Paracentese: o que é, para que serve e como é feita

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
março 2022

A paracentese é um procedimento médico que consiste na drenagem de líquido de uma cavidade do corpo, sendo geralmente recomendada quando existe ascite, que é o acúmulo de líquido no abdômen, e desta forma, ajuda a aliviar a pressão, dor, desconforto abdominal ou dificuldade para respirar. 

Esse procedimento também pode ser realizado para obter uma pequena amostra do líquido abdominal para diagnosticar a causa da ascite ou pesquisar alterações como infecções ou câncer, por exemplo. Entenda o que é ascite e as doenças que causam

A paracentese é realizada em ambiente hospitalar ou ambulatorial, pelo clínico geral ou gastroenterologista, utilizando anestesia no local da punção para, em seguida, ser introduzida uma agulha especial que permitirá a saída do líquido.

Para que serve

A paracentese é realizada pelo médico nos casos de ascite, com diferentes objetivos, que incluem:

  • Paracentese diagnóstica: indicada para identificar a causa da ascite ou pesquisar alterações como infecções ou células cancerígenas, por exemplo. Esse tipo de paracentese é feita colhendo uma pequena quantidade de líquido do abdômem que será analisado em laboratório;
  • Paracentese terapêutica: é também chamada de paracentese de alívio, pois retira uma grande quantidade de líquido do abdômen. Geralmente, esse tipo de paracentese é indicado quando o tratamento para a ascite com diuréticos não é eficaz, provocando um acúmulo de líquido volumoso no abdômem e que causa dor e desconforto, podendo, em alguns casos, dificultar a respiração. 

A ascite, conhecida popularmente como "barriga d'água", é o acúmulo anormal de líquido rico em proteínas no interior do abdômen, geralmente causada por cirrose do fígado, provocada por diversas situações, como hepatite viral crônica, alcoolismo, doenças auto-imunes ou genéticas, por exemplo. Confira quais são as principais causas de cirrose

Outras situações que também podem provocar ascite são tumores ou metástases abdominais, insuficiência cardíaca congestiva, alterações nos rins, ou mesmo infecções abdominais, provocadas por tuberculose, esquistossomose, fungos ou bactérias.

Como é feita

A paracentese é feita pelo médico em ambiente hospitalar ou ambulatorial, sendo que para sua realização a pessoa deve estar deitada confortavelmente em uma maca, de barriga para cima, no caso de ascite grave, ou deitado de lado no caso de ascite leve. 

Para iniciar a paracentese, o médico deve estar devidamente paramentado com materiais para evitar a contaminação, como luvas, avental, gorro e máscara. 

Em seguida, para a realização da paracentese, o médico deve seguir alguns passos que incluem: 

  1. Fazer a limpeza e assepsia da pele na região em que será feita a punção;
  2. Aplicar a anestesia local onde será inserida a agulha, geralmente, na região inferior esquerda, entre a região do umbigo e a crista ilíaca, ou conforme guiado pelo exame de ultrassom;
  3. Inserir a agulha de grosso calibre, específica para o procedimento, de forma perpendicular à pele;
  4. Coletar uma amostra líquido para a seringa, que poderá ser analisado em laboratório;
  5. Remover maior quantidade de líquido ascítico, caso seja necessário. Neste caso, o médico poderá acoplar a agulha em equipo de soro ligado a um frasco que fica localizado em um nível mais baixo que o do paciente, para que o líquido possa ser drenado, fluindo naturalmente.

Além disso, quando a quantidade de líquido drenado é maior que 4 litros, recomenda-se o uso da albumina humana na veia, durante ou logo após o procedimento, na dose de 6 a 10 gramas de albumina por litro retirado. Este medicamento é importante para que o excesso de líquido retirado não proporcione um desequilíbrio entre o líquido abdominal e o líquido da corrente sanguínea. 

Quando não deve ser feita

A paracentese não deve ser feita em pessoas com abdome agudo que necessitam de cirurgia.

Além disso, outras contraindicações relativas da paracentese são trombocitopenia grave, coagulação intravascular disseminada (CIVD) ou fibrinólise primária. Nesses casos, a paracentese pode ser realizada após controlar essas condições com o uso de remédios ou transfusão de plasma fresco congelado ou plaquetas.

Possíveis complicações

Apesar de, geralmente, a paracentese ser um procedimento seguro, é possível que surjam algumas complicações, como:

  • Perfuração de algum órgão, como intestino, estômago ou bexiga;
  • Vazamento persistente do líquido no local da punção; 
  • Infecção no local da punção;
  • Hemorragia;
  • Hematoma abdominal;
  • Infecções do líquido ascítico ou da parede abdominal;
  • Perfuração de algum vaso sanguíneo, como aorta, artéria mesentérica ou artéria ilíaca.

Além disso, pode ocorrer queda da pressão arterial após a remoção de grande quantidade de líquido do abdômen, geralmente mais de 5 a 6 litros, sendo neste caso recomendado administrar albumina humana na veia, logo após o procedimento, para evitar essa complicação.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em março de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em fevereiro de 2020.

Bibliografia

  • THOMSEN, T. W.; et al. Paracentesis. N Engl J Med. 355. e21, 2006
  • GRABAU, C. M.; et al. Performance standards for therapeutic abdominal paracentesis. Hepatology. 40. 2; 484-488, 2004
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  • APONTE, E. M.; KATTA, S.; O'ROURKE, M. C. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Paracentesis. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK435998/>. Acesso em 18 mar 2022
  • SUDULAGUNTA, S. R.; et al. Clinical Profile and Complications of Paracentesis in Refractory Ascites Patients With Cirrhosis. Gastroenterology Res. 8. 3-4; 228–233, 2015
  • PROTOCOLOS CLÍNICOS DA COOPERCLIM – AM . Manejo prático da ascite. Disponível em: <http://www.doencasdofigado.com.br/Ascites_PBE_e_paracentese.pdf>. Acesso em 14 fev 2020
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.