Hipotermia terapêutica: o que é, para que serve e como é feita

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
agosto 2022

A hipotermia terapêutica é uma técnica médica utilizada após uma parada cardíaca, que consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Esta técnica deve ser iniciada o mais rápido possível após a parada cardíaca, pois o sangue deixa imediatamente de transportar a quantidade necessária de oxigênio para o funcionamento do cérebro, mas pode ser atrasada até 6 horas após o coração voltar a bater. Porém, nestes casos o risco de desenvolver sequelas é maior.

Apesar de ser uma técnica segura, a hipotermia terapêutica pode estar associada a alguns riscos, principalmente quando não é realizada por profissionais capacitados, como alteração do ritmo cardíaco, diminuição da coagulação e aumento do risco de infecção.

Para que serve

A hipotermia terapêutica serve para diminuir o risco de formação de coágulos e lesões neurológicas, sendo principalmente indicada após um infarto. Através da hipotermia terapêutica seria possível diminuir a atividade elétrica do cérebro, reduzindo o gasto de oxigênio. Dessa forma, mesmo que o coração não esteja bombeando a quantidade de sangue necessária, o cérebro continua a ter o oxigênio necessário para funcionar.

Além disso, a redução da temperatura corporal também ajuda a evitar o desenvolvimento da inflamação no tecido cerebral, que aumenta o risco de lesões nos neurônios.

Assim, além de poder ser indicada após o infarto, pode ser também recomendada em situações como trauma cranioencefálico em adultos, AVC isquêmico e encefalopatia hepática.

Como é feita

Este procedimento consiste em 3 fases:

  • Fase de indução: a temperatura corporal é reduzida até alcançar temperaturas entre os 32 e 36ºC;
  • Fase de manutenção: é monitorada a temperatura, pressão arterial, ritmo cardíaco e frequência respiratória;
  • Fase de reaquecimento: a temperatura da pessoa vai-se elevando de forma gradual e controlada de forma a atingir temperaturas entre os 36 e 37,5º.

Para o resfriamento do corpo os médicos podem utilizar várias técnicas, no entanto, as mais utilizadas incluem o uso de compressas de gelo, colchões térmicos, capacete de gelo ou soro gelado direto na veia dos pacientes, até que a temperatura atinja valores entre os 32 e 36°C. Além disso, a equipe médica também utiliza remédios relaxantes para garantir o conforto da pessoa e evitar o surgimento de tremores

Geralmente, a hipotermia é mantida durante 24 horas e, durante esse tempo, a frequência cardíaca, a pressão arterial e outros sinais vitais são constantemente vigiados por um enfermeiro de forma a evitar complicações graves. Após esse tempo, o corpo é lentamente aquecido até atingir a temperatura de 37ºC.

Possíveis complicações

Embora seja uma técnica bastante segura, quando é feita no hospital, a hipotermia terapêutica também tem alguns riscos, como:

  • Alteração do ritmo cardíaco, devido à diminuição acentuada dos batimentos cardíacos;
  • Diminuição da coagulação, aumentando o risco de sangramentos;
  • Aumento do risco de infecções;
  • Aumento das quantidades de açúcar no sangue.

Devido a estas complicações, a técnica só pode ser feita em uma Unidade de Terapia Intensiva e por uma equipe médica treinada, uma vez que é necessário fazer várias avaliações ao longo das 24 horas, para diminuir as chances de desenvolver qualquer tipo de complicação.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em agosto de 2022.

Bibliografia

  • ANJOS, Cláudia Nogueira et- al.. O potencial da hipotermia terapêutica no tratamento do paciente crítico. O Mundo da Saúde São Paulo. 32. 1; 74-78, 2008
  • RECH, Tatiana Helena; VIEIRA, Sílvia Regina Rios. Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada cardiorrespiratória: mecanismos de ação e desenvolvimento de protocolo assistencial . Rev Bras Ter Intensiva. 22. 2; 196-205, 2010
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.