Disbiose intestinal: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Tatiana Zanin
Nutricionista
maio 2022
  1. Sintomas 
  2. Diagnóstico
  3. Causas
  4. Tratamento

A disbiose intestinal é um desequilíbrio na microbiota intestinal, o que pode causar inflamação e levar à diminuição da capacidade do intestino em absorver nutrientes, podendo resultar em deficiências nutricionais, por exemplo. A principal causa da disbiose é a alimentação rica em proteína, gordura ou baixa em fibras, mas pode também ser consequência do uso de alguns medicamentos ou estresse.

Em alguns casos, a alteração da flora intestinal pode causar sintomas passageiros como náuseas, gases, vômitos, azia, diarreia ou prisão de ventre e, quando ocorre por muito tempo e não é tratada, pode piorar e aumentar o risco da pessoa desenvolver intolerância à lactose, doença celíaca ou síndrome do intestino irritável.

Na maioria dos casos a disbiose é passageira e a melhora dos sintomas pode ser alcançada através de mudanças do estilo de vida,  com uma dieta equilibrada ou com o uso de suplementos probióticos, de acordo com a orientação do gastroenterologista ou nutricionista. 

Principais sintomas 

Os principais sintomas da disbiose intestinal são:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Gases;
  • Arrotos;
  • Distensão abdominal;
  • Períodos alternados entre diarreia e prisão de ventre;
  • Fezes mal formadas;
  • Cansaço;
  • Dor de cabeça;
  • Candidíase de repetição.

Quando a disbiose acontece por muito tempo, pode haver maior risco da pessoa desenvolver doenças mais graves como intolerância à lactose, doença celíaca, síndrome do intestino irritável, doenças do coração, Alzheimer, câncer no reto, ou doenças do sistema imunológico como artrite, lúpus ou diabetes tipo 2.

Em caso de suspeita de disbiose, é importante marcar uma consulta com um gastroenterologista para que seja feita uma avaliação dos sintomas, do histórico de saúde e, se necessário, exames para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento mais adequado. 

Como confirmar o diagnóstico

Para realizar o diagnó́stico da disbiose, o médico deve realizar uma avaliação dos sinais e sintomas, história clínica e exame físico. No entanto, para confirmar o diagnóstico de disbiose, o médico pode indicar exames mais específicos, sendo os principais:

  • Indican: esse exame é feito a partir da coleta da primeira urina da manhã ou de urina concentrada por 4 horas. Nesse exame é avaliada a quantidade de Indican, que é uma substância produzida no organismo em resposta à alimentação, sendo liberada na urina. A presença de pequenas quantidades de Indican na urina é normal, mas, quando há desequilíbrio da flora intestinal, a eliminação de Indican na urina é muita alta, confirmando o diagnóstico de disbiose intestinal;
  • Microbioma intestinal: é um teste genético que tem como objetivo identificar todas as bactérias presentes na flora intestinal. Esse exame é feito ao esfregar um swab (cotonete) nas fezes, logo após a eliminação, e colocando o cotonete em um tubo, que é entregue ou enviado para o laboratório para fazer a análise.
  • Prova do hidrogênio expirado: esse exame é feito para identificar a presença de gases produzidos pelas bactérias do intestino. Para isso, a pessoa deve beber uma solução de glicose e, logo em seguida, respirar em um equipamento para que seja feita uma análise do ar expirado. Caso o exame indique grande ou pouca quantidade de gases, é sinal de desequilíbrio da microbiota intestinal.

Em alguns casos, o médico pode também indicar a realização de biópsia do intestino, que consiste na retirada de uma pequena amostra do tecido do intestino em que é verificada inflamação e/ ou infecção, que é enviada para o laboratório para análise.

Possíveis causas

As possíveis causas da disbiose intestinal são o tipo de dieta e o uso de medicamentos. Contudo, outros fatores como o consumo exagerado de bebida alcoólica e o estresse também podem gerar a disbiose.

Tipos de dieta

A dieta é a principal causa da disbiose e pequenas mudanças, excessos ou restrições na alimentação podem piorar a qualidade e a quantidade das bactérias no intestino. 

A ingestão excessiva de proteína animal como carnes, peixes e ovos aumenta a produção de compostos que são tóxicos para as bactérias benéficas do intestino, podendo causar a disbiose. 

Além disso, dietas com muita gordura e compostas por alimentos ricos em gordura do tipo saturada, como a presente em carnes vermelhas, leites, queijos e sorvetes, contribui para a diminuição das bactérias boas e aumento das bactérias ruins, causando inflamação na flora intestinal. Saiba o que é a flora intestinal, para que serve e como repor.

Alguns estudos mostram que uma dieta rica em alimentos com pouca ou sem fibras, como o açúcar refinado, farinhas refinadas, e glicose, encontrada em bolachas, doces e outros alimentos industrializados, também favorece o aumento das bactérias ruins no intestino, podendo causar a disbiose.

Uso de medicamentos

O uso de alguns medicamentos sem o devido acompanhamento médico  também pode causar alterações no equilíbrio da flora intestinal, resultando na disbiose. Alguns anti-inflamatórios, como aspirina e ibuprofeno quando usados com medicamentos que diminuem a acidez natural do estômago, alteram o equilíbrio das bactérias no intestino, causando a disbiose.

