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Nutrição parenteral: o que é, para que serve e como administrar

A nutrição parenteral, ou parentérica (NP), é um método de administração de nutrientes que é feito diretamente na veia, quando não é possível obter os nutrientes através da alimentação normal. Assim, este tipo de nutrição é utilizada quando a pessoa já não tem um trato gastrointestinal funcionando corretamente, o que mais frequentemente acontece em pessoas em estado muito crítico, como é o caso de câncer do estômago ou intestino em fase muito avançada, por exemplo.

Existem dois tipos principais de nutrição parenteral:

  • Nutrição parenteral parcial: são administrados apenas alguns tipos de nutrientes e vitaminas através da veia;
  • Nutrição parenteral total (NPT): são administrados todos os tipos de nutrientes e vitaminas através da veia.

Geralmente, as pessoas que estão fazendo este tipo de alimentação também se encontram internadas no hospital, para manter uma avaliação contínua do seu estado de saúde, no entanto, é possível que, em alguns casos, a nutrição parenteral também seja feita em casa e, nessas situações, o médico ou o enfermeiro devem explicar como administrar a alimentação corretamente.

Nutrição parenteral: o que é, para que serve e como administrar

Quando é indicada

A nutrição parenteral é utilizada com o objetivo de evitar a malnutrição, principalmente em pessoas que, por algum motivo, não têm um trato gastrointestinal funcional ou que precisam dar descanso para o estômago ou intestino.

Por esse motivo, a nutrição parenteral também é indicada quando a alimentação por via oral, mesmo com sonda, não pode ser feita em codnições ótimas por mais de 5 ou 7 dias.

A indicação deste tipo de nutrição pode ainda ser feita por curto prazo, quando é feita por até 1 mês, ou a longo prazo, dependendo da situação de cada pessoa:

Curto prazo (até 1 mês)Longo prazo (mais de 1 mês)
Remoção de grande parte do intestino delgadoSíndrome do intestino curto
Fístula enterocutânea de alto débitoPseudo oclusão crônica do intestino
Enterotomia proximalDoença de Crohn grave
Marlformações congênitas gravesCirurgia múltiplas
Pancreatite ou doença inflamatória intestinal graveAtrofia da mucosa do intestino com má-absorção persistente
Doença ulcerativa crônicaFase paliativa do câncer
Síndrome de supercrescimento bacteriano (SBID)-
Enterocolite necrosante-
Complicação da doença de Hirschsprung-
Doenças metabólicas congênitas-
Queimaduras extensas, traumatismos graves ou cirurgias complexas-
Transplante de medula óssea, doenças do sangue ou câncer-
Insuficiência renal ou hepática que afeta o intestino-

Como administrar a nutrição parenteral

Na maior parte das vezes, a nutrição parenteral é feita pela equipe de enfermagem no hospital, no entanto, quando é preciso fazer a administração em casa é importante que primeiro se avalie a bolsa da alimentação, garantindo que está dentro do prazo de validade, que a bolsa se mantém intacta e que mantém as características normais.

Depois, no caso de administração por um cateter periférico, deve-se seguir o passo-a-passo:

  1. Lavar as mãos com água e sabão;
  2. Parar qualquer infusão de soro ou medicamento que esteja sendo administrada pelo cateter;
  3. Desinfectar a conexão do sistema de soro, utilizando uma compressa esterilizada com álcool;
  4. Retirar o sistema de soro que estava no local;
  5. Injetar lentamente 20 mL de soro fisiológico;
  6. Conectar o sistema da nutrição parenteral.

Todo este procedimento deve ser feito com a utilização do material indicado pelo médico ou enfermeiro, assim como uma bomba de administração calibrada que garanta que a alimentação é fornecida na velocidade correta e pelo tempo indicado pelo médico.

Este passo-a-passo também deve ser ensinado e treinado com o enfermeiro no hospital, para tirar todas as dúvidas e garantir que não surgem complicações.

O que ficar atento durante a administração

Durante a administração da nutrição parentérica é importante ir avaliando o local de inserção do cateter, avaliando a presença de inchaço, vermelhidão ou dor. Caso surja algum desses sinais, é aconselhado parar a alimentação parenteral e ir no hospital.

Tipo de nutrição parenteral

O tipo de nutrição parenteral pode ser classificada de acordo com a via de administração:

  • Nutrição parenteral central: é feita através de um cateter venoso central, que é um pequeno tubo que é colocado dentro de uma veia de grande calibre, como a veia cava, e que permite a administração de nutrientes por um período superior a 7 dias;
  • Nutrição parenteral periférica (NPP): é realizada através de um cateter venoso periférico, que é colocado em uma veia menor do corpo, geralmente no braço ou mão. Este tipo é mais indicado quando a nutrição é mantido por até 7 ou 10 dias, ou quando não é possível colocar um cateter venoso central.

A composição das bolsas usadas na nutrição parenteral pode variar de acordo com cada caso, mas geralmente inclui gorduras, glicose e aminoácidos, assim como água e vários sais minerais e vitaminas.

Possíveis complicações

As complicações que podem surgir com a nutrição parenteral são muito variadas e, por isso, é sempre importante seguir todas as orientações feitas pelo médico e outros profissionais de saúde.

Os principais tipos de complicações podem ser agrupados de acordo com a duração da NP:

1. Curto prazo

A curto prazo, as complicações mais frequentes incluem aquelas relacionadas com a colocação do cateter venoso central, como pneumotórax, hidrotórax, hemorragia interna, lesão dos nervos do braço ou lesão no vaso sanguíneo.

Além disso, pode ainda acontecer infecção da ferida do cateter, inflamação do vaso sanguíneo, obstrução do cateter, trombose ou infecção generalizada por vírus, bactérias ou fungos.

A nível metabólico, a maior parte das complicações incluem alterações dos níveis de açúcar no sangue, acidose ou alcalose metabólica, diminuição dos ácidos graxos essenciais, alterações dos eletrólitos (sódio, potássio, cálcio) e aumenta da ureia ou da creatinina.

2. Longo prazo

Já quando a nutrição aprentérica é usada por um longo prazo, as principais complicações incluem alterações no fígado e vesícula, como fígado gordo, colecistite e fibrose portal. Por esse motivo, é comum que a pessoa apresente aumento das enzimas hepáticas nos exames de sangue (transaminase, fosfatase alcalina, gama-GT e bilirrubina total).

Além disso, pode ainda acontecer deficiência de ácidos graxos e de carnitina, alteração da flora intestinal e atrofia das velosidades e musculatura intestinal.

Bibliografia >

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  • MAHAN, L. Kathleen et al. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13.ed. São Paulo: Elsevier Editora, 2013. 314-320.
  • ÁLVAREZ María Luisa et al. Nutrición en pediatría . 2ª. Caracas, Venezuela: Cania, 2009. 415-445.
  • BERGER, Mette M; PICHARD, Claude. Parenteral Nutrition in the ICU: lessons learned over the last few years. Nutrition. 2018
  • ASPEN. What is Parenteral Nutrition. Disponível em: <http://www.nutritioncare.org/about_clinical_nutrition/what_is_parenteral_nutrition/>. Acesso em 17 Dez 2018
  • BAPEN. Parenteral Nutrition. Disponível em: <https://www.bapen.org.uk/nutrition-support/parenteral-nutrition>. Acesso em 17 Dez 2018
  • PIGNATELLI, Nuno. Alimentação Parentérica: Indicações, Modalidades e suas Complicações. 2008. UCI Hospital Fernando Fonseca.
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