Timectomia: o que é, tipos, como é feita (e recuperação)

A timectomia é uma cirurgia para remover o timo, uma glândula localizada no tórax, atrás do esterno e próxima ao coração, responsável por participar do desenvolvimento e da maturação das células de defesa do organismo.

Essa cirurgia é indicada principalmente para tratar timomas, que são tumores que se desenvolvem no timo, e, em casos selecionados, a miastenia gravis, uma doença autoimune que causa fraqueza e cansaço dos músculos.

A timectomia pode ser feita por cirurgia aberta ou por técnicas minimamente invasivas, como videotoracoscopia e cirurgia robótica, que geralmente permitem uma recuperação mais rápida, com menos dor e menor tempo de internação.

Imagem ilustrativa número 1

Quando é indicada

A timectomia pode ser indicada para:

  • Remover tumores no timo, como o timoma, carcinoma tímico e tumores neuroendócrinos. Entenda o que é o timoma;
  • Tratar a miastenia gravis, mesmo quando não existe tumor no timo.

A indicação da cirurgia depende do tipo e das características do tumor ou, no caso da miastenia gravis, de fatores como a forma da doença, idade e presença de anticorpos contra o receptor de acetilcolina.

Timectomia na miastenia gravis

Na miastenia gravis, o sistema imunológico ataca estruturas que ajudam os nervos a controlar os músculos.

Leia também: Miastenia gravis: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/miastenia-grave

Como o timo pode estar envolvido nesse processo, sua remoção pode ajudar a reduzir a fraqueza muscular, diminuir os sintomas e a necessidade de medicamentos em algumas pessoas. 

O benefício é mais bem estabelecido na miastenia gravis generalizada com anticorpos contra o receptor de acetilcolina. 

Tipos de timectomia

A timectomia pode ser realizada por cirurgia aberta ou por técnicas minimamente invasivas, como:

1. Timectomia robótica

É uma técnica minimamente invasiva em que o médico utiliza braços robóticos e uma câmera para remover o timo por pequenas incisões no tórax. 

O sistema oferece uma visão 3D de alta definição e braços articulados de grande precisão, que são controlados diretamente pelo cirurgião.

Leia também: Cirurgia robótica: o que é, tipos (e como funciona) tuasaude.com/cirurgia-robotica

2. Timectomia por videotoracoscopia

Também chamada de VATS, é uma técnica minimamente invasiva realizada por pequenas incisões na lateral do tórax. 

Por uma incisão, o médico introduz uma câmera, enquanto os instrumentos cirúrgicos finos são inseridos pelas demais incisões para remover o timo.

3. Timectomia por esternotomia

É a cirurgia aberta, em que o médico faz uma incisão no tórax e divide o esterno, osso localizado no centro do peito, para acessar o timo. 

Após a retirada da glândula e, quando necessário, do tumor e de tecidos próximos, o esterno é fechado com fios.

Preparo para a timectomia

O preparo para a timectomia inclui uma avaliação médica para verificar o estado de saúde e definir a técnica mais adequada, com exames de sangue e de imagem do tórax e, quando necessário, avaliação da função pulmonar.

Em pessoas com miastenia gravis, o preparo exige controle da doença antes da cirurgia. O neurologista pode ajustar os medicamentos e, em alguns casos, indicar imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese antes do procedimento.

Antes da cirurgia, também é necessário realizar jejum de cerca de 8 horas, e alguns remédios, como anticoagulantes, podem precisar ser suspensos ou ajustados, conforme orientação médica.

Como é feita

A timectomia é realizada pelo cirurgião torácico, seguindo os seguintes passos:

  1. Aplicar anestesia geral, para manter a pessoa dormindo e sem sentir dor durante a cirurgia;
  2. Posicionar a pessoa de acordo com a técnica utilizada, como deitada de costas na cirurgia aberta ou levemente inclinada para o lado oposto ao acesso nas técnicas minimamente invasivas;
  3. Realizar o acesso ao timo, por meio de pequenas incisões no tórax e  insuflando gás carbônico para melhorar a visualização, nas técnicas minimamente invasivas. E na cirurgia aberta, é feita uma incisão no centro do peito e o esterno é dividido;
  4. Remover o timo e, quando presente, o tumor e, se necessário, tecidos próximos;
  5. Inserir um dreno no tórax para retirar o excesso de ar ou líquido e ajudar na recuperação;
  6. Fechar as incisões, nas técnicas minimamente invasivas; já na cirurgia aberta, o esterno é unido novamente com fios.

A cirurgia dura, em média, 2 a 4 horas, dependendo da técnica utilizada e da presença de tumores ou aderências a outros órgãos.

Após o procedimento, a pessoa permanece em observação para controlar a dor, a respiração e possíveis complicações.

Como é a recuperação

Em geral, as técnicas minimamente invasivas permitem uma recuperação mais rápida, com menos dor e menor tempo de internação do que a cirurgia aberta. 

Após o procedimento, é comum sentir dor ou desconforto no tórax, que pode ser controlado com analgésicos, como paracetamol ou dipirona.

É importante manter as incisões limpas e secas e observar sinais de infecção. O dreno costuma ser retirado no primeiro ou segundo dia, quando a quantidade de líquido diminui, mas pode permanecer por mais tempo após a cirurgia aberta.

A retomada das atividades deve ser gradual. Nas primeiras 2 semanas, são recomendadas caminhadas leves, evitando dirigir e esforços físicos. Após 3 a 4 semanas, atividades profissionais leves podem ser retomadas.

Exercícios intensos e esforços maiores, como carregar pesos, geralmente são liberados após cerca de 3 meses, especialmente após a cirurgia aberta, para permitir a recuperação do esterno.

Pessoas com miastenia gravis podem precisar de acompanhamento respiratório após a cirurgia, com monitorização da respiração e, quando necessário, suporte ventilatório, devido ao risco de fraqueza muscular e complicações respiratórias.

Quando não é indicada

A timectomia não costuma ter contraindicações absolutas, mas pode ser adiada ou não indicada em algumas situações, como:

  • Condições clínicas instáveis, como doenças cardíacas ou respiratórias graves que aumentem o risco da cirurgia;
  • Infecção ativa, que pode precisar ser tratada antes do procedimento;
  • Miastenia gravis descompensada, principalmente quando há fraqueza respiratória importante;
  • Tumores muito avançados ou não ressecáveis, quando a remoção completa não é possível ou os riscos superam os benefícios.

A decisão deve ser individualizada pelo cirurgião torácico e pela equipe responsável pelo tratamento, considerando os riscos e os possíveis benefícios da cirurgia.