Bulimia: o que é, sintomas, causas e tratamento

julho 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Complicações
  4. Tratamento

A bulimia é um transtorno alimentar em que existe consumo excessivo de alimentos num curto período de tempo, seguido de preocupação excessiva com o aumento de peso. Isso faz com que a pessoa acabe praticando comportamentos compensatórios após as refeições para evitar o ganho de peso, como vômitos forçados, uso de laxantes ou prática excessiva de atividade física.

A maioria dos casos de bulimia acontece em mulheres jovens e, além da preocupação excessiva com o ganho de peso, a pessoa pode também ter anorexia nervosa, transtorno de boderline e transtorno depressivo maior, por exemplo.

A bulimia é uma transtorno que impacta diretamente na qualidade de vida da pessoa e da família, já que gera angústia e preocupação em função do seu comportamento. Por isso, é importante que ao ser percebido qualquer sinal indicativo de bulimia, a pessoa receba apoio dos familiares e seja acompanhado por um nutricionista e psicólogo com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida e evitar os sintomas relacionados com a bulimia.

Sintomas de bulimia

Os principais sintomas de bulimia são:

  • Compulsão alimentar seguida de comportamento compensatório, como ir ao banheiro ou induzir o vômito após a refeição.
  • Usar regularmente laxantes, diuréticos ou inibidores do apetite;
  • Praticar excessivamente exercício físico após comer em excesso;
  • Comer grandes quantidades de alimentos escondido;
  • Sentimentos de angústia e de culpa após comer em excesso;
  • Inflamações frequentes na garganta;
  • Aparecimento recorrente de cáries dentárias;
  • Dentes desgastados;
  • Calosidade no dorso da mão;
  • Dores abdominais e inflamações no sistema gastrointestinal frequentemente;
  • Menstruação irregular.

Além disso, é possível também que a pessoa apresente sinais e sintomas de desidratação e desnutrição, que acontece como consequência dos hábitos relacionados com o transtorno, além de depressão, irritabilidade, ansiedade, baixa autoestima e necessidade excessiva do controle de calorias.

Na bulimia a pessoa normalmente possui o peso adequado ou está ligeiramente acima do peso ideal para a idade e altura, diferentemente do que acontece na anorexia, que também é um transtorno alimentar e psicológico, no entanto a pessoa está abaixo do peso normal para a idade e a altura e normalmente enxerga-se sempre acima do peso, o que leva a restrições alimentares. Saiba como diferenciar a bulimia e a anorexia.

Principais causas

A bulimia não tem uma causa definida, no entanto muitas vezes a sua ocorrência está relacionada com o culto ao corpo, o que pode ser influenciado diretamente pela mídia ou pelo comportamento da família e de amigos próximos, por exemplo.

Por causa disso, muitas vezes a pessoa interpreta que o corpo que possuem não é o ideal e passam a "culpabilizá-lo" pela sua infelicidade, assim, evitam o máximo o ganho de peso. Para isso, normalmente comem o que desejam, mas logo em seguida, devido ao sentimento de culpa, acabam por eliminar para que não exista ganho de peso.

Complicações da bulimia

As complicações da bulimia estão relacionados com os comportamentos compensatórios apresentados pela pessoa, ou seja, com as atitudes que tomam após comer, como por exemplo o vômito forçado ou o uso de laxantes, por exemplo. Assim, as possíveis complicações da bulimia são:

  • Refluxo e feridas no estômago;
  • Desidratação;
  • Inchaço nas bochechas;
  • Deterioração dos dentes;
  • Prisão de ventre crônica;
  • Ausência de menstruação ou alteração do ciclo menstrual;
  • Depressão e mudanças de humor;
  • Insônia;
  • Desidratação;
  • Inflamação intestinal.

Assim, para evitar o desenvolvimento das complicações, é importante que a bulimia seja identificada e tratada de acordo com a orientação do psicólogo, psiquiatra e nutricionista.

