Principais remédios para o fígado

Revisão clínica: Flávia Costa
Farmacêutica
maio 2022

Os remédios para o fígado dependem do tipo de condição que afeta esse órgão, podendo ser indicado pelo médico o uso de estatinas ou antidiabéticos, no caso de fígado gorduroso, ou ainda imunoglobulinas, antivirais ou antibióticos, no caso de doenças como hepatite, cirrose ou insuficiência hepática, por exemplo.

O fígado é um órgão responsável por filtrar o sangue, eliminar as toxinas, produzir proteínas, fatores de coagulação, triglicerídeos, colesterol e bile. Quando sofre algum dano, o fígado pode ter sua função alterada e levar ao surgimento de sintomas, como dor abdominal, especialmente na região superior direita, inchaço da barriga, coceira na pele ou pele e olhos amarelados, por exemplo. Veja outros sintomas de problema no fígado

Por isso, é importante consultar o hepatologista ou clínico geral, sempre que surgirem sintomas de problemas no fígado, para que seja diagnosticado, e iniciado o tratamento mais adequado de acordo com sua causa. 

Remédios para fígado gorduroso

Os remédios para fígado gorduroso devem ser indicados pelo hepatologista ou clínico geral para controlar doenças que prejudicam seu funcionamento, como diabetes, colesterol alto ou hipotireoidismo, por exemplo, pois não existem medicamentos específicos para essa doença. 

Os principais remédios para o fígado gorduroso que podem ser indicados pelo médico são:

  • Estatinas, como atorvastatina, rosuvastatina ou sinvastatina, para diminuir o colesterol do sangue;
  • Antidiabéticos, como metformina, pioglitazona, liraglutida, exeglatida, sitagliptina ou vildagliptina, por exemplo, para o tratamento da diabetes, o que ajuda a diminuir ou evitar o acúmulo de gordura no fígado;
  • Remédio para tireóide, como a levotiroxina, para o tratamento de hipotireoidismo;
  • Vitamina E, para ajudar a reduzir ou neutralizar os danos causados pela inflamação no fígado, devido à sua potente ação antioxidante.

Os remédios para fígado gorduroso nem sempre são necessários e, por isso, deve-se consultar um hepatologista para avaliar a necessidade de os tomar, pois normalmente pode ser tratada com uma dieta pobre em gordura e em açúcar, e prática diária de exercícios físicos. Veja como deve ser a alimentação para o fígado gorduroso

Remédios para hepatite

Os remédios para hepatite que podem ser indicados pelo médico variam de acordo com sua causa, que pode ser por infecção por vírus da hepatite A, B, C, D, E ou G, doenças autoimunes ou consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Veja outras causas da hepatite

Desta forma, alguns remédios para hepatite, são:

  • Antieméticos, como a metoclopramida, para aliviar os sintomas de náuseas e vômitos;
  • Imunoglobulinas, aplicada na forma de injeção no músculo, para prevenir a hepatite A, ou aplicada até 14 dias após o contato com o vírus;  
  • Antivirais, como lamivudina, tenofovir ou entecavir, para reduzir a multiplicação do vírus da hepatite B crônica, ou ribavirina, no caso de hepatite C crônica ou hepatite E crônica; 
  • Interferon peguilado, aplicado na forma de injeção sob a pele, nos casos de hepatite B crônica ou hepatite C crônica;
  • Corticóides, como a prednisona, para a hepatite autoimune. Em alguns casos, o médico pode recomendar o uso do corticóide junto com um remédio imunossupressor, como a azatioprina, por exemplo;
  • Suplementos alimentares, como ácido fólico ou vitaminas do complexo B, nos casos de hepatite alcoólica leve.

Além disso, em pessoas com hepatite alcoólica grave e com risco de hemorragias, o médico pode recomendar o uso de vitamina K, utilizada somente em ambiente hospitalar e aplicada pelo enfermeiro, sob supervisão médica.

Remédio para cirrose hepática

Os remédios para cirrose hepática, dependem da sua causa, que pode surgir devido ao uso excessivo e constante de bebidas alcoólicas ou por infecção pelo vírus da hepatite B ou C, fazendo com que as células do fígado sejam substituídas por um tecido fibroso ou cicatriz, afetando a função normal desse órgão. Veja outras causas da cirrose hepática

Assim, o médico pode indicar o uso de remédios como:

  • Antivirais, como lamivudina, tenofovir, entecavir ou ribavirina, para o tratamento da hepatite B ou C;
  • Beta-bloqueadores não seletivos, como propranolol, nadolol ou timolol, para o tratamento da hipertensão portal e risco de sangramentos nos casos de cirrose grave;
  • Diuréticos, como espironolactona e/ou furosemida, no caso de desenvolvimento de ascite, que é o acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Confira outros tratamentos indicados para a ascite
  • Antibióticos, quando ocorre infecção do líquido da ascite;
  • Rifaximina, para o tratamento ou redução de episódios de encefalopatia hepática

Além disso, o médico pode recomendar o uso de infusão de albumina, aplicada diretamente na veia, no hospital, nos casos de cirrose hepática descompensada. 

Remédios para insuficiência hepática

A insuficiência hepática pode ter diversas causas, como o vírus da hepatite ou pelo uso incorreto de alguns medicamentos, como o paracetamol, por exemplo, sendo que o tratamento deve ser feito de acordo com os sintomas e causando diversas complicações como pressão baixa, sangramentos, insuficiência renal ou encefalopatia hepática.

Desta forma, alguns remédios que podem ser indicados pelo médico são:

  • N-acetilcisteína, para o tratamento da insuficiência hepática aguda, causada pelo uso em excesso do paracetamol;
  • Antibióticos, para tratamento de infecções;
  • Suplementos, contendo sódio, potássio, fosfato ou magnésio, no caso de deficiência desses minerais.

Além disso, nos casos de pressão baixa, o médico pode recomendar a aplicação de soro diretamente na veia, feito em ambiente hospitalar, glicose na veia para tratar a hipoglicemia, ou até de transfusão de plasma, no caso de sangramentos. Veja outros tratamentos que podem ser indicados pelo médico para a insuficiência hepática

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Atualizado e revisto clinicamente por Flávia Costa - Farmacêutica, em maio de 2022.

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Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.

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