O que pode ser o estômago inchado (e o que fazer)

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
março 2022

A sensação de estômago inchado pode estar relacionado com vários fatores, mas principalmente com a má digestão, intolerância a alguns alimentos e excesso de gases. No entanto, o inchaço do estômago pode ser também indicativo de infecções por parasitas ou bactérias, como a H. pylori, por exemplo, que deve ser tratada de acordo com a orientação do gastroenterologista.

Assim, caso a sensação de estômago cheio e inchado seja persistente ou seja acompanhado por outros sintomas como diarreia, vômito ou perda de peso sem causa aparente, por exemplo, é importante que o médico seja consultado.

O estômago inchado normalmente não representa problemas graves de saúde, mas é importante que a causa seja identificada para que se possa mudar os hábitos alimentares ou iniciar o tratamento com medicamentos, por exemplo, já que pode ser bastante desconfortável.

O estômago inchado pode acontecer devido a diversas situações, sendo as principais:

1. Excesso de gases

O excesso de gases pode resultar em desconforto e distensão abdominal, mal estar geral e até mesmo sensação de estômago inchado. O aumento na produção de gases normalmente está relacionado aos hábitos das pessoas, como por exemplo não praticar atividades físicas, consumir muitas bebidas com gás e alimentos de difícil digestão, como repolho, brócolis, feijão e batata, por exemplo. Confira alguns hábitos que aumentam a produção de gases.

O que fazer: A melhor forma de combater a produção excessiva de gases e, assim, aliviar os sintomas é adotando hábitos mais saudáveis, como praticar atividades físicas regularmente e ter uma alimentação mais leve. Veja algumas formas naturais e eficazes para eliminar os gases intestinais.

2. Intolerância alimentar

Algumas pessoas podem ter intolerância a algum tipo de alimento, o que resulta na dificuldade do organismo em digerir aquele alimento e levando ao surgimento de sintomas como excesso de gases, dor abdominal, náuseas e sensação de peso no estômago, por exemplo. Veja quais são os sintomas de intolerância alimentar.

O que fazer: Caso seja percebido que após o consumo de determinados alimentos os sintomas aparecem, é importante ir ao gastroenterologista para que seja feita a confirmação da intolerância, além de ser recomendado evitar o consumo dos alimentos que desencadeiam os sintomas.

3. Infecções

Algumas infecções podem levar a sintomas gastrointestinais, como por exemplo infecções por parasitas. Alguns parasitas podem causar sintomas gastrointestinais, resultando em diarreia, vômito, náuseas e estômago inchado, por exemplo. Veja quais são os sintomas de vermes.

Além da infecção por vermes, infecções por fungos e bactérias também podem resultar na sensação de estômago inchado. Um exemplo é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que pode estar presente no estômago e levar à formação de úlceras, azia constante, perda de apetite, dor abdominal e gases intestinais em excesso. Conheça os sintomas de H. pylori no estômago.

O que fazer: É importante ir ao gastroenterologista para que sejam feitos exames para verificar a causa da infecção e, assim, estabelecer a melhor forma de tratamento. No caso de infecção por parasitas, pode ser recomendado o uso de Albendazol ou Mebendazol, devendo ser usado de acordo com a orientação do médico.

No caso da infecção por H. pylori, o médico pode recomendar o uso de antibióticos associados a medicamentos protetores gástricos, além de indicar a ida a um nutricionista para que a pessoa possa seguir uma dieta adequada. Saiba como é feito o tratamento para H. pylori.

4. Dispepsia

A dispepsia corresponde à digestão lenta e difícil dos alimentos que pode estar relacionada ao consumo de alimentos irritantes, como o café, refrigerantes, comidas muito temperadas ou picantes, situações emocionais, como estresse, ansiedade ou depressão, e ao uso de alguns medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides, ibuprofeno, corticoides ou antibióticos. A dispepsia também pode ser relacionada com a presença da bactéria Helicobacter pylori.

O que fazer: O tratamento para a dispepsia é feito com objetivo de aliviar os sintomas, sendo recomendada a mudança dos hábitos alimentares, devendo a pessoa ingerir alimentos mais leves e nutritivos, como frutas, legumes e carnes magras, por exemplo.

No caso de ser causada pela Helicobacter pylori, o gastroenterologista estabelecerá o tratamento mais indicado para eliminação da bactéria.

5. Comer rápido demais

Comer rápido demais e mastigar pouco impede que o estômago envie os sinais para o cérebro de que está cheio, o que faz com que a pessoa coma mais, resultando não só no aumento de peso, mas também na sensação de estômago cheio e inchado, má digestão e azia.

