Bicho geográfico: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
julho 2022
  1. Sintomas
  2. Transmissão
  3. Ciclo de vida
  4. Tratamento
  5. Prevenção

​​O bicho geográfico, também conhecido como larva migrans cutânea, é um parasita que pode estar presente no intestino de cães e gatos, e que é liberado no solo através das fezes.

Assim, quando o parasita chega ao solo, é possível contaminar as pessoas ao entrar no organismo por meio de feridas ou cortes presentes na pele, levando ao aparecimento de alguns sintomas, como coceira intensa e que piora a noite e vermelhidão na pele.

Na maioria dos casos, a larva é eliminada naturalmente do organismo cerca de 4 a 8 semanas após a infecção, mas é importante fazer o tratamento de acordo com a recomendação do médico para evitar complicações na pele e aliviar os sintomas da doença.

Sintomas de bicho geográfico

Os sintomas de bicho geográfico são devido à entrada do parasita na pele e liberação de secreção pela larva, causando uma reação no local. Os principais sintomas de bicho geográfico são:

  • Presença de um pequeno ponto vermelho e elevado na pele, que é sinal da entrada do parasita;
  • Coceira na pele, que costuma piorar durante a noite;
  • Sensação de movimento por baixo da pele;
  • Vermelhidão na pele semelhante a um caminho tortuoso, que é por onde a larva passa;
  • Inchaço na pele.

Na forma ativa da doença, é comum observar que a lesão vai avançando cerca de 1 cm por dia na pele, e logo que seja identificada deve-se iniciar o tratamento. 

Os sintomas podem surgir minutos ou semanas após o contato com o parasita, já que a larva pode permanecer dormente no organismo por alguns dias até começar a liberar secreções e deslocar-se na pele.

Os locais mais frequentemente acometidos são os pés, mãos, joelhos e nádegas, já que entram mais facilmente em contato com o chão contaminado e, consequentemente, com a larva infectante.

Como acontece a transmissão

O bicho geográfico é transmitido ao entrar em contato com o solo infectado com os ovos do parasita, que são liberados no ambiente quando cães e gatos infectados liberam as fezes.

Assim, quando a pessoa anda descalço ou quando mexe no solo e depois coloca as mãos na boca, por exemplo, é possível haver a transmissão do bicho geográfico.

Ciclo de vida do bicho geográfico

Os gatos e cachorros são considerados hospedeiros definitivos do bicho geográfico e são infectados quando entram em contato com larvas presentes no ambiente de Ancylostoma braziliense ou Ancylostoma caninum. Essa larvas, no intestino, desenvolvem-se até a fase adulta e liberam ovos, que são eliminados nas fezes dos animais.

No ambiente, o ovo eclode e libera larvas que desenvolvem-se até a sua fase infectante e que entra no organismo humano por meio de feridas na pele ou através do folículo capilar, e permanece na pele, levando ao aparecimento dos sinais e sintomas da infecção.

Como é feito o tratamento

Na maioria das vezes, a infecção desaparece após algumas semanas após a morte das larvas, no entanto para diminuir a duração dos sintomas, pode ser iniciado tratamento com antiparasitários que devem ser indicados pelo clínico geral ou dermatologista.

Assim, pode ser indicado o uso de Tiabendazol, Albendazol ou Mebendazol, que podem ser usados na forma de pomada, quando a doença está ainda no início, ou na forma de comprimidos, quando o bicho geográfico é descoberto mais tarde.

Geralmente os sintomas do bicho geográfico reduzem cerca de 2 a 3 dias após o início do tratamento, sendo importante seguir o tratamento até o fim para garantir que a larva é completamente eliminada do corpo. Entenda como é feito o tratamento para bicho geográfico.

Prevenção do bicho geográfico

Uma das formas de evitar a contaminação com o bicho de pé é não andar descalço, em nenhum tipo de terreno, seja no asfalto, na grama ou na areia. No entanto, esta recomendação é mais difícil de seguir na praia e em parques e, por isso, é importante evitar as praias onde hajam animais domésticos como cachorros, por exemplo.

Em casa, os cães e gatos devem tomar remédios antiparasitários todos os anos, para que não possuam esses parasitas e não liberem ovos nas fezes, evitando, assim, a contaminação das pessoas.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em julho de 2022.

Bibliografia

  • MAHON, Connie R.; LEHMAN, Donald C. Textbook of Diagnostic Microbiology. 6 ed. St- Louis, Missouri: Elsevier, 2019. 671; 674.
  • CDC. Parasites - Zoonotic Hookworm. Disponível em: <https://www.cdc.gov/parasites/zoonotichookworm/biology.html>. Acesso em 08 abr 2020
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.