Como fazer a Dieta Cetogênica para epilepsia

A dieta cetogênica para epilepsia é baseada em uma alimentação rica em gorduras, com quantidade moderada de proteínas e com baixo teor de carboidratos. Essa composição alimentar faz com que o organismo entre em estado de cetose, o que faz o cérebro utilizar corpos cetônicos como principal combustível para suas células, controlando as crises epilépticas.

Essa dieta é usada para casos de epilepsia refratária, que é a forma da doença de difícil controle, e deve ser seguida por cerca de 2 a 3 anos, quando pode-se iniciar tentativas de introduzir uma dieta comum, verificando o reaparecimento das crises. Com a dieta cetogênica, muitas vezes é possível reduzir a medicação para controle das crises.

Como fazer a Dieta Cetogênica para epilepsia

Como fazer a dieta

Para iniciar a dieta cetogênica, normalmente há o paciente e sua família são orientados para fazer um aumento gradual da quantidade de gorduras da dieta e uma redução de carboidratos, como pães, bolos, massas e arroz. Esse acompanhamento é feito em consultas semanais com o médico e o nutricionista, e uma primeira fase de adaptação necessária para que o paciente consiga fazer a dieta cetogênica total.

Nos casos em que o paciente apresenta alguma complicação da doença, ele deve ser internado e passar por um jejum de até 36 horas para que entre em estado de cetonúria, quando então a dieta cetogênica pode ser iniciada.

Há dois tipos de dieta que podem ser utilizados:

  • Dieta Cetogênica Clássica: 90% das calorias vêm de gorduras como manteiga, óleos, creme de leite e azeite, e os outros 10% vêm de proteínas como carnes e ovos, e de carboidratos como frutas e legumes.
  • Dieta Atkins modificada: 60% das calorias vêm de gorduras, 30% de alimentos ricos em proteínas e 10% de carboidratos.

A deita Atkins tem uma maior adesão pelo paciente e mais é fácil de seguir, devido ao seu alto teor de proteínas como carnes, ovos e queijos, o que melhora o sabor e facilita a preparação das refeições.

Cuidados com o açúcar nos alimentos

O açúcar está presente em diversos alimentos industrializados como sucos, refrigerantes, chás prontos, cappuccinos e produtos diet. Assim, é importante sempre observar a lista de ingredientes dos alimentos e evitar produtos que contenham os seguintes termos, que também são açúcares: dextrose, lactose, sucrose, glucose, sorbitol, galactose, manitol, frutose e maltose.

Além disso, suplementos vitamínicos e medicamentos que o paciente utilize também devem ser livres de açúcar.

Como fazer a Dieta Cetogênica para epilepsia

Quando fazer a dieta Cetogênica para Epilepsia

A dieta cetogênica deve ser utilizada como tratamento para epilepsia quando já se fez uso de pelo menos duas medicações específicas para o tipo de epilepsia (focal ou generalizada) sem obter sucesso na melhora das crises. Nesses casos, a doença é chamada de epilepsia refratária ou de difícil controle, e a alimentação pode entrar como uma opção eficaz de tratamento.

Quase todos os pacientes submetidos à dieta conseguem uma grande redução no número de crises, podendo-se até reduzir o uso dos medicamentos, sempre de acordo com orientação do médico. Após o término do tratamento com a dieta, que pode durar de 2 a 3 anos, espera-se que as crises mantenham-se reduzidas pela metade. Veja como é feito o tratamento completo para epilepsia.

Como fazer a Dieta Cetogênica para epilepsia

Efeitos Colaterais da Dieta

O excesso de gordura da dieta faz com que a criança ou o paciente adulto sinta menos fome, sendo necessária mais paciência e esforço do paciente e da família durante as refeições. Além disso, durante a fase de adaptação, podem haver problemas intestinais como prisão de ventre, diarreia, náuseas e vômitos.

Também é comum não haver ganho de peso nas crianças no primeiro ano da dieta, mas o seu crescimento e desenvolvimento deve se manter normal e deve ser acompanhado pelo pediatra. Também podem surgir sintomas como letargia, irritabilidade e recusar para se alimentar.

Já a dieta cetogênica para emagrecer, é menos restrita e tem outras características. Veja um exemplo de cardápio aqui.

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Atualizado por Manuel Reis, Enfermeiro em Outubro de 2018. Revisão clínica por Tatiana Zanin, Nutricionista em Outubro de 2018.
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