Plaquetas baixas: sintomas, o que pode ser (e o que fazer)

agosto 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Como aumentar as plaquetas

Plaquetas baixas é quando a contagem de plaquetas no sangue é inferior a 150.000 células/mm³ no exame de sangue. Isso acontece principalmente devido a infecções, uso de alguns remédios ou doenças relacionadas com a imunidade, como púrpura trombocitopênica ou câncer, por exemplo.

A diminuição da quantidade de plaquetas, também conhecida como plaquetopenia ou trombocitopenia, pode interferir na coagulação sanguínea e levar ao aparecimento de alguns sintomas como manchas roxas ou avermelhadas na pele, sangramento nas gengivas ou pelo nariz e urina avermelhada. Entenda melhor o que são as plaquetas e suas funções.

Na presença de sintomas indicativos de plaquetas baixas, é importante consultar um hematologista ou clínico geral para confirmar o diagnóstico, identificar a causa e iniciar o tratamento mais adequado, que pode envolver o uso de remédios ou, em casos mais graves, transfusão de plaquetas.

Sintomas de plaquetas baixas

Ter plaquetas baixas pode causar sintomas como:

  • Manchas roxas ou avermelhadas na pele, como hematomas ou equimoses;
  • Sangramento nas gengivas;
  • Sangramento pelo nariz;
  • Urina com sangue;
  • Sangramento nas fezes;
  • Menstruação volumosa;
  • Feridas com sangramento de difícil controle.

Estes sintomas podem surgir em qualquer pessoa com plaquetas baixas, mas são mais comuns quando estão muito reduzidas (abaixo de 50.000 células/ mm³) ou quando associados com outra doença, como dengue ou cirrose, que prejudicam a coagulação.

Principais causas

As principais causas de plaquetas baixas são:

1. Destruição das plaquetas

Algumas situações podem fazer com que as plaquetas vivam por menos tempo na circulação sanguínea, o que faz com que seu número diminua. Algumas das principais causas são:

  • Infecções por vírus, como dengue, Zika, mononucleose e HIV, por exemplo, ou por bactérias, que afetam a sobrevivência das plaquetas devido a alterações na imunidade da pessoa;
  • Uso de alguns remédios, como Heparina, Sulfa, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos, por exemplo, pois podem causar reações que destroem as plaquetas;
  • Doenças auto-imunes, que podem desenvolver reações que atacam e eliminam plaquetas, como lúpus, púrpura trombocitopênica imune e trombótica, síndrome hemolítica-urêmica e hipotireoidismo, por exemplo.

As doenças da imunidade tendem a causar uma redução de plaquetas mais grave e persistente do que o uso de remédio e infecções. Além disso, cada pessoa pode ter uma reação diferente, o que varia de acordo com a imunidade e a resposta do corpo, portanto, é comum ver pessoas com plaquetas mais baixas em alguns casos de dengue do que em outros, por exemplo.

2. Falta de ácido fólico ou vitamina B12

Substâncias como ácido fólico e vitamina B12 são essenciais para a hematopoiese, que é o processo de formação das células sanguíneas. No entanto, a falta de ácido fólico ou vitamina B12 podem levar à diminuição da produção de hemácias, glóbulos brancos e plaquetas. Estas deficiências são comuns em veganos sem acompanhamento nutricional, pessoas desnutridas, alcoólatras e pessoas com doenças que causam sangramentos ocultos, como gástrico ou intestinal.

Veja algumas dicas sobre o que comer para ter evitar a deficiência de ácido fólico e vitamina B12.

3. Alterações na medula óssea

Algumas alterações no funcionamento da medula fazem com que seja diminuída a produção de plaquetas, o que pode acontecer poder diversos motivos, como:

  • Doenças da medula óssea, como anemia aplásica ou mielodisplasia, por exemplo, que provocam a diminuição na produção ou produção errada de células do sangue;
  • Infecções da medula óssea, como pelo HIV, vírus de Epstein-Barr e varicela;
  • Câncer que afeta a medula óssea, como leucemia, linfoma ou metástases, por exemplo;
  • Quimioterapia, radioterapia ou exposição a substância tóxicas para a medula, como chumbo e alumínio;

É comum que, nesses casos, haja também a presença de anemia e diminuição dos glóbulos brancos no exame de sangue, pois a medula óssea é responsável pela produção de diversos os componentes do sangue.

