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Conização: para que serve, como é feita, recuperação e complicações

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
janeiro 2023
  1. Indicações
  2. Preparo
  3. Como é feita
  4. Recuperação
  5. Complicações

A conização do colo do útero é um procedimento cirúrgico indicado para o diagnóstico e tratamento de alterações no colo do útero, como displasias, lesões pré-cancerígenas, ou câncer de colo de útero nos em estágios iniciais.

Geralmente, o ginecologista realiza esse procedimento, quando existe alguma alteração identificada através do exame preventivo, sendo feita a retirada de um pedaço do colo do útero, na forma de um cone, para biópsia e, assim, ser analisado no laboratório. Veja como é feito o exame preventivo.

A conização é feita pelo ginecologista com anestesia local e/ou sedação leve, sendo oferecida gratuitamente pelo SUS, ou pode ser feita em clínicas ou hospitais particulares.

Imagem ilustrativa número 1

Quando é indicada

A conização é indicada para:

  • Diagnóstico de lesão suspeita de câncer invasivo ou um adenocarcinoma in situ do colo do útero;
  • Avaliação de lesões no colo do útero quando os exames de histologia e citológico possuem resultados diferentes;
  • Diagnóstico de anormalidades das células do colo do útero, quando o exame de colposcopia não foi suficiente para visualizar as alterações;
  • Diagnóstico de lesões pré-malignas ou malignas do colo do útero;
  • Tratamento de displasia do colo do útero, NIC 2 ou NIC 3;
  • Tratamento do câncer de colo de útero de células escamosas em estágios iniciais (1A1), se a mulher deseja manter a fertilidade.

A conização pode ainda ser feita em mulheres com sintomas semelhantes aos do câncer de colo do útero, como sangramento anormal, dor pélvica constante ou corrimento com mau cheiro, mesmo que não sejam visíveis alterações no tecido. Veja os principais sintomas de câncer de colo do útero.

Como se preparar

Alguns cuidados são importantes antes de fazer a conização, como:

  • Informar ao médico se apresenta alergia ao iodo, antes de fazer o procedimento, pois é aplicada uma solução desinfetante à base de iodo no colo do útero;
  • Informar ao médico sobre o uso de remédios anticoagulantes, como varfarina, heparina, rivaroxabana ou ácido acetilsalicílico, pois podem aumentar o risco de sangramento;
  • Informar ao médico se apresenta alergia a outros medicamentos ou látex, por exemplo;
  • Fazer jejum de cerca de 6 a 8 horas, antes da conização, caso seja indicada a aplicação de sedação leve.

Além disso, pode ser recomendado pelo ginecologista, não ter relação sexual por 24 horas antes da conização.

Como é feita a conização

A cirurgia de conização é bastante simples e rápida, durando aproximadamente 15 a 30 minutos.

A conização do útero pode ser feita apenas sob sedação leve, mas é muitas vezes realizada sob sedação leve, sendo por isso feita numa unidade cirúrgica. A mulher pode voltar a casa no mesmo dia, não precisando ficar internada.

Durante o procedimento, a mulher é colocada em posição ginecológica, de pernas abertas, e o médico coloca o espéculo na entrada da vagina para observar o colo do útero e aplicar uma solução à base de iodo para fazer a desinfecção do colo do útero.

Depois, usando um pequeno laser ou um aparelho semelhante a um bisturi, o médico retira uma amostra de cerca de 2 cm, que será analisada em laboratório. 

Por fim, são inseridas algumas compressas na vagina para parar a hemorragia, que devem ser removidas antes que a mulher regresse a casa ou um medicamento na forma de esponja, para reduzir o sangramento e ajudar na cicatrização.

Como é a recuperação

Embora a cirurgia seja relativamente rápida, a recuperação da conização pode demorar até 1 mês para estar completa e, durante esse período, são recomendados alguns cuidados, como:

  • Tomar os remédios analgésicos ou anti-inflamatórios, para aliviar a dor ou o desconforto, conforme recomendado pelo médico;
  • Tomar o antibiótico receitado pelo médico, como a azitromicina, em dose única no dia da cirurgia, conforme indicado pelo médico;
  • Utilizar o óvulo vaginal receitado pelo médico, 1 vez por dia, à noite, durante 10 dias, iniciando seu uso 3 dias após a conização, ou conforme orientação médica;
  • Fazer repouso de 2 a 7 dias, conforme orientação médica;
  • Evitar esforços leves a moderados, no dia da cirurgia e no dia seguinte;
  • Evitar ter relações sexuais por cerca de 6 semanas;
  • Evitar esforços intensos, como fazer a limpeza da casa ou ir à academia, por 30 dias;
  • Não usar duchas vaginais ou absorventes internos, e não fazer banhos de assento, por pelo menos 1 mês;
  • Fazer a higiene íntima, de 1 a 2 vezes por dia, com o sabonete íntimo indicado pelo médico.

Durante o pós-operatório da conização do útero é normal que aconteçam pequenos sangramentos escuros, por cerca de 3 a 4 semanas, que não são sinal de alarme. 

No entanto, é recomendado que a mulher fique sempre atenta se o sangramento é muito abundante, de cor vermelho vivo ou se existem sinais de uma possível infecção como cheiro fétido, corrimento amarelado ou esverdeado, e febre. Caso estes sinais estejam presentes deve-se ir ao hospital ou voltar ao ginecologista.

Possíveis complicações

A principal complicação após uma conização é o risco de hemorragia. Por isso, mesmo já tendo regressado a casa, a mulher deve ficar atenta ao surgimento de sangramento abundante e de cor vermelho vivo, pois pode indicar uma hemorragia.

Além disso, o risco de infecção também é bastante elevado após a conização. Por isso, a mulher deve ficar atenta a sinais como:

  • Corrimento vaginal esverdeado ou com mau cheiro;
  • Dor na região inferior da barriga;
  • Desconforto ou coceira na região vaginal;
  • Febre acima de 38ºC.

Outra das possíveis complicações é o desenvolvimento de uma insuficiência do colo uterino durante a gravidez. Isso faz com que a mulher tenha o colo do útero diminuído ou aberto, causando dilatação que pode levar ao aborto ou início de trabalho de parto prematuro. Entenda melhor o que significa ter o colo do útero aberto ou fechado.  

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em janeiro de 2023. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • HEALTH LINK BC. Cone Biopsy (Conization) for Abnormal Cervical Cell Changes. Disponível em: <https://www.healthlinkbc.ca/health-topics/hw27835>. Acesso em 22 jun 2021
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Mostrar bibliografia completa
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Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.