10 dicas para cuidar da criança com diabetes

Revisão médica: Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
julho 2022

Quando uma criança tem diabetes, pode ser difícil lidar com a situação, já que por ser necessário realizar uma adaptação da dieta e da rotina, muitas vezes, a criança se sente frustrada e pode apresentar alterações de comportamento como querer ficar mais isolada, ter momentos de agressividade, perder interesse nas atividades de lazer ou querer esconder a doença.

Esta condição pode gerar estresse para muitos pais e crianças, por isso para além das mudanças na alimentação, existem outros cuidados que devem ser realizados à criança com diabetes. Estes cuidados podem ajudar a melhorar a qualidade de vida e reduzir os impactos da doença na criança e incluem:

1. Comer sempre na mesma hora

As crianças com diabetes devem se alimentar na mesma hora e de preferência fazer 6 refeições por dia como café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e pequeno lanche antes de dormir. É ideal que a criança não fique mais de 3 horas sem comer, pois isto ajuda a criar uma rotina diária e facilita na programação das aplicações de insulina.

2. Oferecer uma dieta adaptada

Para auxiliar na adaptação da dieta da criança com diabetes, é importante fazer o acompanhamento com um profissional de nutrição, pois assim, será realizado um plano alimentar na qual será escrito os alimentos que podem ser ingeridos e aqueles que devem ser evitados. Idealmente, os alimentos ricos em açúcar, pães e massas devem ser evitados e substituídos por opções com baixo índice glicêmico, como aveia, leite e macarrão integral. Veja mais quais alimentos possuem baixo índice glicêmico.

3. Não oferecer açúcar

As crianças diabéticas possuem deficiência na produção da insulina, que é o hormônio responsável por reduzir os níveis de glicose no sangue e por isso ao ingerir alimentos ricos em açúcar apresentam sintomas de glicose muito elevada, como sonolência, muita sede e aumento da pressão. Desta forma, ao receber o diagnóstico de diabetes é necessário que a família da criança não ofereça alimentos ricos em açúcar, carboidratos e façam comida à base de outros produtos com teor de açúcar mais baixo possível.

4. Evitar ter doces em casa

Deve-se evitar ao máximo ter doces como bolos, bolachas, chocolates ou outras guloseimas em casa, para que a criança não sinta vontade de comer. Já existem alguns alimentos que podem substituir estes doces, com adoçante na composição e que podem ser ingeridos por diabéticos. Além disso, é importante que os pais também não comam esses alimentos, pois assim a criança observa que a rotina foi alterada para todos os membros da família.

5. Levar doces sem açúcar para as festas

Para que a criança com diabetes não se sinta excluída nas festas de aniversário, pode-se oferecer doces feitos em casa, que não tenham alto teor de açúcar, como gelatina diet, pipoca com canela ou biscoitos diet.

6. Incentivar a prática de exercício físico

A prática de exercícios físicos ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue e deve ser um complemento do tratamento para a diabetes na criança, por isso, os pais devem incentivar a realização destas atividades. É importante manter uma rotina de exercícios que gere bem-estar na criança e que seja adequada para a idade, podendo ser futebol, dança ou natação, por exemplo.

7. Ter paciência e ser carinhoso

As picadas diárias para administrar insulina ou fazer testes de glicemia podem ser muito dolorosas para a criança e, por isso, é muito importante que a pessoa que vai dar a picada seja paciente, tenha carinho e explique o que irá fazer. Fazendo isto, a criança se sente valorizada, importante e colabora melhor nos momentos em que se deve fazer as pesquisas de glicemia ou administrar a insulina.

8. Deixar a criança participar no tratamento

Deixar a criança participar no seu tratamento, deixando, por exemplo, que escolha o dedo para a picada ou segurar na caneta de insulina, pode tornar o processo menos doloroso e mais interessante. Também pode-se deixar a criança ver a caneta e fingir que vai aplicar em um boneco, contando para ela que muitas outras crianças também podem ter diabetes.

9. Informar a escola

Informar a escola sobre a situação de saúde da criança, é um passo fundamental e muito importante no caso de crianças que têm que realizar uma alimentação específica e tratamentos fora de casa. Assim, os pais devem avisar a escola para que sejam evitados doces e para que seja feita educação de toda a turma nessa aspecto.

10. Não tratar com diferença

A criança com diabetes não deve ser tratada de forma diferente, pois apesar dos cuidados constantes, esta criança deve ter liberdade para brincar e se divertir, pois assim não se sentirá pressionada ou culpada. É importante que se saiba que com acompanhamento de um médico, a criança diabética poderá ter uma vida normal.

Estas dicas devem ser adaptadas à idade da criança e, à medida que vai crescendo, os pais devem ensinar sobre a doença, explicando o que é, porque acontece e como pode ser tratada.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em julho de 2022. Revisão médica por Drª. Beatriz Beltrame - Pediatra, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. O diagnóstico do diabetes na criança: como transmiti-lo para a família?. 2018. Disponível em: <https://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1734-o-diagnostico-do-diabetes-na-crianca-como-transmiti-lo-para-a-familia-1>. Acesso em 17 dez 2019
  • ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS NUTRICIONISTAS. A criança e a Diabetes: Aqui aprendes a comer!. 2010. Disponível em: <https://www.apn.org.pt/documentos/ebooks/Diabetes.pdf>. Acesso em 17 dez 2019
Mostrar bibliografia completa
  • SALES, Catarina A. et al. O cuidar de uma criança com diabetes mellitus tipo 1: concepções dos cuidadores informais . Rev. Eletr. Enf. Vol.11, n.3. 563-572, 2009
  • ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DO DIABÉTICO. Como cuidar do meu filho com diabetes?. Disponível em: <http://apad.org.br/wp/2018/12/31/como-cuidar-do-meu-filho-com-diabetes/>. Acesso em 17 dez 2019
Revisão médica:
Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
Formada pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, em 1993 com registro profissional no CRM PR - 14218.