) tuasaude.com/gastrostomiaJá na jejunostomia, a sonda é inserida diretamente no jejuno, que é a parte intermediária do intestino delgado. Este procedimento é recomendado quando o estômago está inutilizável ou quando o seu uso não é indicado.
Quando é indicada
As principais indicações da jejunostomia são:
- Tumores e obstruções físicas, para contornar bloqueios físicos no trato digestivo superior, como em casos de câncer de esôfago, estômago, cabeça e pescoço, ou estenoses;
- Cirurgia de remoção do esôfago, ao preservar o estômago em pessoas com câncer esofágico e que farão esta cirurgia, fornecendo nutrição e preservando a integridade dos vasos sanguíneo do estômago;
- Risco de pneumonia por aspiração, gastroparesia grave ou refluxo gastroesofágico grave, evitando a aspiração e problemas de motilidade;
- Condições neurológicas, como AVC, paralisia cerebral, Parkinson, esclerose múltipla ou demência;
- Obstruções no sistema digestivo, onde a sonda pode ser usada para aliviar a pressão interna, os gases e drenar secreções acumuladas nestes casos.
A jejunostomia também é indicada para a recuperação após grandes cirurgias, como esofagectomias, gastrectomias totais ou duodenopancreatectomias/cirurgia de Whipple, para permitir a alimentação enteral precoce.
Assim, a jejunostomia, nestes casos, melhora a recuperação nutricional e protege a pessoa em casos de complicação grave nas emendas cirúrgicas.
Como é o preparo
O preparo para a jejunostomia varia de acordo com a técnica usada e o estado de saúde da pessoa.
Mas de modo geral, o preparo inclui uma avaliação física e do histórico de saúde da pessoa, e dos exames laboratoriais, como hemograma e dosagem de albumina, e de imagem pelo médico.
Se a pessoa estiver gravemente desnutrida, o preparo pode incluir o início de nutrição parenteral ou uso de outra via para melhorar o estado nutricional antes de operar.
Além disso, o médico também deve controlar os fatores de risco, como os níveis de glicemia no e a pressão arterial.
Antes do procedimento, a pessoa também deve ficar em jejum total por cerca de 8 horas.
Como é feita a jejunostomia
A jejunostomia é feita no hospital, conforme a técnica escolhida pelo médico.
1. Jejunostomia laparoscópica
A jejunostomia laparoscópica é a preferida, por estar associada à menor dor após a cirurgia e menor tempo de recuperação.
O passo a passo dessa técnica inclui:
- Aplicação da anestesia geral pelo médico;
- Colocação de um tubo nasogástrico ou orogástrico, para esvaziar e descomprimir o estômago;
- Insuflação do abdômen, com gás carbônico;
- Inserção de pequenos instrumentos na parede abdominal para introduzir a câmera (laparoscópio) e os instrumentos de trabalho;
- Identificação do jejuno e seleção de uma alça de intestino delgado móvel o suficiente;
- Seleção da alça do intestino, que é levada até a parede abdominal esquerda e feita um ponto cirúrgico com na borda do intestino;
- Realização de uma pequena abertura no centro da sutura;
- Lubrificação da sonda de jejunostomia e colocação no jejuno, para dentro da alça;
- Injeção de soro fisiológico ou ar pela sonda, para confirmar que a ponta está livre dentro do intestino;
- Amarração da sutura ao redor do do tubo, para evitar vazamentos;
- Realização do túnel de Witzel, que consiste em dobrar a parede do intestino sobre a sonda, prendendo-a com pontos;
- Fixação do intestino delgado, de forma segura, na parede abdominal anterior no local de entrada do cateter por meio de pontos, para prevenir a torção ou rotação do intestino.
Por fim, o médico testa a permeabilidade da sonda, injetando soro, e retira os instrumentos da parede abdominal e fecha os cortes na pele, com pontos.
2. Jejunostomia por cirurgia aberta
A jejunostomia por cirurgia aberta, ou laparotomia, é feita por meio de um corte convencional. Neste tipo, o médico faz um corte vertical na linha média do abdômen, seleciona uma alça de jejuno, faz o ponto cirúrgico em bolsa na parede do jejuno e abre o centro da sutura usando eletrocautério.
Em seguida, a ponta da sonda é colocada no sentido distal do jejuno e a sutura em bolsa é ajustada e amarrada ao redor do tubo, e o médico cria o túnel de Witzel.
Em seguida, a outra ponta da sonda é puxada de dentro para fora, a parede externa do jejuno é costurada e fixada diretamente ao peritônio da parede abdominal para manter o trajeto firme e evitar vazamentos.
Por fim, o médico verifica o fluxo de líquido pela sonda, confere a presença de sangramentos ou vazamentos e faz o fechamento convencional da parede abdominal.
