Erva-doce: para que serve e como fazer o chá

Revisão clínica: Tatiana Zanin
Nutricionista

A erva-doce é uma planta medicinal rica em flavonoides, ácido málico e cafeico, compostos bioativos com propriedades digestivas, laxativas, carminativas e espasmolíticas, sendo, por isso, indicada para aliviar gases, náuseas, prisão de ventre, cólicas e má digestão.

Conhecida também como anis-verde, anis e pimpinela-branca, a erva-doce também é usada para aliviar dor de cabeça devido às suas propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.

A parte usada da erva-doce são as sementes, que têm sabor adocicado e aroma intenso, podendo ser encontrada em mercados, feiras, lojas de produtos naturais e sendo usada na forma de sementes secas, para preparo de chás e receitas culinárias, como tintura e óleo essencial, que é utilizado em massagens e difusores.

A erva-doce é uma planta medicinal que possui muitos benefícios para a saúde, sendo normalmente indicada para:

1. Melhorar a digestão

A erva-doce contém ácido málico, um composto bioativo que diminui a acidez do estômago, além de possuir ação digestiva e carminativa, melhorando a digestão e ajudando a combater náuseas e úlceras gástricas.

Além disso, a erva-doce também evita a fermentação dos alimentos no intestino, diminuindo a produção de gases, sendo, por isso, usada para aliviar o desconforto causado pelo excesso de gases.

2. Aliviar dor de cabeça

O óleo essencial da erva-doce contém estragol, eugenol e linalol, compostos com propriedades analgésicas que agem no sistema nervoso central, ajudando a aliviar a dor de cabeça.

A erva-doce também contém anetol, um composto que impede a ação da dopamina, um neurotransmissor que está relacionado com as crises de enxaqueca, além de possuir ação anti-inflamatória, ajudando no tratamento da enxaqueca.

3. Fortalecer o sistema imunológico

A erva-doce possui eugenol e linalol, compostos bioativos com atividades antioxidantes, antivirais, anti-inflamatórios e antibacterianos, que fortalecem o sistema imunológico, combatendo bactérias, fungos e vírus, e ajudando no tratamento de situações, como tosse, gripe, garganta inflamada e alergia. Veja outros alimentos que também contêm flavonoides.

4. Ajudar no tratamento de convulsões

Por conter flavonoides, ácido málico e cafeico, compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, acredita-se que a erva-doce possa ajudar no tratamento de convulsões.

5. Combater a prisão de ventre

A erva-doce ajuda a combater a prisão de ventre, porque contém anetol, um composto bioativo que melhora os movimentos naturais do intestino, facilitando a eliminação das fezes.

6. Aliviar sintomas da menopausa

Acredita-se que o anetol e os flavonoides, compostos presentes na erva-doce, possuem efeito estrogênico, podendo ajudar a aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor, dor de cabeça e dificuldades para dormir. Conheça outros sintomas da menopausa.

7. Prevenir doenças do coração

A erva-doce contém cumarina, flavonoides e ácido málico, compostos bioativos com propriedades antioxidantes, anticoagulantes e anti-inflamatórias, que melhoram a circulação de sangue e evitam a formação de coágulos, prevenindo doenças como derrame, trombose, infarto, por exemplo.

Diferença entre funcho e erva-doce

A erva doce e o funcho são muito semelhantes e, por isso, podem ser facilmente confundidos. No entanto, apesar de serem plantas diferentes, possuem compostos e propriedades similares.

O funcho tem as​​ folhas mais finas, flores amarelas e suas sementes são mais alongadas e maiores que as da erva doce.  Entenda melhor sobre o funcho e seus benefícios.

Já a erva doce é uma planta que tem as flores brancas, folhas largas e as sementes são arredondadas e pequenas.

Como usar

A erva-doce pode ser encontrada na forma de sementes secas, sendo usada para preparo de chás e receitas culinárias, como bolos, biscoitos e saladas, como tintura e óleo essencial, sendo utilizado em massagens e difusores.

Algumas formas de utilização da erva-doce são:

1. Chá de erva-doce

O chá de erva-doce serve para melhorar a dor de cabeça e aliviar os sintomas de gripe e resfriado, como tosse, coriza e catarro.

Ingredientes:

  • 1 colher de café de sementes de erva-doce seca;
  • 1 xícara de água.

Modo de uso:

Esmagar ou picar as sementes de erva-doce. Ferver a água e apagar o fogo. Transferir a  água para uma xícara e acrescentar as sementes de erva-doce. Tampar a xícara e deixar repousar por 10 minutos. Coar e beber até 3 xícaras por dia.

2. Óleo essencial

O óleo essencial de erva-doce é muito usado na aromaterapia para ajudar a reduzir as cólicas menstruais e aliviar os sintomas da menopausa, como as ondas de calor, por exemplo.

Este óleo também pode ser usado como relaxante muscular e calmante, através de massagem, sendo geralmente recomendado misturar 2 gotas de óleo essencial de erva-doce com 1 colher de sopa de óleo vegetal, como amêndoas ou coco. Além disso, para aliviar tosse e coriza, pode-se colocar 3 gotas de óleo essencial de erva-doce em uma bacia de água fervente e inalar o ar evaporado.

Possíveis efeitos colaterais 

Quando consumida em excesso, a erva-doce pode causar sintomas, como náuseas, sonolência, vômitos, reações alérgicas respiratórias ou na pele e, em casos mais extremos, pode causar paralisia muscular, convulsões e levar ao coma.

O óleo essencial de erva-doce pode estimular o surgimento de crises epiléticas em pessoas que sofrem com epilepsia. Dessa forma, é recomendado usar esse óleo somente com orientação de um médico, ou fitoterapeuta.

Contraindicações

A erva-doce não é indicada para pessoas com alergia ao anis ou ao composto anetol, para mulheres grávidas ou que amamentam e para crianças menores de 12 anos.

Além disso, o uso dessa erva deve ser evitado por mulheres com câncer de mama, pois pode alterar a produção de hormônios femininos, como o estrogênio, influenciando o tratamento do câncer.

Esta planta também deve ser evitada por pessoas que fazem suplementação com ferro, pois a erva-doce pode atrapalhar a absorção deste mineral.

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Atualizado por Karla S. Leal - Nutricionista, em abril de 2022. Revisão clínica por Tatiana Zanin - Nutricionista, em abril de 2022.

Bibliografia

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Revisão clínica:
Tatiana Zanin
Nutricionista
Formada pela Universidade Católica de Santos em 2001, com registro profissional no CRN-3 nº 15097.

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