Anti-histamínicos: o que são e principais tipos

Revisão clínica: Flávia Costa
Farmacêutica
abril 2022

Os anti-histamínicos são remédios indicados para o tratamento de reações alérgicas, como urticária, coriza, rinite alergia ou conjuntivite, por exemplo, pois agem reduzindo os sintomas de coceira, inchaço, vermelhidão ou corrimento nasal. Esses remédios agem impedindo a ação da histamina, uma substância que causa alergia, sendo por isso também chamados de antialérgicos.

O tipo de anti-histamínico que pode ser usado depende da condição a ser tratada, podendo ser indicado pelo médico o uso de anti-histamínicos de primeira, segunda ou terceira geração, que apresentam diferenças na forma de ação e nos efeitos colaterais, como sonolência, por exemplo.

Por isso, é importante consultar o médico para que seja realizado o diagnóstico da condição a ser tratada e, assim, ser orientado o melhor anti-histamínico, a dose do medicamento e a duração do tratamento. Além disso, esses remédios não devem ser usados por crianças, mulheres grávidas ou em amamentação sem indicação médica.

Os principais tipos de anti-histamínicos incluem:

1. Anti-histamínicos clássicos ou de primeira geração

Os anti-histamínicos clássicos ou de primeira geração foram os primeiros a ser introduzidos no mercado e agem bloqueando a liberação de histamina no cérebro e na medula espinhal. Por isso, causam mais efeitos colaterais como sonolência acentuada, sedação, fadiga, alterações nas funções cognitivas e na memória. Além disso, são também mais difíceis de eliminar do corpo e, por estas razões, devem ser evitados.

Os principais anti-histamínicos de primeira geração são:

  • Prometazina, comprimido ou creme dermatológico (Fenergan ou Profergan);
  • Dexclorfeniramina, comprimido, xarope, gotas ou creme dermatológico (Polaramine ou Histamin);
  • Hidroxizina, comprimido, xarope ou solução oral (Hixizine ou Pruri-gran);
  • Clemastina, comprimido ou creme dermatológico (Emistin);
  • Difenidramina, ampola injetável (Difenidrin).

Esses anti-histamínicos geralmente são indicados para o tratamento de reações alérgicas, dermatite alérgica, urticária, rinite alérgica, vertigem, náuseas causadas por viagens, ou prevenção de vômitos pós-operatórios, por exemplo, e devem ser usados com orientação médica.

Além disso, alguns anti-histamínicos de primeira geração, como a difenidramina, podem ser usados em hospitais para o tratamento de reações alérgicas graves ou anafiláticas, aplicados diretamente na veia ou no músculo por um enfermeiro, sob supervisão médica.

2. Anti-histamínicos não clássicos ou de segunda geração

Os anti-histamínicos não clássicos ou de segunda geração são medicamentos que agem impedindo a ação da histamina em tecidos periféricos, como vasos sanguíneos, trato gastrointestinal e sistema respiratório. Esses anti-histamínicos penetram em menor quantidade no sistema nervoso central e são eliminados mais rapidamente, apresentando, por isso, menos efeitos colaterais. 

Os principais anti-histamínicos de segunda geração são:

  • Loratadina, comprimido ou xarope (Claritin, Histadin ou Loratamed);
  • Cetirizina, comprimido, cápsula ou solução oral (Zyrtec ou Reactine);
  • Bilastina, comprimidos ou solução oral (Alektos);
  • Ebastina, comprimido ou xarope (Ebastel);
  • Epinastina, comprimidos ou colírio oftalmológico (Talerc ou Relestat).

Esses anti-histamínicos geralmente são indicados para rinite alérgica, urticária, rinoconjuntivite alérgica, ajudando a aliviar sintomas como coceira na pele, olhos ou nariz, sensação de nariz escorrendo ou entupido, espirros, olhos vermelhos ou tosse.

Antes de iniciar o tratamento com anti-histamínicos de segunda geração deve-se consultar o médico, para que possa ser recomendado o tratamento mais adequado de acordo com os sintomas apresentados. Saiba como reconhecer os sintomas de alergia.  

3. Anti-histamínicos de terceira geração

Os anti-histamínicos de terceira geração, são remédios produzidos através da modificação de moléculas dos anti-histamínicos de segunda geração, apresentando a mesma ação e eficácia, porém com doses menores e menos efeitos colaterais.

Os principais anti-histamínicos de terceira geração são:

  • Levocetirizina, comprimidos ou gotas (Zyxem, Zina ou Rizi);
  • Desloratadina, comprimido ou xarope (Desalex, Leg ou Esalerg);
  • Fexofenadina, comprimido ou xarope (Allegra, Fexx ou Allexofedrin).

Esses remédios são indicados para o tratamento da rinite alérgica sazonal, urticária crônica, alergias na pele, coriza, conjuntivite alérgica ou febre do feno, por exemplo, e devem ser usados pelo tempo de tratamento orientado pelo médico.

Quais anti-histamínicos podem ser usados na gravidez

Durante toda a gravidez deve-se evitar ao máximo a utilização de medicamentos, incluindo os anti-histamínicos, especialmente no primeiro trimestre da gravidez, pois é a fase em que ocorre rápida multiplicação das células do embrião e formação dos principais órgãos, e o uso de remédios ou outras substâncias podem afetar o desenvolvimento do bebê.

No entanto, caso seja necessário, a grávida pode tomar anti-histamínicos, mas somente se indicado pelo obstetra. Os anti-histamínicos que são considerados mais seguros na gravidez, e que se encontram na categoria B, são a clorfeniramina, loratadina e difenidramina. 

Quando não se deve usar

Os anti-histamínicos podem ser utilizados por qualquer pessoa, no entanto, existem alguns casos que precisam de orientação médica como:

  • Gravidez e amamentação;
  • Crianças;
  • Glaucoma;
  • Pressão alta;
  • Doenças renais ou do fígado;
  • Hipertrofia benigna da próstata.

Além disso, alguns destes medicamentos podem interagir com alguns anticoagulantes e remédios depressores do sistema nervoso central, como ansiolíticos ou anti-depressivos, sendo aconselhado consultar o médico antes de utilizar.

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Atualizado e revisto clinicamente por Flávia Costa - Farmacêutica, em abril de 2022.

Bibliografia

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Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.