Muitos antibióticos causam alterações na flora intestinal e, quando tomados por muito tempo, podem gerar mudanças mais graves, gerando o crescimento de bactérias ruins e resistentes à ação do medicamento, dificultando o tratamento de doenças que necessitam do antibiótico, como as infecções intestinais. 

Outros fatores

Além dos medicamentos e dietas ricas em proteína, gordura ou baixa em fibras, fatores como o consumo exagerado de bebida alcoólica, idade, ansiedade, estresse, e algumas doenças intestinais já existentes, como síndrome do intestino irritável, diverticulite e inflamação intestinal, também favorecem o desequilíbrio da flora intestinal e, consequentemente, causam a disbiose.

Como é feito o tratamento 

Na maioria dos casos, o tratamento da disbiose é feito por meio de mudança nos hábitos alimentares, no entanto, em alguns casos pode ser necessário o uso de suplementos probióticos e, dependendo da gravidade, a realização de um transplante fecal.

1. Mudança dos hábitos alimentares

Para tratar a disbiose, além do acompanhamento médico é importante receber orientações de um nutricionista porque o tratamento é focado principalmente em recuperar a saúde da flora intestinal com uma alimentação adequada. Dessa forma, é recomendado: 

  • Priorizar os alimentos ricos em gordura insaturada, como azeite de oliva, abacate e amêndoa, pois promovem o aumento de bactérias benéficas no intestino, melhorando os sintomas da disbiose;
  • Ter uma dieta rica em prebióticos, um tipo de fibra presente em alguns alimentos como a aveia, alho, biomassa de banana verde, mel e batata yacon, pois são fundamentais para recuperar a flora intestinal, uma vez que são os nutrientes essenciais das  bactérias boas do intestino;
  • Comer alimentos ricos em fibras como, feijões, frutas com casca e vegetais frescos diariamente é fundamental, pois aumentam a variedade das bactérias benéficas no intestino, melhorando também a absorção e produção de vitaminas e minerais pelo intestino;
  • Consumir alimentos ricos em probióticos, que são as bactérias boas para o intestino, como iogurte, kefir e kombucha, promovendo o equilíbrio da flora intestinal, melhorando a disbiose. Veja os 6 alimentos probióticos que fazem bem à saúde.

É importante também evitar alimentos com lactose, como os leites e iogurtes, alimentos com carboidratos simples, como açúcar refinado, sorvetes, e chocolates, assim como o consumo excessivo de carboidratos como pães, massas, doces e geleias. Estes tipos de alimentos causam o aumento da fermentação, da produção de gases no intestino e diarreia, prejudicando a flora intestinal e piorando a disbiose.

Para o tratamento da disbiose, além de mudanças no hábito alimentar, a prática regular de atividade física, orientada por um profissional, também é muito importante.

Veja quais são os alimentos ricos em probióticos no vídeo a seguir:

2. Suplementos

O uso de suplementos probióticos, que contém a quantidade e os tipos adequados de bactérias boas como os lactobacillus e as bifidobactérias na forma de cápsulas, sachês ou líquidos, também pode ser indicado no tratamento da disbiose. Estes suplementos equilibram a flora intestinal, ajudam a tratar os sintomas e melhoram a produção e absorção de nutrientes pelo intestino.

Para se ter os benefícios dos suplementos probióticos, é importante que a ingestão seja diária na quantidade e tipo de bactéria necessária para cada sintoma ou doença causada pela disbiose. Estudos mostram que 108 a  109 Unidades Formadoras de Colônias (UFC) de probióticos quando consumidos por 15 dias, melhoram a flora intestinal.

Os suplementos probióticos podem ser encontrados com facilidade em drogarias, lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação. Saiba mais sobre o que são probióticos e para que servem e como tomar. 

3. Transplante fecal

O transplante fecal, que é a transferência de uma flora intestinal de uma pessoa saudável  para outra com disbiose, é utilizado para equilibrar as bactérias intestinais e melhorar os sintomas da disbiose. Este procedimento somente é indicado em casos de infecções intestinais muito recorrentes. Saiba mais sobre o que é o transplante de fezes, para que serve e como é feito.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em maio de 2022. Revisão clínica por Tatiana Zanin - Nutricionista, em maio de 2022.

Bibliografia

  • THURSBY, Elizabeth; JUGE, Nathalie. Introduction to the human gut microbiota. Biochemical Journal. Vol.474. 1823–1836, 2017
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  • GENEONE. Microbioma intestinal. Disponível em: <https://geneone.com.br/blog/microbioma-intestinal/>. Acesso em 19 mai 2021
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  • WEISS, G, Adrienne; HENNET, Thierry. Mechanisms and consequences of intestinal dysbiosis. Cellular and Molecular Life Sciences. Vol.74. 2959-2977, 2017
Revisão clínica:
Tatiana Zanin
Nutricionista
Formada pela Universidade Católica de Santos em 2001, com registro profissional no CRN-3 nº 15097.

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