Dermatomiosite: o que é, sintomas, causas e tratamento

outubro 2022

A dermatomiosite é uma doença inflamatória rara que atinge músculos e pele, causando fraqueza muscular e lesões na pele. A dermatomiosite é mais frequente de acontecer em mulheres adultas, mas também pode acontecer em pessoas com menos de 16 anos, sendo chamada de dermatomiosite infantil.

A dermatomiosite é uma alteração autoimune, em que células de defesa do próprio corpo atacam os músculos e provocam inflamação da pele, e, apesar do motivo desta reação ainda não estar totalmente esclarecido, sabe-se que está relacionado a alterações genéticas, ou influenciada pelo uso de alguns medicamentos ou por infecções virais.

A dermatomiosite não tem cura, sendo por isso uma doença crônica, no entanto, o tratamento com medicamentos corticoides ou imunossupressores pode ajudar a controlar os sintomas, sendo importante que o dermatologista ou reumatologista seja consultado.

Principais sintomas

Os sintomas de dermatomiosite podem incluir:

  • Fraqueza muscular, especialmente nas regiões escapular, pélvica e cervical, de forma simétrica e com piora gradual;
  • Aparecimento de manchas ou pequenos caroços avermelhados na pele, principalmente nas articulações dos dedos, cotovelos e joelhos, chamadas de sinal ou pápulas de Gottron;
  • Manchas violáceas nas pálpebras superiores, chamadas de heliotropo;
  • Dor e inchaço das articulações;
  • Febre;
  • Cansaço;
  • Dificuldade para engolir;
  • Dores no estômago;
  • Vômitos;
  • Perda de peso.

As pessoas com dermatomiosite podem apresentar dificuldades para fazer as atividades diárias como pentear os cabelos, andar, subir escadas ou levantar de uma cadeira. Além disso, os sintomas da pele podem piorar com a exposição ao sol.

Nos casos mais graves, ou quando a dermatomiosite surge em associação com outras doenças autoimunes, podem ainda ser atingidos outros órgãos como coração, pulmões ou rins, afetando o seu funcionamento e causando complicações graves.

Possíveis causas

As causas da dermatomiosite ainda não estão muito bem definidas, no entanto acredita-se que possa ser influenciada por fatores genético e/ ou do ambiente, como infecção por vírus, exposição a substâncias químicas ou radiação. Assim, como consequência desses fatores, poderia haver superativação do sistema imune, que passa a atacar as células do próprio corpo e provocar inflamação.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da dermatomiosite deve ser feito pelo dermatologista ou reumatologista levando em consideração os sinais e sintomas apresentados pela pessoa. Além disso, são indicados pelo médico a realização de alguns exames como biópsia muscular, eletromiografia ou testes de sangue para detectar a presença de substâncias que indiquem destruição dos músculos, como os exame de CPK, DHL ou AST, por exemplo.

Pode haver a produção de auto-anticorpos, como Anticorpos miosite específicos (MSAs), anti-RNP ou anti MJ, por exemplo. que podem ser encontrados em quantidade elevada nos exames de sangue.

Para confirmar o diagnóstico, também é necessário que o médico diferencie os sintomas da dermatomiosite de outras doenças que provocam sintomas semelhantes, como a polimiosite ou miosite com corpúsculos de inclusão, que são também doenças inflamatórias dos músculos. Outras doenças que devem ser consideradas são miofascite, miosite necrotizante, polimialgia reumática ou inflamações provocadas por medicamentos, como clofibrato, sinvastatina ou anfotericina, por exemplo.

Tratamento para dermatomiosite

O tratamento da dermatomiosite é feito de acordo com os sintomas apresentados, sendo indicado pelo médico:

  • Corticoides como Prednisona, pois reduzem a inflamação no corpo;
  • Imunossupressores como Metotrexato, Azatioprina, Micofenolato ou Ciclofosfamida, para diminuir a resposta do sistema imune;
  • Outros remédios, como Hidroxicloroquina, pois são úteis para aliviar sintomas dermatológicos, como a sensibilidade à luz, por exemplo.

Estes remédios são tomados, geralmente, em doses elevadas e durante períodos prolongados, e têm como ação diminuir o processo inflamatório e reduzir os sintomas da doença. Quando estes remédios não funcionam, outra opção é administração de imunoglobulina humana.

É ainda possível fazer sessões de fisioterapia, com exercícios de reabilitação que ajudam a aliviar os sintomas e a evitar contraturas e retrações. É também indicada a fotoproteção, com protetores solares, para evitar a piora das lesões de pele.

Quando a dermatomiosite está associada ao câncer, o tratamento mais adequado é tratar o câncer, fazendo com que muitas vezes os sinais e sintomas da doença sejam aliviados.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em outubro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em outubro de 2019.

Bibliografia

  • COSTA, Sofia A. Abordagem Terapêutica na Dermatomiosite. Tese de mestrado, 2020. Universidade do Algarve - Faculdade de Ciências e Tecnologia.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Dermatomiosite Juvenil. Disponível em: <https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/dermatomiosite-juvenil/>. Acesso em 06 out 2022
Mostrar bibliografia completa
  • NÚCLEO DE ESTUDOS DE DOENÇAS AUTO-IMUNES (NEDAI) DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE MEDICINA INTERNA (SPMI). Poliomielite e Dermatomiosite. Disponível em: <https://www.spmi.pt/wp-content/uploads/NEDAI_69.pdf>. Acesso em 06 out 2022
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.