Como é o tratamento

Devido ao fato da bulimia ser um transtorno psicológico e alimentar, é importante que a pessoa tenha acompanhamento de um psicólogo e de um nutricionista, principalmente, para que seja iniciada a reeducação alimentar e seja estimulada o desenvolvimento de uma relação mais saudável com a comida para evitar comportamentos compensatórios.

Além disso, muitas vezes é necessária a ingestão de suplementos de vitaminas e minerais, assim como de alguns remédios antidepressivos e/ou que ajudem a evitar os vômitos. Em casos graves pode mesmo ser necessário o internamento hospitalar ou em clínicas especializadas no tratamento de transtornos alimentares.

1. Terapia

A realização de terapia é importante para que o psicólogo consiga identificar o comportamento da pessoa e sugerir formas de fazer com que a pessoa pense de outra maneira para enfrentar situações e sentimentos que possam estar relacionados com a bulimia, além de também ser importante para estabelecer estratégias de conscientização corporal e para evitar os comportamentos compensatórios.

Além disso, as sessões de terapia também ser voltadas para entender as relações pessoais do paciente ou momentos difíceis como perdas de entes queridos ou grandes mudanças na vida pessoal ou profissional, com a finalidade de fortalecer os relacionamentos familiares e com amigos, que poderão dar apoio para superar a bulimia.

As sessões de terapia devem ser realizadas 1 a 2 vezes por semana e pode ser também indicada a realização de terapia de grupo, pois nessa situação outras pessoas que também possuem bulimia ou que já foram tratadas podem participar e compartilhar suas experiências, promovendo empatia e estimulando o tratamento.

2. Acompanhamento nutricional

O acompanhamento nutricional é fundamental no tratamento da bulimia e é feito de forma a esclarecer dúvidas sobre alimentação e calorias dos alimentos, mostrando como fazer escolhas alimentares saudáveis para favorecer o controle ou a perda de peso sem colocar a saúde em risco, além de estimular uma relação saudável com comida.

Dessa forma, o nutricionista elabora um plano alimentar para a pessoa, respeitando suas preferências e estilo de vida, e que promova o desenvolvimento correto e bom funcionamento do organismo. Além disso, o plano alimentar é feito também levando em consideração qualquer deficiência nutricional, podendo em alguns casos ser indicado o uso de suplementos de vitaminas e minerais, por exemplo.

3. Medicamentos

O uso de medicamentos só é indicado quando durante a terapia o psicólogo verifica sinais de que a bulimia está relacionada com outro transtorno psicológico, como depressão ou ansiedade, por exemplo. Nesses casos, a pessoa é encaminhada para o psiquiatra para que possa ser feita nova avaliação e ser indicado o medicamento mais adequado.

É importante que a pessoa faça uso do medicamento de acordo com a recomendação do psiquiatra, bem como realize consultas regulares, pois assim é possível que seja verificada a resposta ao tratamento e possam ser feitos ajustes nas doses dos medicamentos.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em julho de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em julho de 2022.

Bibliografia

  • CARMO, Cristiane C.; PEREIRA, Priscila M. L.; CÂNDIDO, Ana Paula C. Transtornos Alimentares: uma revisão dos aspectos etiológicos e das principais complicações clínicas. HU Revista. Vol 40. 3 ed; 173-181, 2014
  • NATIONAL EATING DISORDERS COLLABORATION. Bulimia nervosa. Disponível em: <https://www.nedc.com.au/assets/Uploads/NEDC-Fact-Sheet-Bulimia-Nervosa-.pdf>. Acesso em 06 dez 2019
Mostrar bibliografia completa
  • CONTI, Maria Aparecida. Anorexia e bulimia – corpo perfeito versus morte. O Mundo da Saúde, São Paulo - 2012;36(1):65-70. Vol 36. 1 ed; 65-70, 2012
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.