4. Problemas no funcionamento do baço

O baço é responsável por eliminar diversas células do sangue que estão velhas, incluindo as plaquetas, e, se ele estiver aumentado, como acontece em casos de doenças como cirrose hepática, sarcoidose e amiloidose, por exemplo, pode haver uma eliminação de plaquetas ainda saudáveis, em uma quantidade acima do normal.

5. Outras causas

Na presença de plaquetas baixas sem uma causa definida, é importante pensar em algumas situações, como o erro de resultado do laboratório, pois pode acontecer agregação das plaquetas no tubo de coleta do sangue, devido à presença de um reagente no tubo, sendo importante repetir o exame, nestes casos.

O alcoolismo também pode provocar redução de plaquetas, pois o consumo de álcool, além de ser tóxico para as células do sangue, também afeta produção pela medula óssea. Já na gravidez, pode ocorrer plaquetopenia fisiológica, devido à diluição do sangue pela retenção de líquidos, que costuma ser leve, e se resolve espontaneamente após o parto.

Além disso, tem sido relatados casos de diminuição das plaquetas devido à COVID-19 e/ou como efeito adverso da vacina contendo adenovírus, principalmente AstraZeneca e Johnson & Johnson, sendo nesses casos associada à trombose. No entanto, são raros em que foram identificados esses efeitos adversos devido à vacina.

Ter plaquetas baixas é perigoso?

Ter plaquetas baixas nem sempre é perigoso, no entanto, o risco de sangramentos graves aumenta quanto mais baixa for a quantidade de plaquetas no sangue. De forma geral, quando a quantidade de plaquetas é menor que 20.000 células/mm3, há maior chance de sangramentos graves, aumentando o risco de hemorragia intracraniana e colocando a vida em risco.

Sangramentos leves pela gengiva ou nariz podem começar a ser notados a partir de quantidades de plaquetas inferiores a 50.000. 

Apesar de nem sempre ser perigoso, é importante que o resultado do exame de plaquetas seja avaliado pelo médico, pois assim é possível investigar a causa de plaquetas baixas e, assim, iniciar o tratamento mais adequado.

Como aumentar as plaquetas

Após a identificação da causa das plaquetas baixas, o médico poderá indicar o melhor tratamento para aumentar a quantidade de plaquetas, que pode envolver:

  • Retirada da causa, como remédios, tratamento de doenças e infecções, ou redução do consumo de álcool, que desencadeiam as plaquetas baixas;
  • Uso de corticoides, esteroides ou imunossupressores, quando é necessário tratar uma doença auto-imune;
  • Remoção cirúrgica do baço, que é a esplenectomia, quando a plaquetopenia é severa e causada pela função aumentada do baço;
  • Filtração do sangue, chamada de troca de plasma ou plasmaférese, é uma espécie de filtragem de uma parte do sangue que contém anticorpos e componentes que estão prejudicando o funcionamento da imunidade e da circulação sanguínea, indicada em doenças como trombocitopênica trombótica, síndrome hemolítica-urêmica, por exemplo;
  • Transfusão de plaquetas, que é principalmente indicada quando há hemorragia, quando há necessidade de cirurgia ou quando as plaquetas estão abaixo de 20.000 células/ mm³ de sangue.

Em caso de câncer, o tratamento é feito para o tipo e a gravidade desta doença, com quimioterapias ou transplante de medula óssea por exemplo.

Além disso, é importante manter uma alimentação equilibrada, rica em cereais, frutas, legumes, verduras e carnes magras, para auxiliar na formação do sangue e a recuperação do organismo. É recomendado também evitar esforços intensos ou esportes de contato, evitar o consumo de álcool e não usar remédios que afetam a função das plaquetas ou aumentam o risco de sangramento, como aspirina, anti-inflamatórios, anti-coagulantes e ginkgo-biloba, por exemplo.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022.

Bibliografia

  • STATPEARLS. Thrombocytopenia. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK542208/>. Acesso em 16 ago 2022
  • LEE, Eun-Ju; LEE, Alfred I. Thrombocytopenia. Prim Care. Vol.43, n.4. 543-557, 2016
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.