Púrpura trombocitopênica idiopática: sintomas, causas e tratamento

dezembro 2021

A púrpura trombocitopênica idiopática, também chamada de púrpura trombocitopênica imunológica, autoimune ou isoimune ou simplesmente PTI, é uma doença autoimune na qual os próprios anticorpos do organismo destroem as plaquetas do sangue, resultando numa redução acentuada desse tipo de células. Quando isso acontece, o corpo tem mais dificuldade para parar hemorragias, especialmente no caso de feridas e pancadas.

Devido à falta de plaquetas, também é muito comum que um dos primeiros sintomas da púrpura trombocitopênica seja o surgimento frequente de manchas roxas na pele em vários locais do corpo.

Dependendo do número total de plaquetas e dos sintomas apresentados, o médico pode aconselhar apenas maiores cuidados para evitar hemorragias ou, então, iniciar o tratamento para a doença, que normalmente inclui o uso de medicamentos para diminuir o sistema imune ou para aumentar o número de células no sangue.

Principais sintomas

Os sintomas mais frequentes em caso de púrpura trombocitopênica idiopática incluem:

  • Facilidade para ficar com manchas roxas no corpo;
  • Pequenos pontos vermelhos na pele que parecem um sangramento por baixo da pele;
  • Facilidade para sangrar pelas gengivas ou nariz;
  • Inchaço das pernas;
  • Presença de sangue na urina ou fezes;
  • Fluxo menstrual aumentado.

No entanto, também existem muitos casos em que a púrpura não causa qualquer tipo de sintomas, sendo que a pessoa é diagnosticada com a doença apenas porque apresenta uma quantidade de plaquetas no sangue inferior a 10.000/mm³.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico inicial é feito a partir da observação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa. No entanto é também indicada a realização de hemograma para avaliar a quantidade de plaquetas encontradas no sangue, que no caso de PTI está abaixo de 100.000 plaquetas, sendo na maioria dos casos a única alteração detectada nesse exame.

É também solicitado pelo médico a realização de outros exames para excluir outras alterações que podem ter sintomas e resultados laboratoriais semelhantes. Assim, pode ser indicada a realização da contagem de reticulócitos, VSH, coombs direto, tipagem sanguínea ABO e Rh, exames para avaliar o funcionamento do fígado e da tireoide, exame FAN e exames para infecções, como HIV, H. pylori, HCV e HBV.

Além disso, no caso das pessoas com menos de 20 anos, pode ser também solicitada a realização da dosagem das imunoglobulinas A, G e M (IgA, IgM e IgG).

Possíveis causas

A púrpura trombocitopênica idiopática acontece quando o sistema imune começa, de forma errada, a atacar as próprias plaquetas do sangue, causando uma diminuição acentuada dessas células. Ainda não é conhecida a razão exata porque isso acontece e, por isso, a doença é chamada de idiopática.

No entanto, existem alguns fatores que parecem aumentar o risco de desenvolver a doença, como ser do gênero feminino e/ou ter tido alguma infecção viral recente, como caxumba ou sarampo. Embora apareça mais frequentemente em crianças, a púrpura trombocitopênica idiopática pode surgir em qualquer idade, mesmo que não existam outros casos na família.

Como é feito o tratamento

Nos casos em que a púrpura trombocitopênica idiopática não provoca qualquer sintomas e o número de plaquetas não está muito reduzido, o médico pode aconselhar apenas ter cuidado para evitar pancadas e feridas, assim como ir fazendo exames de sangue frequentes para avaliar o número de plaquetas.

No entanto, se existirem sintomas ou se o número de plaquetas estiver muito reduzido, pode ser aconselhado o tratamento com medicamentos:

  • Remédios que diminuem o sistema imune, geralmente corticoides como a prednisona: diminuem o funcionamento do sistema imune, reduzindo assim a destruição das plaquetas no organismo;
  • Injeções de imunoglobulinas: levam ao aumento rápido de plaquetas no sangue e geralmente o efeito dura por 2 semanas;
  • Remédios que aumentam a produção de plaquetas, como Romiplostim ou Eltrombopag: levam a medula óssea a produzir mais plaquetas.

Além disso, pessoas com este tipo de doença devem também evitar usar remédios que afetam o funcionamento das plaquetas como a Aspirina ou o Ibuprofeno, pelo menos sem supervisão de um médico.

Nos casos mais graves, quando a doença não melhora com os remédios indicados pelo médico, pode ser necessário fazer uma cirurgia para remover o baço, que é um dos órgãos que produz mais anticorpos capazes de destruir as plaquetas.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em dezembro de 2021. Revisão médica por Dr. Arthur Frazão - Oftalmologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Púrpura Trombocitopênica Idiopática. 2019. Disponível em: <http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2019/Relatorio_PCDT_PTI_CP14_2019.pdf>. Acesso em 02 dez 2021
  • REVISTA QUALIDADE HC - RIBEIRÃO PRETO. Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) na Sala de Urgência. Disponível em: <https://www.hcrp.usp.br/revistaqualidade/uploads/Artigos/206/206.pdf>. Acesso em 02 dez 2021
Revisão médica:
Dr. Arthur Frazão
Clínico geral
Médico generalista, especialista em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2008, com registro profissional no CRM/PE 16878