Além disso, a falta de mastigação impede que o alimento seja digerido corretamente no estômago, fazendo com que o trânsito intestinal fique mais lento, causando prisão de ventre, arrotos e gases, por exemplo.

O que fazer: Caso o estômago inchado esteja relacionado ao fato de comer rápido demais, é importante que a pessoa preste atenção no que está comendo, fazer a refeição em um ambiente calmo e sem barulho, mastigar de 20 a 30 vezes o alimento e parar entre cada garfada, de preferência deixando o talher no prato, para que perceba se está satisfeito ou não.

6. Câncer de estômago

O câncer de estômago é um tipo de câncer que pode atingir qualquer parte do estômago e causa sintomas como azia constante, náuseas, vômito, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, diminuição do apetite e sensação de estômago cheio e inchado, principalmente após as refeições, e inchaço do gânglio supraclavicular esquerdo, também chamado de gânglio de Virchow, que é muito sugestivo de câncer gástrico. Conheça os sintomas do câncer de estômago.

O que fazer: O tratamento para o câncer de estômago é feito com quimio ou radioterapia e, dependendo da gravidade, tamanho e localização do tumor no estômago, pode ser necessário realizar a remoção cirúrgica de parte ou de todo o órgão. Além disso, é importante adotar hábitos de vida saudáveis, como alimentação balanceada e prática regular de exercícios para evitar a progressão da doença.

7. Bezoar

O bezoar é um acúmulo de material não digerido que fica acumulado no estômago e pode causar inflamação, inchaço, formação de úlceras e hemorragia digestiva. Apesar do bezoar não ser muito comum, pode acontecer com maior facilidade em pessoas com transtornos alimentares, com esvaziamento gástrico anormal e em situação pós-cirúrgica. Os compostos acumulados no estômago podem ser pelos, fibras de alimentos não digeridas, sementes, alguns medicamentos ou compostos da proteína do leite, por exemplo.

O que fazer: É indicado que o gastroenterologista seja consultado para que seja feito o diagnóstico e seja determinado o melhor tratamento, que pode envolver a eliminação do bezoar através de dissolução química, extração endoscópica ou cirurgia.

Quando ir ao médico

Apesar de não ser grave na maioria das vezes, é importante ir ao gastroenterologista para que seja verificada a causa do inchaço do estômago e, assim, possa ser definido o melhor tratamento. Além disso, é indispensável a ida ao médico caso:

  • O inchaço seja persistente;
  • Ocorra outros sintomas, como diarreia, vômito ou sangramento;
  • Haja perda de peso sem causa aparente;
  • Os sintomas não diminuam após o tratamento prescrito pelo médico.

No caso da sensação de estômago inchado estar relacionada com problemas relacionados à alimentação, o gastroenterologista pode recomendar a ida a um nutricionista para que a pessoa tenha uma orientação sobre os seus hábitos alimentares.

No caso de ser relacionada a infecções, o médico pode recomendar o uso de medicamentos antiparasitários ou antibióticos de acordo com o agente infeccioso identificado, além do uso de medicamentos protetores gástricos, como Omeprazol ou Pantoprazol, por exemplo.

Esta informação foi útil?

Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em março de 2022.

Bibliografia

  • Ezequiel Fuentes-Pananá, Ph; Margarita Camorlinga-Ponce, Dr en C; Carmen Maldonado-Bernal, Dr en Inm Unidad de Investigación Médica en Enfermedades Infecciosas y Parasitarias, Hospital de Pediatría, CMN S XXI, IMSS. México, . Infección, inflamación y cáncer gástrico. SCIELO. 2009
  • Alberto Ramírez Ramos, Rolando Sánchez Sánchez. Helicobacter Pylori y Cáncer Gástrico. SCIELO. 2008
Mostrar bibliografia completa
  • Fernando Paredes Salidoa, Juan José Roca Fernándeza. Infecciones gastrointestinales. ELSEVIER. 2004
  • Scielo. Bezoares. Dra. Trini Fragoso Arbelo, Dr. Ernesto Luaces Fragoso, Tamara Díaz Lorenzo. 2002
  • Juan José Sebastián Domingo. Dispepsia funcional.Descripción y tratamien. ELSEVIER. 2002
  • Ana Zugasti Murillo, Unidad de Nutrición Clínica y Dietética. Hospital Virgen del Camino. Pamplona. Navarra. España. Intolerancia alimentaria. ELSEVIER. 2009
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.