Crise de ausência: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
abril 2022

A crise de ausência é um tipo específico de epilepsia, que causa sintomas como perda súbita de consciência, como se a pessoa estivesse desligada do mundo ao redor, ficando quieta e com o olhar vago e fixo para o espaço, durante cerca de 10 a 30 segundos, e depois voltando rapidamente ao estado normal de alerta.

Esse tipo de epilepsia é mais comum em crianças entre 4 e 12 anos, mas também pode ocorrer em adultos. A crise de ausência não causa danos físicos e a criança normalmente deixa de ter as crises naturalmente na adolescência, porém, algumas crianças podem ter crises para o resto da vida ou desenvolver outros tipos de convulsões.

A crise de ausência é geralmente causada pela atividade anormal no cérebro e pode ser controlada com medicamentos anticonvulsivantes, prescritos pelo neurologista.

Sintomas da crise de ausência

Os principais sintomas da crise de ausência são: 

  • Perda súbita da consciência;
  • Parar os movimentos de forma repentina, sem cair no chão;
  • Olhar fixo e vago, como se estivesse fora do ar ou desligado do mundo;
  • Ausência de resposta ao que se é falado;
  • Ausência de reação a estímulos;
  • Apertar os lábios;
  • Fazer movimentos de mastigação;
  • Piscar ou revirar os olhos;
  • Fazer pequenos movimentos com a cabeça ou com as duas mãos;
  • Esfregar os dedos;
  • Palidez.

Geralmente, a crise de ausência dura cerca de 10 a 30 segundos, podendo ocorrer várias vezes ao longo do dia e, depois da crise, a pessoa recupera rapidamente o estado normal de alerta e continua a atividade que estava fazendo, não se lembrando do que aconteceu.

As crises de ausência podem ser difíceis de identificar, especialmente em crianças, podendo ser confundidas com falta de atenção, por exemplo. Por isso, é importante consultar um neurologista assim que são observados os sintomas, para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da crise de ausência é feito pelo neurologista através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde e através do exame físico em que o médico faz testes de comportamento, habilidades motoras e função mental. 

Além disso, para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar um exame de eletroencefalograma, para avaliar a atividade elétrica do cérebro. Durante esse exame, o médico pode pedir à pessoa para respirar muito rapidamente, porque isso pode desencadear uma crise de ausência.

Outros exames que o médico pode solicitar são ressonância magnética ou tomografia computadorizada, para obter imagens detalhadas do cérebro e descartar outras doenças como AVC ou tumor cerebral. 

Possíveis causas

A crise de ausência é causada por uma alteração da atividade elétrica dos neurônios no cérebro e também por uma alteração dos níveis de neurotransmissores cerebrais, que são substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios.

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento das crises de ausência, como:

  • Idade, sendo mais comum em crianças dos 4 e 12 anos;
  • Gênero, sendo mais frequente em meninas do que meninos;
  • História familiar de crise de ausência;

Além disso, em alguns casos, a respiração rápida ou luzes piscantes podem desencadear crise de ausência.

Como é feito o tratamento da crise de ausência

O tratamento da crise de ausência deve ser orientado pelo neurologista, que pode indicar o uso de remédios anticonvulsivantes, como a etossuximida, o ácido valpróico ou a lamotrigina, por exemplo. 

Normalmente, até aos 18 anos de idade, as crises de ausência tendem a parar naturalmente, porém é possível que a criança tenha crises de ausência para o resto da vida ou desenvolva outros tipos de epilepsia. Saiba mais sobre a epilepsia e como distinguir a crise de ausência do autismo.  

Além disso, como forma de ajudar a controlar e prevenir as crises de ausência, o médico pode recomendar fazer uma dieta cetogênica, que é rica em gorduras boas e pobre em carboidratos, devendo ser feita com orientação do nutricionista.

Confira no vídeo a seguir mais detalhes sobre como funciona a dieta cetogênica:

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em abril de 2022. Revisão médica por Drª. Beatriz Beltrame - Pediatra, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Revisão médica:
Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
Formada pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, em 1993 com registro profissional no CRM PR - 14218.

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