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O que é a hemoterapia, para que serve e como é feita

A hemoterapia é um tipo de tratamento em que uma quantidade pré-determinada de sangue é coletada de uma pessoa e, após processamento e análise, é transfundido para outra pessoa, auxiliando no tratamento e melhora do paciente.

No caso da auto-hemoterapia, por outro lado, a amostra de sangue é retirada e depois é retornada para o organismo da própria pessoa por meio de injeção diretamente na veia ou no músculo, por exemplo. Esse tipo de tratamento normalmente é feito para estimular o sistema imune e, por isso pode ser usado para aliviar os sintomas de vários problemas de saúde, como artrite, gota ou alergias. Apesar de possuir benefícios, a auto-hemoterapia não é autorizada pela ANVISA e nem pelo Conselho Federal de Farmácia e Conselho Federal de Medicina devido à falta de evidências científicas.

O que é a hemoterapia, para que serve e como é feita

Principais benefícios

O processo de hemoterapia pode ser feito em diversas situações, sendo mais frequentemente realizado no tratamento de pessoas que sofreram acidentes e perderam grande quantidade de sangue, durante e após grandes cirurgias e nas pessoas que sofrem de doenças relacionadas com o sangue, como leucemia, anemia, linfoma e púrpura, por exemplo.

No caso da auto-hemoterapia, como o objetivo é estimular o sistema imune, esse tipo de tratamento alternativo pode ser eficaz nos casos de:

  • Artrite reumatoide;
  • Gota;
  • Bronquite;
  • Alergias;
  • Doença de Crohn;
  • Herpes;
  • Acne;
  • Problemas de circulação;
  • Eczema;
  • Úlceras nas pernas;
  • Infecções por fungos.

Em alguns casos, no sangue injetado da própria pessoa, pode ainda ser adicionado ozono ou preparados de plantas medicinais, para obter maior alívio dos sintomas. Por exemplo, o ozono parece melhorar a oxigenação do sangue e, por isso, pode ajudar nos casos de má circulação. Já o uso de plantas medicinais, como a equinácea, pode estimular o corpo para combater infecções por vírus.

Apesar de teoricamente poder ser utilizada como terapia alternativa para diversas doenças, a auto-hemoterapia ainda não possui comprovação científica de seus benefícios, não sendo a sua prática autorizada no Brasil.

Como é feita

O processo de hemoterapia é feito seguindo o mesmo processo da coleta de sangue, ou seja, é colocado um garrote no braço pra permitir a melhor visualização do vaso sanguíneo e, em seguida, é retirada 50 a 300 ml de sangue, que são colocadas em um recipiente próprio contendo heparina, que é uma substância anticoagulante, ou seja, evita que o sangue coagule.

No caso da auto-hemoterapia, esse sangue coletado é reintroduzido no próprio organismo em até 30 minutos após ter sido retirado, podendo ser feito diretamente no músculo ou na veia por meio de uma injeção. Durante os 30 minutos que o sangue pode permanecer fora do organismo antes de ser reintroduzido, o médico pode colocar substâncias no sangue que facilitem o processo de recuperação, como ozono ou preparado de plantas medicinais, por exemplo.

Já na hemoterapia, o sangue coletado é enviado para o laboratório para que sejam feitas análises do sangue e de compatibilidade com a pessoa que irá receber o sangue, afim de evitar qualquer reação transfusional. Entenda como é feita a transfusão de sangue.

Por que a auto-hemoterapia pode funcionar?

O efeito benéfico da auto-hemoterapia parece estar relacionado à presença de antígenos no sangue injetado, que estimulam o corpo a produzir anticorpos, o que torna o sistema imune mais forte para lutar contra a doença que está se desenvolvendo.

Isto é, quando o sangue é injetado novamente no corpo, o organismo começa a atacar esse sangue porque contém vestígios da doença que está se desenvolvendo. Quando isso acontece, o corpo vai ganhando maior resistência contra a doença e, por isso, consegue eliminá-la mais rapidamente. No entanto, essa teoria não possui comprovação científica.

Quais os riscos para a saúde

A hemoterapia normalmente não representa riscos para o doador e o receptor, no entanto, é importante que sejam compatíveis para que não haja reações relacionadas ao processo transfusional.

Embora pareça ter vários benefícios para o tratamento de diversas doenças, a auto-hemoterapia não é aprovada pela ANVISA e, por isso, não deve ser utilizada. Isso acontece porque ainda são necessários vários testes para entender os efeitos deste tratamento, assim como identificar possíveis riscos para a saúde.


Bibliografia

  • PHARMACIA BRASILEIRA. Auto-Hemoterapia: Proibir, ou pesquisar?. 2007. Link: <www.cff.org.br>. Acesso em 22 Nov 2018
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEMATOLOGIA, HEMOTERAPIA E TERAPIA CELULAR. Auto-hemoterapia não é reconhecida por especialistas. Link: <www.abhh.org.br>. Acesso em 22 Nov 2018
  • CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. CFM reforça que auto-hemoterapia não tem eficácia comprovada. Link: <portal.cfm.org.br>. Acesso em 22 Nov 2018
  • Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Técnico em Hemoterapia: Livro Texto. 1 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 103-121; 143-162.
  • JUNIOR, Lacy C. B.; SILVA, Leidiane O. S.; BATISTA, Francisco C. Q. Auto-Hemoterapiaa: uma revisão da visão da literatura. Revista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Vol 48. 4 ed; 386-391, 2015
  • LEITE, Denise F.; BARBOSA, Patrícia T.; GARRAFA, Volnei. Auto-Hemoterapia, Intervenção do Estado e Bioética. Rev Assoc Med Bras. Vol 54. 2 ed; 183-188, 2008
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