Eritromelalgia: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
fevereiro 2022

A eritromelalgia, também conhecida como doença de Mitchell, é uma síndrome rara caracterizada por uma dilatação dos vasos sanguíneos da pele, geralmente afetando os pés e as pernas, mas que também pode afetar as mãos, causando sintomas como dor, vermelhidão ou sensação de queimação.

Essa síndrome pode ser causada por fatores genéticos ou por doenças auto-imunes, como lúpus ou artrite reumatóide, doenças mieloproliferativas, como trombocitose ou policitemia vera, ou até mesmo pela exposição a substâncias tóxicas, como mercúrio, por exemplo.

O diagnóstico da eritromelalgia é feito pelo clínico geral ou angiologista que pode indicar o tratamento mais adequado para aliviar os sintomas, que pode ser feito com a aplicação de compressas frias ou elevação dos membros afetados. Além disso, é muito importante tratar a causa que está na sua origem, de forma a reduzir a frequência das crises.

Principais sintomas

Os sintomas que podem ser causados pela eritromelalgia ocorrem principalmente nos pés e nas pernas, e com menos frequência nas mãos, braços, orelhas e rosto, sendo os mais comuns:

  • Dor leve ou intensa;
  • Sensação de formigamento;
  • Vermelhidão;
  • Coceira;
  • Aumento da temperatura no local afetado;
  • Sensação de queimação.

Além disso, embora seja menos comum, pode surgir inchaço ou suor excessivo na região afetada.

Geralmente, os sintomas da eritromelalgia podem surgir após exercícios físicos, climas quentes com temperaturas elevadas, por ficar em pé por muito tempo ou usar sapatos apertados, por exemplo, gerando crises que podem durar por alguns minutos ou por vários dias. 

Em alguns casos, a dor causada pelas crises de eritromelalgia pode interferir nas atividades do dia a dia, no sono, dificultar ficar de pé ou andar, além da prática de exercícios físicos.

É importante consultar o clínico geral ou angiologista sempre que surgirem os sintomas da eritromelalgia, para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da eritromelalgia é difícil e nem sempre o médico consegue detectar a condição em exames de rotina, sendo geralmente feito por meio da avaliação dos sintomas, histórico de saúde, exame físico, e análise dos fatores que podem ter desencadeado os sintomas, como prática de exercícios físicos ou exposição a temperaturas elevadas.

Como os sintomas da eritromelalgia podem durar alguns minutos ou dias, o médico pode solicitar fotografias da região afetada durante as crises para ajudar no diagnóstico.

Além disso, o médico pode solicitar exames de sangue, como hemograma completo, anticorpos antinucleares, fator reumatóide ou níveis de ácido úrico, pois os sintomas da eritromelalgia muitas vezes são semelhantes aos de outras doenças, como lúpus, gota ou artrite reumatóide, por exemplo.

Outro exame que o médico pode solicitar é o teste genético para verificar a presença de mutações no gene SCN9A, para identificar a eritromelalgia hereditária.

Possíveis causas

As causas da eritromelalgia podem ser classificadas de acordo com a origem da doença, e incluem:

1. Eritromelalgia primária

A eritromelalgia primária pode ter uma causa genética, devido à ocorrência de uma mutação no gene SCN9A, sendo chamada de eritromelalgia hereditária, ou muitas vezes pode ter uma causa desconhecida, sendo considerada uma eritromelalgia idiopática. 

Esse tipo de eritromelalgia é mais comum em crianças e adolescentes, sendo que os sintomas mais comuns são o surgimento de crises com vermelhidão, dor, coceira e queimação nas mãos, pés e pernas, que podem durar apenas alguns minutos a dias.

2. Eritromelalgia secundária

A eritromelalgia secundária está associada a outras condições de saúde que incluem:

  • Doenças autoimunes, como lúpus, gota, esclerose múltipla artrite reumatóide;
  • Doenças mieloproliferativas, como trombocitose, policitemia vera ou mielofibrose;
  • Diabetes mellitus;
  • Pressão alta;
  • Insuficiência venosa;
  • Anemia perniciosa;
  • Infecções por influenza, HIV ou poxvírus;
  • Tumores, como astrocitoma, câncer de intestino ou de mama;
  • Uso de remédios, como nifedipina, verapamil, sinvastatina ou bromocriptina;
  • Intoxicação por cogumelos, mercúrio ou arsênio.

A eritromelalgia secundária é mais comum em adultos e os sintomas geralmente são desencadeados pelas crises das doenças que a provocam. 

Além disso, a exposição ao calor, a prática de exercícios físicos, a ação da gravidade, o uso de meias e luvas, sapatos apertados, excesso de estresse, consumo de bebidas alcoólicas ou alimentos apimentados, ou desidratação do corpo são fatores que podem desencadear os sintomas da eritromelalgia ou intensificar o desconforto.

Como é feito o tratamento

O tratamento da eritromelalgia é feito pelo clínico geral ou angiologista, com o objetivo aliviar os sintomas e pode ser feito com algumas medidas como elevação dos braços ou pernas, aplicação de compressas frias nas mãos, pés e pernas, para reduzir o calor, além de evitar ambientes muito quentes.

Além disso, o médico pode indicar o uso de remédios para tratar as doenças que possam ter desencadeado a eritromelalgia, de forma a aliviar os sintomas e diminuir os episódios de crises.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em setembro de 2020.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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  • ALBUQUERQUE, Lígia Guedes Morais. Eritromelalgia primária - Relato de caso. An Bras Dermatol.. Vol. 86. 1.ed; 131-4, 2011
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.