Episiotomia: o que é, quando é indicada e possíveis riscos

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
junho 2022

A episiotomia é um pequeno corte cirúrgico feito no períneo, que é a região entre a vagina e o ânus, que pode ser realizado no momento final do segundo estágio do trabalho de parto, com o objetivo de alargar a abertura vaginal quando a cabeça do bebê está prestes a descer, facilitando a saída do bebê e prevenindo possíveis lesões graves no períneo. 

Embora esta técnica fosse utilizada em quase todos os partos normais para evitar o rompimento da pele que pode surgir com o esforço do parto, atualmente, de acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e OMS, não fazer a episiotomia é sempre a primeira opção, pois não existem evidências científicas que definem a indicação desse procedimento.

No entanto, em alguns casos, a episiotomia pode ser indicada pelo obstetra e realizada de forma seletiva quando estritamente necessária, pois além de muito dolorosa, pode ainda trazer riscos como incontinência urinária ou infecções, por exemplo. Nesses casos selecionados, a episiotomia é realizada com anestesia local, com uma técnica específica e a mulher deve concordar e assinar um termo de consentimento informado.

Quando pode ser recomendada

A episiotomia pode recomendada pelo médico, sendo que a mulher deve concordar com o procedimento e assinar o termo de consentimento informado livre e esclarecido para o parto normal, onde tem a informação de que ocasionalmente pode ser necessária a episiotomia e as complicações que podem surgir.

Assim, a episiotomia pode ser indicada em alguns casos seletivos, de acordo com a avaliação do obstetra durante o parto, e incluem:

  • Risco muito elevado de lacerações graves no períneo, que podem atingir o intestino;
  • Sofrimento fetal;
  • Feto prematuro;
  • Peso do bebê acima de 4 kg;
  • Falha no progresso do trabalho de parto.

A episiotomia geralmente é decidida pela equipe médica durante o parto, mas a gestante pode deixar claro que não aprova este tipo de procedimento e, neste caso, o médico não deve realizar a episiotomia. 

A episiotomia é considerada uma violência obstétrica quando é feita sem o consentimento prévio da mulher, e por isso, caso seja necessária a sua realização, o médico deve informar à mulher que deve autorizar o procedimento, após ser esclarecida da necessidade do procedimento e dos possíveis riscos.

Como é feita

A técnica mais indicada para realização da episiotomia é a mediolateral, em que é realizado um corte lateral na região do períneo, oferecendo menor risco de rompimento da região anal. No entanto, é mais dolorosa e mais difícil de cicatrizar.

Outra técnica, que embora não seja a mais indicada, pode ser realizada por um equipe médica experiente, é a técnica de episiotomia mediana, em que é feito um corte vertical no períneo em direção ao ânus, que é mais fácil de reparar, mas tem maior risco de se estender até o ânus e causar complicações, como lesão no esfíncter anal e incontinência fecal.

Como é a recuperação

A recuperação após a episiotomia, no primeiro dia, é feita no hospital com acompanhamento do obstetra, do anestesista e do enfermeiro. Neste período o médico pode receitar remédios analgésicos para dor.

Os pontos utilizados na episiotomia normalmente são absorvidos pelo organismo ou caem naturalmente, não sendo necessário retornar ao hospital para removê-los e a região volta ao normal depois da cicatrização estar completa.

No entanto, alguns cuidados são importantes durante a recuperação da episiotomia e para garantir uma boa cicatrização, como manter a região íntima sempre limpa e seca. Dessa forma, é importante trocar o absorvente sempre que estiver sujo, manter uma boa higiene da região íntima e, sempre que possível, evitar usar calças ou calcinha para evitar o acúmulo de umidade.

Além disso, para facilitar a cicatrização e reduzir as dores provocadas pela episiotomia, pode-se ainda aplicar gelo na região e tomar remédios anti-inflamatórios prescritos pelo médico, como ibuprofeno ou paracetamol, por exemplo. Veja outros cuidados após a episiotomia

Quanto tempo demora para cicatrizar

O tempo de cicatrização da episiotomia varia de mulher para mulher, sendo maior quanto maior for o tamanho e a profundidade da ferida. No entanto, o tempo médio é de 6 semanas após o parto.

Durante esse tempo, a mulher pode ir iniciando gradualmente as suas atividades diárias, sem fazer esforços exagerados e de acordo com a indicação do médico. Já a atividade sexual só deve ser iniciada depois de a cicatrização estar completa.

Uma vez que a região ainda pode estar dolorida por mais tempo, uma boa dica antes de voltar a tentar o contato íntimo consiste em tomar um banho quente para ajudar os músculos a relaxar.

Saiba quais são os alimentos que aceleram a cicatrização da episiotomia nesse vídeo da nutricionista Tatiana Zanin:

Possíveis complicações

As principais complicações que podem ocorrer após a episiotomia são:

  • Lesões nos músculos da região íntima;
  • Hemorragia ou sangramento no local do corte;
  • Dor ou inchaço na cicatriz;
  • Lesão na uretra ou incontinência urinária;
  • Infecção no local do corte;
  • Aumento do tempo de recuperação do pós-parto;
  • Fístula reto vaginais;
  • Lesão no esfíncter ou na mucosa anal;
  • Incontinência fecal;
  • Dor crônica;
  • Prolapso de órgãos pélvicos.

Além disso, pode ocorrer dor durante o contato íntimo nos meses seguintes após o parto.

Para evitar o desenvolvimento de alguns destes problemas, a mulher pode realizar exercícios de Kegel durante a recuperação, conforme orientação do obstetra. Veja como fazer este tipo de exercício corretamente.  

Sinais de alerta para voltar ao médico

É importante consultar o obstetra ou procurar o pronto socorro mais próximo caso surjam sintomas como, febre, calafrios, sangramento ou pus na cicatriz, ou corrimento com mau cheiro.

Esses sintomas podem indicar uma infecção e, nesses casos, deve-se buscar ajuda médica imediatamente.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em junho de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

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Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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