Sintomas de câncer de colo de útero, diagnóstico e tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
dezembro 2021
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Estágios
  4. Tratamento

O câncer de colo do útero é um tipo de câncer que está principalmente relacionado com a infecção pelo vírus HPV, possuindo desenvolvimento lento e que não leva ao aparecimento de sinais ou sintomas, sendo percebido apenas durante a realização de exames ginecológicos.

No entanto, quando o câncer já está em uma fase mais avançada, podem ser notados alguns sintomas como sangramento vaginal fora da menstruação e após a relação sexual, corrimento alterado e dor pélvica constante.

É importante que a mulher consulte o ginecologista com regularidade e que realize o exame preventivo todos os anos ou de acordo com a orientação do médico, pois assim é possível que seja identificada precocemente qualquer alteração que possa ser sugestiva de câncer, sendo então iniciado o tratamento mais adequado.

Sintomas de câncer de colo de útero

O câncer de colo de útero tem desenvolvimento lento e, por isso, na fase inicial da doença não são identificados sinais ou sintomas, sendo esse tipo de câncer identificado apenas durante o exame preventivo ou quando o câncer já está em estágio mais avançado, já que nessa fase podem haver sintomas, sendo os principais:

  • Sangramento vaginal sem causa aparente e fora da menstruação, podendo acontecer também após a relação sexual;
  • Corrimento vaginal alterado, com mau cheiro ou coloração marrom, por exemplo;
  • Dor abdominal ou pélvica constante, que pode piorar ao usar o banheiro ou durante o contato íntimo;
  • Sensação de pressão no fundo da barriga;
  • Vontade de urinar mais frequente, mesmo durante a noite;
  • Perda rápida de peso sem estar fazendo dieta.

Além disso, em alguns casos pode haver também cansaço excessivo, dor e inchaço nas pernas, assim como perdas involuntárias de urina ou de fezes. Conheça outros sinais que podem indicar problemas no útero.

Na presença de sinais e sintomas indicativos de alterações no útero, é importante que o ginecologista seja consultado para que seja feita uma avaliação e exames que ajudem a identificar a causa dos sintomas e a presença de células com características potencialmente malignas. Veja quais são os exames que avaliam o colo do útero.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do câncer de colo de útero deve ser feito pelo ginecologista através da realização de exame pélvico e avaliação da história clínica. Durante a avaliação ginecológica, pode ser realizado o toque vaginal e análise da vagina e do colo do útero. 

Além disso, é indicada a realização do exame de colposcopia e o papanicolau, que também é conhecido como exame preventivo, pois assim é possível avaliar mais detalhadamente o colo do útero. Conheça mais sobre o exame de papanicolau.

Caso seja verificado durante o exame de papanicolau a presença de células anormais, pode ser solicitada a realização de uma biópsia, em que é feita a coleta de uma pequena amostra do tecido do colo do útero para ser analisada em laboratório.

Quem tem maior risco de ter câncer

O risco de câncer de colo de útero é maior em mulheres que apresentam infecção pelo HPV, possuem múltiplos parceiros sexuais, que fazem uso de anticoncepcionais orais por muito tempo ou que fumam muito. Além disso, o risco é maior em mulheres que possuem outras infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia ou gonorreia, por exemplo.

Estágios do câncer de colo de útero

Após realizar o diagnóstico, o médico normalmente classifica o câncer de colo de acordo com o seu estágio de desenvolvimento, sendo o estágio indicado no laudo médico:

  • Tx: Tumor primário não identificado;
  • T0: Sem evidência do tumor primário;
  • Tis ou 0: Carcinoma in situ.

Estágio 1:

  • T1 ou I: Carcinoma cervical somente no útero;
  • T1 a ou IA: Carcinoma invasor, diagnosticado somente pela microscopia;
  • T1 a1 ou IA1: Invasão estromal de até 3 mm de profundidade ou até 7 mm na horizontal;
  • T1 a2 ou IA2: Invasão estromal ente 3 e 5 mm de profundidade ou até 7 mm na horizontal;
  • T1b ou IB: Lesão clinicamente visível, somente no colo do útero, ou lesão microscópica maior que T1a2 ou IA2;
  • T1b1 ou IB1: Lesão clinicamente visível com 4 cm ou menos em sua maior dimensão;
  • T1b2 IB2: Lesão clinicamente visível com mais de 4 cm em sua maior dimensão.

