Contratura de Dupuytren: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
agosto 2022

A contratura de Dupuytren é a formação de tecido fibroso na mão e um espessamento da pele na palma da mão, fazendo com que surjam nódulos ou cordões, que podem ser sentidos ao pressionar a região da palma da mão, resultando em contratura de um ou mais dedos, que ficam mais dobrado que os outros.

Essa contratura é benigna e afeta principalmente os homens, a partir dos 50 anos de idade, e geralmente causada por fatores genéticos ou outras condições como diabetes, epilepsia, hábito de fumar ou consumo excessivo de bebidas alcoólicas, por exemplo.

O tratamento da contratura de Dupuytren é feito pelo ortopedista ou reumatologista, que pode indicar fisioterapia, aplicação de injeções para ajudar a desfazer os nódulos, ou em casos mais graves, cirurgia.

Sintomas da contratura de Dupuytren

Os sintomas da contratura de Dupuytren são:

  • Espessamento da pele na palma da mão;
  • Rugas ou covinhas na palma da mão;
  • Branqueamento da pele quando o dedo é estendido;
  • Caroços na palma da mão, que progridem e formam 'cordas' na área afetada;
  • Contratura do dedo afetado, que fica mais dobrado que os outros;
  • Dificuldade em abrir os dedos afetados;
  • Dificuldade em pousar a mão devidamente aberta numa superfície plana, como numa mesa, por exemplo.

Os sintomas da contratura de Dupuytren progridem lentamente ao longo de anos, afetando mais frequentemente o dedo mindinho e o anelar, mas também pode afetar o dedo médio, e raramente o dedo indicador e o polegar.

Geralmente, a contratura de Dupuytren afeta apenas uma mão, embora também possa surgir nas duas mãos ao mesmo tempo, e interferir nas atividades do dia-a-dia e na qualidade de vida, provocando dor ou dificuldade para abrir completamente a mão.

É importante consultar o clínico geral ou o ortopedista, caso surjam os sintomas da contratura de Dupuytren, para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da contratura de Dupuytren é feito pelo clínico geral ou ortopedista, através do exame físico da mão e dos dedos, e geralmente não são necessários exames específicos.

Possíveis causas

As causas da contratura de Dupuytren não são totalmente conhecidas, no entanto, por alterações no tecido conjuntivo da palma da mão, levando ao surgimento dos sintomas, sendo mais comum em homens do que mulheres.

Alguns fatores que podem contribuir para o surgimento da contratura de Dupuytren são:

  • Fatores genéticos, como alterações nos genes RSPO2, WNT4, and SRFP4;
  • Histórico familiar da contratura de Dupuytren;
  • Idade, sendo mais comum após os 50 anos;
  • Diabetes;
  • Epilepsia;
  • Hábito de fumar;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Infecção pelo vírus HIV;
  • Doença vascular;
  • Doença de Ledderhose;
  • Doença de Peyronie;
  • Doença de Garrod.

A contratura de Dupuytren não afeta os tendões, e o uso excessivo ou lesões nas mãos, não aumentam o risco de desenvolver a doença.

Como é feito o tratamento

O tratamento da contratura de Dupuytren deve ser feito com orientação do ortopedista ou reumatologista, e varia de acordo com a gravidade dos sintomas, sendo que nos casos mais leves, pode ser recomendado apenas acompanhamento médico a cada 6 meses para avaliar a evolução da doença.

No entanto, quando a doença evolui, a contratura é grave, e interfere nas atividades do dia a dia e na qualidade de vida, o médico pode indicar alguns tratamentos, que incluem:

1. Fisioterapia

A fisioterapia pode ser indicada pelo médico nos estágios iniciais da contratura de Dupuytren e feita com orientação do fisioterapeuta, que pode utilizar recursos anti-inflamatórios como laser ou ultrassom, por exemplo.

Além disso, pode ser feita a mobilização da articular, como o uso de tala para esticar o dedo afetado ou terapia manual é capaz de trazer alívio da dor e maior amplitude dos movimentos do dedo, além de ajudar a evitar aderências nos tecidos da mão, trazendo maior conforto e melhorando a qualidade de vida.

2. Injeção de corticoide

A injeção de corticoide pode ser feita pelo ortopedista ou reumatologista, aplicando o medicamento diretamente nos nódulos da mão, especialmente quando os nódulos são dolorosos.

Geralmente, é utilizada a cortisona, um tipo de anti-inflamatório forte, o que pode ajudar a aliviar rapidamente a sensibilidade e a dor.

3. Aponeurotomia por agulha

A aponeurotomia por agulha, também chamada de fasciotomia por agulha percutânea, é um procedimento realizado pelo médico, indicada nos casos de contratura leve.

Esse procedimento é feito utilizando uma agulha para romper os cordões, seguida da manipulação do dedo afetado e uso de tala para esticar o dedo afetado.

4. Injeção de colagenase

Uma outra forma de tratamento, menos comum, é a aplicação de uma enzima chamada colagenase, derivada da bactéria Clostridium histolyticum, diretamente nos nódulos da mão, que ajuda a quebrar o colágeno.

Esse procedimento é feito pelo médico, sendo que 24 a 48 horas após a injeção de colagenase, é feita a aplicação de anestesia local e manipulação da mão. Além disso, o médico deve recomendar o uso de tala noturna por até 6 meses.

5. Cirurgia

A cirurgia, chamada fasciectomia, pode ser indicada pelo médico quando a contratura é grave, limita a movimentação da mão e interfere na qualidade de vida.

Essa cirurgia é feita removendo o tecido afetado da mão, o que pode promover o alívio dos sintomas por tempo prolongado.

Depois da cirurgia é preciso voltar a fazer fisioterapia, e geralmente é usada uma tala para manter os dedos estendidos, durante 4 meses, que deve ser retirada apenas para a higiene pessoal e para realizar a fisioterapia. Depois desse período, o médico pode voltar a avaliar, e reduzir o uso desta tala de imobilização para usar somente durante o sono, por mais 4 meses.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em agosto de 2022.

Bibliografia

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Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.