Exame do cotonete: o que é, para que serve e como é feito

maio 2022

O exame do cotonete é um exame que deve ser realizado entre a 35ª e a 37ª semana de gestação e que tem como objetivo identificar a presença da bactéria Streptococcus agalactiae e sua quantidade, já que essa bactéria pode ser passada para o bebê durante o trabalho de parto, podendo causar problemas respiratórios, alterações cardíacas ou renais, por exemplo.

Esse exame é feito no laboratório e consiste na coleta, usando um swab, de amostras da vagina e do ânus, já que são os locais em que se pode verificar com mais facilidade a presença dessa bactéria.

O Streptococcus do grupo B, também conhecido por Streptococcus agalactiae, S. agalactiae ou SGB, é uma bactéria que está presente naturalmente no trato gastrointestinal, urinário e na vagina sem que cause qualquer sintoma. No entanto, em alguma situações, essa bactéria é capaz de colonizar a vagina, podendo trazer complicações durante a gestação e no momento do parto. Conheça mais sobre o S. agalactiae.

Como é feito

O exame do cotonete é simples e não é necessário preparo, sendo apenas indicado que a mulher fique em posição ginecológica para que seja recolhida uma amostra da vagina e da região anal utilizando um swab.

Após a coleta, os swabs são enviados para o laboratório para serem analisados e o resultado é liberado entre 24 e 48 horas. Caso o exame seja positivo, o médico verifica se há sintomas de infecção e, caso seja necessário, pode indicar a realização do tratamento, que é feito por meio da administração diretamente na veia de antibiótico algumas horas antes e durante o trabalho de parto.

O tratamento dias antes do parto não é indicado pelo fato de ser uma bactéria encontrada normalmente no organismo e, caso seja feito antes do parto, é possível que haja as bactérias voltem a crescer, representando risco para o bebê.

Para que serve

O exame do cotonete serve para identificar a infecção pelo S. agalactiae, que pode acontecer em qualquer momento da gravidez, já que a bactéria está presente naturalmente no trato urinário. Quando a infecção não é tratada corretamente ou o exame para a identificação não é realizado, é possível que a bactéria passe para o bebê, gerando sinais e sintomas, sendo os principais:

  • Febre;
  • Problemas respiratórios;
  • Instabilidade cardíaca;
  • Alterações renais e gastrointestinais;
  • Sepse, que corresponde à presença da bactéria na corrente sanguínea, o que é bastante grave;
  • Irritabilidade;
  • Pneumonia;
  • Meningite.

De acordo com a idade em que surgem os sinais e sintomas de infecção por Streptococcus do grupo B no bebê, a infecção pode ser classificada como:

  • Infecção de início precoce, em que os sintomas surgem logo nas primeiras horas após o nascimento;
  • Infecção de início tardio, em eu que os sintomas surgem entre o 8º dia após o nascimento e os 3 meses de vida;
  • Infecção de início muito tardio, que é quando os sintomas aparecem após os 3 meses de vida e está mais relacionada com meningite e sepse.

Caso haja sintomas de infecção nos dois primeiros trimestres de gestação, o médico pode recomendar o tratamento com antibióticos, para evitar complicações durante a gravidez, como aborto espontâneo ou parto prematuro, por exemplo.

Fatores de risco

Algumas situações aumentam o risco de transmissão da bactéria da mãe para o bebê, sendo os principais:

  • Identificação da bactéria em partos anteriores;
  • Infecção urinária por Streptococcus agalactiae durante a gestação;
  • Trabalho de parto antes da 37ª semana de gestação;
  • Febre durante o trabalho de parto;
  • Bolsa rota com mais de 18 horas;
  • Bebê anterior com Streptococcus do grupo B ou qualquer outro tipo de infecção.

Caso seja verificado que há grande risco de transmissão da bactéria da mãe para o bebê, o tratamento é feito durante o parto através da administração de antibiótico diretamente na veia. Para evitar complicações, veja quais são os exames que devem ser feitos durante o terceiro trimestre de gravidez.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em maio de 2022.

Bibliografia

  • EL BEITUNE, Patrícia; DUARTE, Geraldo; MAFFEI, Cláudia Maria L. Colonization by Streptococcus agalactiae During Pregnancy: Maternal and Perinatal Prognosis. The Brazilian Journal of Infectious Diseases. Vol 9. 3 ed; 276-282, 2005
  • AMERICAN PREGNANCY ASSOCIATION. Group B Strep Infection: GBS. Disponível em: <https://americanpregnancy.org/pregnancy-complications/group-b-strep-infection/>. Acesso em 29 mai 2019
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  • GROUP B STREP INTERNATIONAL. How to Help Protect Your Baby - ​More about GBS and How to Help Protect Your Baby​. Disponível em: <https://www.groupbstrepinternational.org/more-about-gbs-and-how-to-help-protect-your-baby.html>. Acesso em 29 mai 2019
  • CDC. Group B Strep (GBS) - Signs and Symptoms. Disponível em: <https://www.cdc.gov/groupbstrep/about/symptoms.html>. Acesso em 29 mai 2019
  • FASSINA, Jaqueline R.; PIMENTA-RODRIGUES, Marcus Vinicius. Aspectos laboratoriais da identificação de Streptococcus agalactiae em gestantes: uma mini-revisão. Interbio. Vol 7. 1 ed; 26-40, 2013
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.