Síndrome metabólica: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Revisão médica: Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
fevereiro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Diagnóstico
  4. Tratamento

A síndrome metabólica corresponde a um conjunto de doenças caracterizadas pela resistência à insulina e que juntas podem aumentar o risco da pessoa desenvolver alterações cardiovasculares, como diabetes, hipertensão e obesidade, por exemplo.

Dessa forma, alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da síndrome metabólica, como acúmulo de gordura na região abdominal, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, aumento da pressão arterial e dos níveis circulantes de glicose.

É importante que os fatores relacionados à síndrome metabólica sejam identificados e tratados de acordo com a orientação do endocrinologista, cardiologista ou clínico geral, para que as complicações possam ser evitadas. O tratamento consiste, na maioria dos casos, no uso de remédios que ajudem a regular os níveis de glicose, colesterol e pressão, além de ser indicada a prática de atividades físicas de forma regular e alimentação saudável e equilibrada.

Sintomas de síndrome metabólica

Os sinais e sintomas da síndrome metabólica estão relacionadas com as doenças que a pessoa possui, podendo ser verificado:

  • Acantose nigricans: são manchas escuras ao redor do pescoço e nas dobras da pele;
  • Obesidade: acumulo de gordura abdominal, cansaço, dificuldade para respirar e dormir, dor nos joelhos e tornozelos devido ao excesso de peso;
  • Diabetes: boca seca, tontura, cansaço, urina em excesso;
  • Pressão alta: dor de cabeça, tontura, zumbido nos ouvidos;
  • Colesterol e triglicerídeos altos: aparecimento de bolinhas de gordura na pele, chamadas de xantelasma e inchaço abdominal.

Após a avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa, o médico pode indicar a realização de uma série de exames para identificar se a pessoa possui algum dos fatores relacionados com a síndrome metabólica e, assim, ser indicado o tratamento mais adequado.

Causas da síndrome metabólica

A síndrome metabólica pode ser favorecida por alguns fatores como aumento da circunferência abdominal devido ao aumento do acúmulo de gordura nessa região, sedentarismo, pressão arterial mais elevada, alteração nos níveis de colesterol e triglicerídeos e aumento dos níveis de glicose circulantes, por exemplo.

Esses fatores podem ser resultado de alterações hormonais, genéticas ou estarem relacionados com maus hábitos alimentares, sendo importante que a causa seja devidamente identificada para que o tratamento mais adequado seja iniciado.

Como é feito o diagnóstico

Para que seja feito o diagnóstico da síndrome metabólica é preciso que sejam feitos alguns exames que permitam identificar os fatores que possam estar relacionados com esse conjunto de doenças e risco aumentado de doenças cardiovasculares. Assim, para confirmar o diagnóstico, é preciso que a pessoa possua pelo menos 3 dos seguintes fatores:

  • Glicemia em jejum entre 100 e 125 e após refeições entre 140 e 200;
  • Circunferência abdominal entre 94 e 102 cm, nos homens e nas mulheres, entre 80 e 88 cm;
  • Triglicerídeos altos, acima de 150 mg/dl ou superior;
  • Pressão alta, acima de 135/85 mmHg;
  • Colesterol LDL alto;
  • Colesterol HDL baixo.

Além desses fatores, o médico leva também em consideração o histórico familiar e estilo de vida, como frequência de prática de atividade física e alimentação, por exemplo. Em alguns casos, pode ser também indicada a realização de outros exames como dosagem de creatinina, ácido úrico, microalbuminúria, proteína C reativa (PCR) e teste de tolerância à glicose, também conhecido como TOTG. 

Como é feito o tratamento

O tratamento para a síndrome metabólica deve ser indicado pelo clínico geral, endocrinologista ou cardiologista de acordo com os sinais e sintomas apresentados pela pessoa e com as doenças que possui. Dessa forma, o médico pode indicar o uso de remédios adequados para cada caso, além de recomendar alterações no estilo e hábitos de vida.

Inicialmente, o tratamento deve incluir mudanças dos hábitos de vida, com atenção especial a mudanças nutricionais e prática de atividades físicas. As principais orientações incluem:

  • Perder peso até que o IMC fique abaixo de 25 Kg/m2, e também para reduzir a gordura abdominal, pois o risco de doenças do coração é superior neste tipo de pacientes;
  • Fazer uma alimentação equilibrada e saudável, evitando utilizar sal nas refeições e não comer alimentos muito açucarados ou gordurosos, como frituras, refrigerantes e comidas pré-preparadas, por exemplo;
  • Fazer 30 minutos de atividade física por dia, como caminhar, correr ou andar de bicicleta. Em alguns casos, o médico pode recomendar um plano de exercícios ou encaminhar o paciente para um fisioterapeuta.

No caso dessas atitudes não serem suficientes para controlar a síndrome metabólica, o médico pode indicar o uso de remédios para regular os níveis de colesterol, baixar a pressão arterial e/ ou regular a quantidade de glicose circulante.

Alimentação para síndrome metabólica

A alimentação para síndrome metabólica deve ser feita de acordo com a orientação do nutricionista, pois assim é possível controlar os níveis de glicose, colesterol, triglicerídeos e a pressão. Assim, a dieta para síndrome metabólica, deve incluir a ingestão diária de:

  • Alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, vegetais e frutas;
  • Alimentos ricos em ômega 3 e ômega 6, como salmão, nozes, amendoim ou óleo de soja;
  • Preferir cozidos e grelhados;
  • 3 a 4 g de sódio por dia, no máximo;

​​Além disso, pode-se comer 1 quadradinho de chocolate meio amargo com até 10 g, pois ajuda a diminuir a pressão arterial e melhora o colesterol. É importante também evitar o consumo de doces, refrigerantes, embutidos, molhos, conservar, café e bebidas com cafeína e alimentos industrializados, já que podem interferir diretamente no tratamento.

Tratamento com remédios

Os remédios para a síndrome metabólica geralmente são prescritos pelo médico quando o paciente não consegue perder peso, baixar os níveis de açúcar e colesterol no sangue e reduzir a pressão arterial apenas com as mudanças na alimentação e exercício físico. Nestes casos, o médico pode orientar o uso medicamentos para:

  • Baixar a pressão arterial, como losartana, candesartana, enalapril ou lisinopril;
  • Diminuir a resistência à insulina e reduzir o açúcar no sangue, como metformina ou glitazonas;
  • Reduzir o colesterol e os triglicerídeos, como a rosuvastatina, atorvastatina, sinvastatina, ezetimiba ou fenofibrato;
  • Perder peso, como a fentermina e a sibutramina, que inibem o apetite ou o orlistat, que inibe a absorção de gordura.

É importante que o tratamento seja feito de acordo com a orientação do médico para que sejam evitadas complicações.

Confira mais dicas no vídeo a seguir que ajudam no tratamento da síndrome metabólica:

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Drª. Ana Luiza Lima - Cardiologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • COSTA, Mônica B.; PAULA, Rogério B. Aspectos fisiopatológicos da Síndrome Metabólica. Rev Med Minas Gerais. Vol 15. 4 ed; 234-241, 2006
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Síndrome metabólica. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2610-sindrome-metabolica>. Acesso em 30 jul 2020
Revisão médica:
Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
Médica Cardiologista, formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional nº CRM/PE – 16886. 

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