Estágio 2:

  • T2 ou II: Tumor encontrado dentro e fora do útero, mas não atinge a parede pélvica ou o terço inferior da vagina;
  • T2a ou IIA: Sem invasão do paramétrio;
  • T2b ou IIB: Com invasão do paramétrio.

Estágio 3:

  • T3 ou III: Tumor que se estende à parede pélvica, compromete a parte inferior da vagina, ou causa alteração nos rins;
  • T3a ou IIIA: Tumor que compromete o terço inferior da vagina, sem extensão à parede pélvica;
  • T3b ou IIIB: Tumor que se estende à parede pélvica, ou causa alteração nos rins

Estágio 4:

  • T4 ou IVA: Tumor que invade a mucosa vesical ou retal, ou que se estende além da pélvis.

Além de saber o tipo de câncer cervical que a mulher possui também é importante saber se há linfonodos afetados e metástases ou não, porque ajuda a determinar o tipo de tratamento que a mulher precisa fazer.

Como é feito o tratamento

O tratamento para câncer de colo do útero depende do estágio em que o tumor se encontra, se existem metástases da doença, da idade e do estado de saúde geral da mulher. As principais opções de tratamento incluem:

1. Conização

A conização consiste na retirada de uma pequena parte do colo do útero, em forma de cone. Embora seja uma técnica mais utilizada para fazer a biópsia e confirmar o diagnóstico de câncer, a conização também pode ser considerada uma forma de tratamento padrão em casos de HSIL, que é a lesão escamosa intraepitelial de alto grau, que ainda não é considerada câncer, mas pode vir a evoluir para câncer. Veja como é feita a conização do útero.

2. Histerectomia

A histerectomia é o principal tipo de cirurgia indicado para o tratamento do câncer de colo de útero, que pode ser utilizada nas fases iniciais ou mais avançadas e que, normalmente, é feita de uma das seguintes formas:

  • Histerectomia total: remove apenas o útero e o colo do útero e pode ser feita através de um corte no abdome, por laparoscopia ou através do canal vaginal. Normalmente é utilizada para tratar câncer do colo de útero no estágio IA1 ou no estágio 0.
  • Histerectomia radical: além do útero e do colo do útero, também são removidos a parte superior da vagina e os tecidos próximos, que podem estar afetados pelo câncer. Em geral, esta cirurgia é recomendada para casos de câncer nos estágios IA2 e IB, sendo feita apenas por corte no abdome.

É importante lembrar que nos dois tipos de histerectomia os ovários e as trompas só são retirados se também tiverem sido afetados pelo câncer ou se apresentarem outros problemas. Veja os tipos de histerectomia e os cuidados após a cirurgia.

3. Traquelectomia

A traquelectomia é outro tipo de cirurgia que remove apenas o colo do útero e o terço superior da vagina, deixando o corpo do útero intacto, o que permite que a mulher ainda possa engravidar depois do tratamento. Normalmente, esta cirurgia é utilizada nos casos de câncer de colo de útero detectados precocemente e que, por isso, ainda não afetou outras estruturas.

4. Exenteração pélvica

A exenteração pélvica é uma cirurgia mais extensa que pode ser indicada nos casos em que o câncer volta e afeta outras regiões. Nesta cirurgia são retirados o útero, o colo do útero, os gânglios da pélvis, podendo também ser necessário retirar outros órgãos como ovários, trompas, vagina, bexiga e parte do final do intestino.

5. Radioterapia e quimioterapia

O tratamento com radioterapia ou quimioterapia podem ser usados tanto antes quanto depois dos tratamentos cirúrgicos, para auxiliar no combate do câncer, especialmente quando este está em estágios avançados ou quando existem metástases do tumor.

Esta informação foi útil?

Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em dezembro de 2021. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em outubro de 2020.

Bibliografia

  • INCA. Câncer do colo do útero. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero>. Acesso em 09 dez 2021
  • NHS. Cervical cancer. Disponível em: <https://www.nhs.uk/conditions/cervical-cancer/symptoms/>. Acesso em 03 dez 2020
Mostrar bibliografia completa
  • CDC. Cervical Cancer. Disponível em: <https://www.cdc.gov/cancer/cervical/index.htm>. Acesso em 03 dez 2020
  • PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION. Treatment for cervical cancer. Disponível em: <https://www.paho.org/hq/index.php?option=com_docman&view=download&category_slug=fact-sheets-3574&alias=36303-fact-sheet-5-treatment-cervical-cancer-303&Itemid=270&lang=en>. Acesso em 03 dez 2020
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.