Distrofia simpática reflexa: o que é, sintomas e tratamento

Revisão clínica: Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
agosto 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento

A distrofia simpática reflexa é um tipo de dor neuropática que leva ao surgimento repentino de uma forte dor e inchaço que pode surgir em uma perna, pé, braço ou mão, sendo geralmente causada por traumatismos no local afetado, como queda ou fratura, por exemplo.

A distrofia simpática reflexa, também conhecida como síndrome da dor complexa regional, a dor é sentida como sendo muito mais forte do que o esperado para o traumatismo que ocorreu, e ser acompanhada de outros sintomas como alterações na cor a na temperatura da pele, suor excessivo ou fraqueza.

O tratamento da distrofia simpática reflexa é feito pelo clínico geral, ortopedista ou reumatologista, que podem indicar o uso de remédios, fisioterapia ou terapia ocupacional, por exemplo.

Sintomas da distrofia simpática reflexa

Os principais sintomas da distrofia simpática reflexa são: 

  • Intensa dor em forma de queimação na região afetada;
  • Inchaço, que pode dificultar o uso de sapatos ou casacos;
  • Dor intensa que surge por estímulos que normalmente não causam dor, chamada alodínia;
  • Sensação de dor mais forte do que o esperado para o tipo trauma, conhecida como hiperalgesia;
  • Aumento da sensibilidade ao toque ou ao frio;
  • Mudança na cor da pele;
  • Aumento do suor e pele fria;
  • Surgimento de pêlos;
  • Rigidez nas articulações;
  • Tremores;
  • Espasmos musculares;
  • Fraqueza muscular, que dificulta os movimentos.

Além disso, é muito comum que pessoas com a distrofia simpática reflexa apresentem ansiedade ou piora da depressão já existente, afetando a qualidade de vida.

As mulheres são as mais afetadas e na maioria das vezes os locais do corpo mais atingidos são as pernas e os pés, embora os braços e as mãos possam ser afetados. Raramente os dois braços ou as duas pernas são afetadas ao mesmo tempo.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da distrofia simpática reflexa é feito pelo clínico geral, ortopedista ou reumatologista, através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde, traumas ou lesões recentes em alguma parte do corpo.

Geralmente, o diagnóstico da distrofia simpática reflexa é essencialmente clínico, no entanto, o médico pode solicitar exames de sangue, raio X, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para descartar outras condições de saúde que podem ter sintomas semelhantes, como síndrome de Guillain-Barré, esclerose múltipla, porfiria ou poliomielite, por exemplo.

Possíveis causas

As causas da distrofia simpática reflexa ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que pode surgir por uma combinação de fatores genéticos, imunológicos, inflamatórios ou neurológicos.

Geralmente, os sintomas da distrofia simpática reflexa podem surgir, em situações como:

  • Acidentes;
  • Traumatismos;
  • Fraturas ou lesões ósseas;
  • Cirurgias;
  • Infarto;
  • Infecções;
  • Torção em alguma articulação.
  • Eventos estressantes, como brigas, mudanças de emprego ou de escola;
  • Situações como morte ou doença na família.

Geralmente, a distrofia simpática reflexa é mais frequente em pessoas que sofrem de depressão ou são instáveis emocionalmente, tendo quadro de manias e inseguranças. No entanto, essa síndrome também pode afetar crianças que geralmente mostram-se perfeccionistas.

Como é feito o tratamento

O tratamento da distrofia simpática reflexa deve ser feito com orientação do clínico geral, ortopedista ou reumatologista, que pode indicar:

  • Analgésicos, como ibuprofeno ou naproxeno;
  • Antidepressivos, como amitriptilina;
  • Anticonvulsivantes, como gabapentina;
  • Corticóides, como a prednisona;
  • Bisfosfonatos, como alendronato;
  • Bloqueio anestésico local, feito pelo médico.

Além disso, o médico deve indicar a terapia ocupacional ou fisioterapia, que devem ser feitas com a orientação do fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional, com o objetivo de ajudar a aliviar a dor, diminuir o inchaço e melhorar os movimentos.

A fisioterapia pode ser feita com uso de bolsas frias ou quentes, aparelhos de eletroestimulação, uso de bandagem para diminuição do inchaço, massagem, exercícios para melhorar a força, fortalecer os ossos e desinchar, drenagem linfática manual ou uso de fitas coladas à pele para melhora da circulação sanguínea.

A acupuntura também consegue bons resultados, podendo ser recomendada como parte complementar do tratamento indicado pelo médico e pelo fisioterapeuta.

Quando a pessoa afetada realiza o tratamento proposto é possível haver uma melhora dos sintomas logo nas primeiras 6 a 8 semanas de tratamento e normalmente a cura é atingida em cerca de 6 meses.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em agosto de 2022.

Bibliografia

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Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.