Leia também: Laparotomia exploradora: o que é, quando é indicada e como é feita tuasaude.com/laparotomia-exploradora3. Jejunostomia percutânea radiológica
O passo a passo da jejunostomia percutânea radiológica inclui:
- No dia anterior ou logo antes do procedimento, a pessoa recebe um contraste líquido, para permitir que o radiologista visualize o intestino grosso e evite perfurá-lo acidentalmente;
- Um pequeno cateter é passado pelo nariz até o jejuno proximal da pessoa sob orientação fluoroscópica;
- O médico injeta ar de forma contínua para inflar e distender o jejuno, deixando a alça visível e acessível logo abaixo da parede abdominal;
- Com orientação de imagem em tempo real, o médico aplica uma anestesia local na pele do abdômen e faz um pequeno corte;
- Com uma agulha especial acoplada a uma âncora de sutura, o médico perfura a alça jejunal inflada;
- A âncora de sutura é implantada dentro do lúmen intestinal e puxada levemente para fixar a parede do jejuno diretamente contra a parede abdominal interna e o médico introduz um fio-guia metálico flexível por dentro da agulha;
- A agulha é removida e dilatadores de plástico ou pequenos balões são passados sobre o fio-guia, para alargar gradualmente o canal perfurado;
- A sonda de jejunostomia é inserida sobre o fio-guia por meio de uma bainha descartável;
- Após a confirmação da posição correta da sonda, o balão de retenção na ponta da sonda é inflado com fluido, geralmente água ou mistura com contraste, para impedir que ela saia.
Por fim, as suturas das âncoras externas são fixadas na pele para garantir que o trajeto cicatrize de forma adequada.
Este método é minimamente invasivo, sendo realizado em salas de radiologia sob sedação moderada e anestesia local, sem a necessidade de cirurgia aberta ou laparoscópica tradicional.
Sonda de jejunostomia
A sonda de jejunostomia é um tubo macio e flexível de plástico, que pode ser colocado, através da pele do abdômen, diretamente na seção intermediária do intestino delgado, conhecida como jejuno.
Este dispositivo oferece um caminho direto para administrar a nutrição enteral, a hidratação e os medicamentos diretamente no sistema digestivo, contornando o estômago.
Possíveis riscos
Os possíveis riscos da jejunostomia incluem:
- Obstrução ou entupimento da sonda, que acontece geralmente por lavagem inadequada da sonda após a administração de fórmulas ou remédios;
- Deslocamento ou saída acidental, se for tracionada ou se os pontos de fixação romperem;
- Vazamento de conteúdo do intestino ou da fórmula enteral ao redor da sonda, causando irritação;
- Deslocamento interno e saída do lúmen do intestino delgado, o que causa peritonite, ou ainda migrar, facilitando o refluxo do conteúdo alimentar e gerando risco de aspiração e pneumonia;
- Infecções cutâneas ou celulite ao redor de onde a sonda que sai no abdômen, que são frequentes;
- Tecido cicatricial avermelhado, doloroso e úmido, que sangra facilmente, no local da cicatrização;
- Irritação e queimadura da pele ao redor da sonda, devido ao atrito da sonda e o contato constante com o fluido intestinal;
- Sintomas digestivos, como náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia são comuns, geralmente devido velocidades excessivas de infusão, baixas temperaturas da dieta ou uso de fórmulas hiperosmolares;
- Síndrome de Dumping, pois a infusão de soluções de alta osmolaridade de forma rápida puxa água para o lúmen intestinal, causando diarreia severa, cólicas, sudorese, tonturas e hipoglicemia tardia;
- Infecções e intoxicação alimentar, devido ao maior risco de contaminação por microrganismos.
Além disso, em casos mais raros, a jejunostomia pode causar obstrução intestinal, perfuração intestinal, isquemia mesentérica não oclusiva e desequilíbrios metabólicos e nutricionais.
Quem não pode fazer
A jejunostomia não pode ser feita por pessoas com obstrução intestinal, hemorragia grave do trato gastrointestinal, má absorção severa, expectativa de vida inferior a um mês e problemas funcionais graves do intestino.
Pessoas com sepse, instabilidade hemodinâmica, ascite grave ou massiva, coagulopatia severa, infecção ativa da parede abdominal e interposição de órgãos, não devem fazer a jejunostomia.
Já pessoas com aderências intra-abdominais densas, histórico de grandes cirurgias abdominais, obesidade, desnutrição grave, hepatomegalia, esplenomegalia, varizes gástricas e diálise peritoneal, só devem fazer a jejunostomia após uma avaliação médica criteriosa.
Além disso, a jejunostomia é contraindicada para pessoas e/ou cuidadores que não concordam com o tratamento, têm alta probabilidade de não cumprirem as orientações de segurança, ou se existirem impedimentos logísticos e organizacionais na residência.