8 ​sinais de comportamento suicida (e como prevenir)

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
agosto 2022

O comportamento suicida pode surgir como consequência de diversos fatores, desde transtornos psicológicos, como depressão, esquizofrenia ou transtornos de personalidade, até comportamentos e situações socioeconômicas, como sofrer descriminação, ter sofrido uma perda muito forte ou fazer consumo de drogas, por exemplo.

No entanto, este tipo de comportamento pode ser evitado, especialmente quando os familiares ou amigos conseguem identificá-lo a tempo, ajudando a pessoa a procurar ajuda profissional e iniciar o tratamento adequado.

Se acha que alguém pode estar apresentando sinais de comportamento suicida, assinale os sinais que consegue observar e avalie o possível o risco de suicídio:

  1. 1.Tristeza excessiva e falta de vontade para estar com outras pessoas
  2. 2.Alteração repentina do comportamento com uso de roupa muito diferente do habitual, por exemplo
  3. 3.Tratar de vários assuntos pendentes ou fazer um testamento
  4. 4.Demonstrar calma ou despreocupação depois de um período de grande tristeza ou depressão
  5. 5.Fazer ameaças de suicídio frequentes

Principais sinais de comportamento suicida

Os principais sinais que indicam um possível comportamento suicida são:

1. Fazer ameaças de suicídio

A maior parte das pessoas que estão pensando em suicídio irão informar um amigo ou familiar das suas intenções. Embora esse comportamento, muitas vezes, seja visto como uma forma de chamar a atenção, nunca deve ser ignorado, especialmente se a pessoa está vivendo uma fase de depressão ou de grandes alterações na sua vida.

2. Mostrar tristeza excessiva e isolamento

Estar frequentemente triste e sem vontade para participar em atividades com os amigos ou fazer o que se fazia antigamente são alguns sintomas de depressão, que, quando não tratada, é uma das principais causas do suicídio.

Normalmente, a pessoa não consegue identificar que está com depressão e acha apenas que não está sendo capaz de lidar com as outras pessoas ou com o trabalho, o que, ao longo do tempo, acaba deixando a pessoa desanimada e sem vontade para viver. Veja como confirmar se é depressão e como fazer o tratamento.

3. Mudança nos hábitos de sono e alimentação

Algumas mudanças repentinas no comportamento como alterações do sono e do apetite, além de mostrar um comportamento tranquilo e despreocupado após um grande período de tristeza, depressão ou ansiedade, pode ser um sinal de que a pessoa tem pensamentos suicidas, porém isso não é uma regra.

Muitas vezes, esses períodos de calma podem ser interpretados pelos familiares como uma fase de recuperação da depressão, podendo ser difícil de identificar, devendo ser sempre avaliados por um psicólogo para confirmar que não existem ideias suicidas.

4. Perda de interesse em atividades prazerosas

É comum que a pessoa com comportamento suicida perde a vontade e o interesse por atividades que antes traziam prazer, como dançar, sair com amigos, ler ou escutar música, por exemplo. Isso porque a situação emocional em que se encontra impede a pessoa de sair do pensamento contínuo de acabar com a sua vida, focando sua atenção nesse objetivo, deixando em segundo plano outras atividades do dia a dia, como ir ao cinema, fazer comprar, entre outros.

5. Isolamento social

As crises emocionais que acontecem na pessoa com pensamentos suicidas fazem com que aconteça um afastamentos de seus círculos sociais, como amigos, família, trabalho ou escola, por exemplo, o que aumenta os pensamentos de querer por fim à vida.

Por isso, é importante que diante da ausência de um amigo ou familiar de eventos sociais, além de mudanças no estilo de vida, como descuido repentino com a aparência e, até mesmo, verbalização do desejo de morrer, é importante que a ajuda seja procurada.

6. Uso e abuso de álcool e drogas

O comportamento suicida frequentemente é acompanhado por transtornos psicológicos como depressão e transtornos da personalidade, os quais podem fazer com que a pessoa consuma álcool ou drogas de abuso com o objetivo de fugir da situação em que se encontra, aumentando a gravidade dos sintomas depressivos e favorecendo o comportamento suicida.

7. Alterar o comportamento ou descuido pessoal

Uma pessoa com ideias suicidas pode comportar-se de forma diferente do habitual, falando de outra forma, deixando de conseguir entender o humor de uma conversa ou, até, participando em atividades de risco, como utilizar drogas, ter contato íntimo desprotegido ou dirigir a grande velocidade.

Além disso, como na maioria das vezes já não existe interesse pela vida, é comum que se deixe de dar atenção para a forma como se veste ou se cuida, utilizando roupa velha, suja ou deixando crescer o cabelo e a barba.

8. Tratar de assuntos pendentes

Quando alguém está pensando cometer suicídio é comum começar a fazer várias tarefas para tentar organizar sua vida e terminar assuntos pendentes, como faria se fosse viajar por muito tempo ou viver para outro país. Alguns exemplos são visitar familiares que já não vê há muito tempo, pagar pequenas dívidas ou oferecer vários objetos pessoais, por exemplo.

Em muitos casos, também é possível que a pessoa gaste muito tempo escrevendo, o que pode ser um testamento ou até uma carta de despedida. Por vezes, estas cartas podem ser descobertas antes da tentativa de suicídio, ajudando a evitar que aconteça.

Como ajudar e prevenir o suicídio

Quando se tem suspeita de que alguém próximo pode estar apresentando pensamentos suicidas, o mais importante é demonstrar compreensão e empatia por essa pessoa, tentando compreender a situação e os sentimentos associados. Por isso, é importante perguntar à pessoa sobre o seu estado de ânimo, saber se a pessoa está triste, deprimida e se está pensando em suicídio.

Em seguida, deve-se buscar ajuda de um profissional qualificado, como um psicólogo ou psiquiatra, que têm como objetivo tentar mostrar à pessoa que existem outras soluções para o seu problema, que não o suicídio.

As tentativas de suicídio são, na maioria das vezes, impulsivas e, por isso, para prevenir uma tentativa de suicídio também se deve retirar todo o material que possa ser utilizado para se suicidar, como armas, comprimidos ou facas, dos locais onde essa pessoa passa mais tempo. Isto evita comportamentos de impulsividade, fazendo com que se tenha mais tempo para pensar numa solução menos agressiva para os problemas.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em agosto de 2022.

Bibliografia

  • MADRID: MINISTERIO DE SANIDAD, POLÍTICA SOCIAL E IGUALDAD. La conducta suicida - Información para pacientes, familiares y allegados. 2010. Disponível em: <https://consaludmental.org/publicaciones/Laconductasuicida.pdf>. Acesso em 17 jun 2021
  • SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA. OMS alerta: Suicídio é a 3ª causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. Disponível em: <http://www.saude.ba.gov.br/2020/09/10/oms-alerta-suicidio-e-a-3a-causa-de-morte-de-jovens-brasileiros-entre-15-e-29-anos/>. Acesso em 17 jun 2021
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  • WHO. Prevención del suicidio - un instrumento para docentes y demás personal institucional. 2001. Disponível em: <https://www.who.int/mental_health/media/en/63.pdf>. Acesso em 17 jun 2021
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.