Hemorragia: o que é, tipos e o que fazer

Revisão clínica: Manuel Reis
Enfermeiro
maio 2022

A hemorragia é a perda de sangue que acontece devido ao rompimento de vasos da circulação sanguínea, o que pode ser consequência de um ferimento, pancada ou alguma doença. A hemorragia pode ser externa, quando o sangramento é visualizado para fora do corpo, ou interna, quando acontece para dentro de alguma cavidade do organismo, como no abdômen, crânio ou pulmão, por exemplo.

Uma vez que na hemorragia externa pode haver uma grande perda de sangue em pouco tempo, é importante ir ao pronto-socorro o mais rápido possível, especialmente se for uma ferida muito extensa ou se não parar de sangrar ao fim de 5 minutos.

Já no caso da hemorragia interna o sangramento pode ser mais difícil de identificar, mas ainda assim deve ser ser avaliado por um médico. Por isso, se existir suspeita de uma hemorragia, deve-se sempre ir ao hospital.

De acordo com a localização do sangramento, a hemorragia pode ser classificada em dois tipos principais: interna e externa.

Hemorragia externa

A hemorragia externa é aquela em que é possível observar o sangramento, podendo ser mais ou menos intensa de acordo com o tipo de vaso afetado e a localização, ou seja, se acontece em uma área com muitos ou poucos vasos sanguíneos. Assim, de acordo com as características do sangramento, a hemorragia externa pode ser classificada em:

  • Capilar: é o sangramento mais comum, que acontece no dia-a-dia, geralmente, devido a pequenos cortes ou escoriações, em que apenas os pequenos vasos que chegam até a superfície do corpo, chamados de capilares, são atingidos.
  • Venosa: é a hemorragia que acontece devido a algum corte grande ou mais profundo, com sangramento em fluxo contínuo e lento, por vezes de grande volume, através da ferida
  • Arterial: é o tipo de hemorragia em que são atingidas as artérias, isto é, os vasos que levam sangue do coração ao resto do corpo e, por isso, têm sangue vermelho vivo, com grande fluxo e intensidade. O sangramento arterial é o tipo mais grave, e pode, até, provocar jatos de sangue para locais distantes do corpo e risco de morte.

É importante que as características da hemorragia sejam devidamente identificadas para que sejam tomadas as medidas necessárias para evitar a grande perda de sangue, principalmente quando a artéria é atingida, o que pode colocar a vida em risco.

O que fazer

No caso de hemorragia externa, é importante identificar que tipo de vaso foi atingido. No caso de hemorragia do tipo capilar ou venosa, o sangramento costuma parar após realizar compressão no local com um pano limpo. Caso o pano encharque com sangue, deve-se colocar outro pano limpo por cima, não sendo recomendado retirar o primeiro pano. Além disso, caso exista algum objeto na lesão, não é recomendada a sua remoção.

No entanto, caso seja observada que a lesão venosa é mais profunda, é recomendado que a pessoa vá ao pronto-socorro pois pode ser necessária a realização de uma sutura da ferida para que não haja risco de infecção ou novo sangramento. 

Já no caso da hemorragia externa que atinge uma artéria, é importante que o sangramento seja parado o mais rápido possível, o que pode ser feito inicialmente com a realização de compressão forte do local com panos limpos ou com a realização de um torniquete, pois é uma hemorragia de mais difícil controle. Deve-se ir rapidamente ao pronto-socorro ou ligar para o 192. Se o sangramento for em um braço ou perna, pode-se elevar o membro para facilitar a contenção.

O torniquete não deve ficar muito tempo impedindo a circulação, pois, se esta ficar ausente por um longo período, pode causar morte dos tecidos desse membro, o que reforça a importância de chegar rapidamente ao pronto socorro.

Hemorragia interna

A hemorragia interna é mais difícil de ser identificada, pois o sangramento acontece sem que exista lesão na pele, e acontece quando há lesão em algum órgão, sendo o tipo de hemorragia mais comum de acontecer após acidentes. Os sinais e sintomas de hemorragia interna podem demorar mais para surgir, mas à medida que acontece e que o sangue vai sendo acumulado no corpo, é possível notar:

  • Palidez e cansaço;
  • Pele fria;
  • Pulso rápido e fraco;
  • Respiração acelerada;
  • Muita sede;
  • Queda da pressão;
  • Tontura;
  • Náuseas ou vômitos com sangue;
  • Confusão mental ou desmaios;
  • Muita dor do abdômen, que fica endurecido.

Além disso, dependendo da lesão, em alguns casos é possível também que seja verificada a saída de sangue pela boca, nariz, urina ou fezes. Conheça mais sobre a hemorragia interna.

O que fazer

Em caso de suspeita de hemorragia interna, é recomendado que a assistência médica seja acionada para que sejam tomadas as medidas necessárias e seja possível evitar o choque hipovolêmico, que é uma situação grave e que pode colocar a vida da pessoa em risco, já que é caracterizada pela diminuição da circulação de oxigênio no organismo devido à incapacidade do coração em bombear quantidade suficiente de sangue.

No entanto, durante a espera pela assistência, deve-se tentar manter a pessoa acordada, desapertar a roupa e deixar a pessoa aquecida. Confira os primeiros socorros para hemorragia interna.

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Atualizado e revisto clinicamente por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2022.

Bibliografia

  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hemorragia/ Hemofilia. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/10006002180.pdf>. Acesso em 04 mai 2022
  • SANTOS, SÔNIA MARIA J. ET AL. Cartilha de Primeiro Socorros: Hemorragias. 2020. Disponível em: <https://www.ufpb.br/editoraccta/contents/titulos/saude/cartilha-de-primeiros-socorros-hemorragias/cartilha-hemorragia.pdf>. Acesso em 04 mai 2022
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  • CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO PARANÁ. Manual do Atendimento Pré-Hospitalar - Hemorragia e Choque. 2018. Disponível em: <https://www.bombeiros.pr.gov.br/sites/bombeiros/arquivos_restritos/files/documento/2018-12/HemorragiaeChoque.pdf>. Acesso em 04 mai 2022
  • NASCIMENTO, SILVIA AUGUSTA. O que é hemorragia?. Disponível em: <http://proedu.rnp.br/bitstream/handle/123456789/588/Aula_04-COLOR.pdf?sequence=4&isAllowed=y>. Acesso em 04 mai 2022
Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.